PORQUE É URGENTE COMPREENDER A INEXISTÊNCIA DE DEUS

Esta é uma questão extremamente lógica que irá mexer tanto com a fé das pessoas, quanto com a fundação das crenças e religiões, e para aqueles que buscam o conhecimento.

Venho estudando o tema há muitos anos e a cada dia noto uma nitidez e uma certeza precisa sobre a verdade envolvida nesta interpretação do que é “Deus”. O maior de todos os problemas não está em acreditar se Deus existe, e sim, nas consequências que irão afetar – e já estão afetando – a própria lucidez das pessoas, o senso crítico, e principalmente os valores das pessoas que dizem ter certeza absoluta de sua existência.

Tudo parte do seguinte pressuposto lógico: se “Deus não existe”, então, todos os valores, fé e toda a fundação de todas as religiões do mundo, perdem o sentido…

Isso significa que se isso for verdade, nossa mente provocará uma reversão e anulação de toda a nossa consciência a tudo o que derivou desta falsa verdade, isto é, nosso alicerce emocional, psicológico e até mesmo moral, estará seriamente prejudicado em decorrência de não haver mais sentido em continuar acreditando em algo que deixou de existir da noite para o dia. Muitas pessoas não saberão o que fazer ou por onde começar, ao tomar conhecimento de que tudo o que foi ensinado desde a sua infância não passou de um equívoco, uma mentira, e o que fazer?

Não quero com este ensaio dizer que é a minha vontade, ou a minha proposição que está dizendo que isso é verdade, e sim que é a própria existência e evolução do ser humano o responsável por essa afirmação, onde a ciência é apenas um instrumento que nos mostra o mundo como ele é; e não como nós pensávamos que fosse. A quantidade de descobertas: achados arqueológicos, desenvolvimento de instrumentos óticos, computadores, satélites, radiotelescópios e todo o aparato que o homem inventou para encontrar a verdade sobre a vida e sobre ele mesmo, é hoje, algo inquestionável. Através de todas as pesquisas realizadas até o momento, é certo que não podemos conceber nada a partir de qualquer essência, onde tudo parte apenas da existência, essa existência começa com a origem do universo, e “essa origem não teve um autor, apenas ocorreu como um fenômeno físico”.

“Se somos um fenômeno físico”, cujo biológico deriva de condições cosmológicas presentes antecipadamente; mas, consequentemente dos mesmos acontecimentos físicos, quanto o nascimento de uma estrela, a transformação em supernova, a morte da supernova, a ejeção de material pré-biológico, o acúmulo desse material que se transformará em nebulosa planetária – que o captura, fazendo a geração de planetas como a terra – e, numa posição ideal nos padrões químicos – inicia a produção de vida; não há mais dúvidas de que esse conhecimento somente está sendo possível graças ao padrão evolutivo do próprio ser humano, assim como foi previsto por Charles Darwin[1].

Somente este conhecimento, já invalida tudo o que foi proposto pelas religiões em toda a sua história, e ainda acabamos descobrindo que o homem além de ser um animal como todos os outros; é um ser histórico, podendo conceber tanto a história do universo, como a sua própria história, através de sucessões de fatos que são cada vez mais comprovados e nos mostram a verdade nua e crua sobre nós e sobre o mundo.

E se a história é vivenciada pelo homem, a sua religião também é, e já foi a muito tempo superada, onde não há mais como continuar acreditando em algo impossível de existir, que não pode ser detectado por nenhum aparelho, que é totalmente ilógico tal qual é a ideia de um “Deus”, um ser absoluto.

Como dizia o filósofo Nietzsche, nós criamos apenas uma palavra de quatros letras e demos corpo, forma e tamanho a essa palavra, e por causa disso, toda uma cultura foi gerada diante desta perspectiva equivocada sobre uma realidade que antes de ser provada, foi aceita como verdade. Essa crença formou uma linguagem, transformando-se numa “pseudo verdade” – tal qual é a própria bíblia -, onde não havendo mais o autor, o que derivou dele, não tem mais sentido e morre por falta de correspondência!

Deus, então, transformou-se num buraco negro em nossa mente, onde tudo o que cai nele é consumido para sempre, porque não há como resgatar verdade alguma, ou “qualquer significado coerente com algum sentido válido”.

O que ocorrerá com uma pessoa religiosa, frequentadora de igrejas e templos? A visão de mundo dessa pessoa está equivocada, em decorrência das próprias necessidades do ser humano, que são: confiança em si mesmo, senso crítico, autoconhecimento, autoafirmação, contato com o mundo, etc.

E por que estou tão certo disso? É simples, tudo o que está à nossa volta hoje é um produto da tecnologia – vivemos numa atmosfera tecnológica -, e a tecnologia é um produto acabado do refinamento humano, em desenvolver todo esse aparato formador daquilo que está em contato conosco em nosso dia a dia, sendo algo imprescindível, insuperável, que não se pode mais viver sem esse repertório de coisas, sistemas, computadores, etc.

Muitos estudiosos dão o seguinte nome a tudo isso: liquidez, fluidez; estamos diante de uma realidade líquida, fluída, formada por coisas que são trabalhadas para que se adaptem a nós, e nós para que nos adaptemos a elas; vice e versa.

Voltando ao que ocorrerá com pessoas ligadas ao estado espiritual, que possuem crenças e estas, enraizadas em algum tipo de fé religiosa. Essas pessoas começarão a experimentar em primeiro lugar um desconforto psicológico e moral; com o passar do tempo, as coisas começarão a perder o sentido, porque para elas existe o bem e o mal, essas pessoas sentirão uma espécie de bipolaridade – onde algo não faz sentido -, porque não conseguirão estar confortáveis em um mundo com excesso de informações; e, não somente as informações, mas “o que estas informações estão apontando repetidas vezes” é totalmente contrário à sua fé, à sua religião e; principalmente, a todos os valores derivados dessas crenças.

O cérebro quase sempre dá prioridade para aquilo que tem algum sentido, e quando algo que não tem sentido, é fixado na mente como se fosse uma lavagem cerebral, criará no cérebro uma espécie de eco, que diz: onde está a verdade? Estou certo? Estou errado? O que é tudo isso?

E por que esse eco mental para os religiosos envenena os seus cérebros? Porque o cérebro não sabe nada sobre a verdade, é por isso que durante milênios as culturas humanas aderiram ao absurdo das religiões. O cérebro é um concentrador ou pré-processador da consciência, e a consciência é o resultado daquilo que é processado por ele; qualquer informação não chega ao cérebro como informação, chega antes como percepção, essa percepção então, é pré-processada a partir de memórias e significados aos quais resgatamos correlatos com aquilo que acabamos de perceber.

“A consciência é sempre consciência de algo”, que primeiro foi percebido, para depois ser comparado com o que havia anteriormente, como significante na mente.

As consequências diretas da crença em Deus para muitos no momento presente será o seguinte: perda do senso crítico, que começa na comparação de tudo o que é natural, com algo que diz o seguinte: veja como Deus é perfeito, Deus está nas águas, nas estrelas, etc. Chamo isso de equívoco conceitual; onde essa pessoa não consegue mais olhar para o real como natural e sim como algo excessivamente contemplativo. Outra consequência é com relação às perdas familiares, doenças e coisas do gênero; onde essas pessoas irão olhar para esses acontecimentos como um pecado que cometeram, um carma; acabam adquirindo uma espécie de culpa que tira o seu conforto psicológico, etc.

Caso os valores gerados no cérebro não tenham como significado algo que está em correspondência com a realidade concreta – a realidade que vivemos no dia-a-dia – isso provocará um eco vazio no cérebro, uma angústia cada vez mais forte na tentativa de achar um sentido que corresponda ao que a religião afirma, ao que foi proposto e recalcado milhares de vezes como verdade, mas na prática ou vivência dessas pessoas não passou de um equívoco enorme facilmente percebido.

Consciência e subjetividade, ciência e objetividade

A ciência trata sempre de algo que é comprovado, palpável e refutável; já a nossa consciência trabalha com algo que é subjetivo, que existe somente enquanto houver essa consciência; portanto, quem tem na consciência a figura de um “Deus”, tem na realidade algo subjetivo e existente somente enquanto a consciência mantém essa ideia, se caso o cérebro morresse – essa pessoa falecesse -, a consciência morreria junto e tudo o que estava sendo gerado por ela também acabaria.

Alma e espírito, o que são?

É comum ouvirmos alguém falar em “a alma humana”; ou, “o espírito humano”, isso tem de fato algum significado? Apenas subjetivamente; tanto “alma”, quanto “espírito”, são apenas atribuições subjetivas para a “consciência” de cada um de nós; não existindo fora do âmbito do cérebro, então é no cérebro que está a consciência de quem somos e não, andando por aí!

Qual é o sentido da vida?

O sentido da vida se resume apenas em uma palavra, um verbo: “viver”, é aí que está todo o sentido e significado de quem somos. Não há melhor significado para a vida do que termos a “consciência” dessa vida; que outro significado a vida precisaria ter a não ser se fazer vida, estar vivo, continuar existindo. A evolução é a continuidade da vida – vida que interage com a vida – em toda a sua plenitude e complexidade.

Como a vida surgiu?

As pesquisas recentes comprovam que a origem da vida está ligada diretamente na interação complexa entre matéria e energia, na vastidão do cosmos, nosso universo.

O que é metafísica?

É apenas um estado de coisas incompreendidas, que ainda não puderam ser esclarecidas ou pela filosofia ou pela ciência.

O fim das religiões está próximo!

A religião está com os dias contados, porque não acrescenta mais significado à vida das pessoas, aos seus valores e à própria evolução do ser humano. As religiões se transformaram em instituições organizadas, mas são fruto de mais uma ideologia que está sendo eliminada pela ciência. Como não consegue – e até torna-se absurdo -, dar significado aos acontecimentos terrestres, cosmológicos, biológicos e até mesmo humanos; na interpretação da realidade imediata. Não vejo chances desta instituição continuar existindo por muito tempo, ainda mais porque o ser humano está cada vez mais tecnológico, e essa tecnologia, está causando uma mudança extrema na própria consciência humana, mudando os valores da noite para o dia; e, de uma hora para outra, todos irão perceber que foram enganados por uma instituição jurássica, um completo fóssil social.

O que fazer com o povo, as igrejas e templos?

Havendo um aumento na qualidade de vida das pessoas, automaticamente, haverá um acesso dessas pessoas às informações atualizadas sobre o mundo e sobre elas mesmas. Surgirá então uma nova mentalidade, um novo paradigma, e uma nova percepção em suas próprias consciências, que serão reprogramadas ao acessarem um conhecimento que lhes foi negligenciado, ocultado, quando viviam sob a influência religiosa. Então podemos dizer que os religiosos são excluídos sociais, no sentido de que não possuem um mínimo conhecimento da ciência, do planeta em que vivem e do próprio cosmos, no presente século XXI.

Os templos e igrejas, precisam ser transformados em museus ou outros centros de assistência social.

{rcristo}



[1] Naturalista Inglês – desenvolveu a teoria da seleção natural.

3 comentários sobre “PORQUE É URGENTE COMPREENDER A INEXISTÊNCIA DE DEUS

  1. Eu penso que vc está enganado quando diz que o fim das religiões está próximo, mesmo em uma sociedade cada vez mais tecnológica, o espaço para o simbólico, o metafísico, continuará existindo. Observe como grande parte da população atual já convive com esta dualidade, o mundo tecnológico, produto da racionalidade humana e ao mesmo tempo continuam com seus rituais e temor a Deus. O meu sentimento é que a complexidade do nosso cérebro sempre vai exigir a busca de explicações irracionais.

    Abraço.

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    • Caro Paulo Lima. Venho estudando esse assunto há mais de dez anos e reforço cada vez mais a minha convicção de que não precisamos mais de um ser metafísico para que nossa moral possa evoluir. Será até melhor para todos nós que as explicações existenciais sejam validadas somente pela ciência, é saudável e evita que os fósseis sociais que são as religiões continuem atormentando a mente dos menos preparados; psicologicamente falando.

      Afirmo que Deus é somente uma ideia e dela não podemos esperar nada mais do que apenas uma conclusão tão óbvia quanto a sua representação lógica: https://rcristo.com.br/tag/deus-e-somente-uma-ideia/
      Se admitíssemos que existisse um fantasma em nosso corpo e um fantasma em nosso universo, estaríamos contrariando todas as conquistas tecnológicas e científicas do presente momento.
      E não sou eu quem está tentando convencer as pessoas a não acreditarem em Deus, são as evidências, conquistas científicas; a nossa realidade concreta. A própria razão esclarecida elimina automaticamente a ideia de Deus tão logo o nosso cérebro alcance um nível profundo de compreensão sobre si mesmo, sobre a realidade e o cosmos.

      Uma sociedade sem Deus seria uma sociedade avançada e puramente humana, ao contrário do que muitos pensam, quando as pessoas chegarem à conclusão de que seus problemas, erros e complicações existenciais, é um produto exclusivamente humano, viverão suas vidas com mais respeito pelo próximo, mais consciência e menos apelações para o inexistente.
      Para compreender melhor sobre a razão esclarecida sugiro assistir esse vídeo de Oswaldo Giacoia: https://rcristo.com.br/?s=a+morte+de+deus

      Abs. Reinaldo

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  2. Reinaldo, gostaria de poder compartilhar o mesmo otimismo seu, pois também estou de acordo que não precisamos de um ser metafisico para prosperar, porém insisto que não vejo um futuro menos religioso que o atual, muito ao contrário. Acredito na tendência de radicalização entre as pessoas esclarecidas da “dura” realidade da natureza e aqueles que necessitam e creem neste tipo de Deus simplório, dogmático. Porém, o caminho não é fácil. A realidade é tão complexa e difícil de ser provada quanto a teoria da criação divina. Fiquei particularmente impressionado recentemente ao ler recentemente o livro “O Tecido do Cosmo”, de Brian Greene, e depois assistindo o vídeo “O Universo Elegante”, do mesmo autor. Considerando as dificuldades conceituais em “provar” a existência daquilo que é o Santo Graal da física, no caso as supercordas, podemos cair no campo da filosofia e se aproximar dos dogmas religiosos, colocando mais lenha na fogueira.
    Gostei do link com o Oswaldo Giacoia, não o conhecia.
    Abraço,
    Paulo Lima
    Campinas, SP.

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