IANA distribui últimos endereços IPv4

Detalhes da complexidade do protocolo IPv6
Detalhes do novo protocolo de rede IPv6 que substituirá o IPv4 - Fonte: Wikipedia

A Internet Assigned Numbers Authority (IANA) entregou quarta feira (02/02/2011) os últimos cinco blocos de endereços IPv4 para as entidades que regulam a distribuição de endereços IP pelo mundo. Na prática, isso significa que não há mais endereços do padrão IPv4 disponíveis para conexão de dispositivos à internet.

Com o fim dos endereços IPv4, a expansão da internet será feita por meio do protocolo IPv6. Ele aumenta o número de endereços disponíveis para conexão de dispositivos à internet. Durante a cerimônia de entrega dos últimos endereços, realizada em Miami (EUA), especialistas da IANA foram unânimes ao afirmar que não há riscos para a expansão da internet.

IPv6 garante futuro da internet

Todo dispositivo que acessa a internet necessita de um endereço IP, que serve como um identificador daquele terminal dentro da rede. O padrão IPv4 fornecia cerca de 4 bilhões de endereços, que acabaram hoje. Mas a migração para o padrão IPv6 ampliará a quantidade de endereços disponíveis e assegurará a expansão da internet.

O IPv6 oferece 2128 combinações de números, ou seja, 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456 endereços IP. Isso equivale a 79 trilhões de trilhões de vezes o espaço oferecido pelo IPv4.

No Brasil, o gerenciamento dos endereços IP é feito pelo NIC.br. Segundo a entidade, os endereços IPv4 brasileiros devem durar até 2012, caso não haja alterações bruscas de mercado. O NIC.br está trabalhando com empresas de infraestrutura de internet para acelerar a adoção do IPv6 no Brasil.

Internauta não precisa se preocupar

A migração do padrão IPv4 para o IPv6 é um processo que afeta apenas as empresas que lidam com a infraestrutura da internet. Para que isso aconteça é necessário que essas companhias atualizem seus equipamentos e sistemas de comunicação.

Já para o internauta, nada muda na maioria dos casos. As redes IPv4 e IPv6 são compatíveis entre si e todos os sistemas operacionais modernos já suportam o IPv6. Não será necessário, portanto, adquirir um novo sistema operacional ou software para continuar acessando a internet.

A troca de computador pode ser necessária apenas para quem tem PCs muito antigos, de meados dos anos 1990. Em alguns casos pode ser necessário também trocar o modem de banda larga. Mas apenas se o modelo for muito antigo.

Nova versão do IP resolve escassez de endereços na internet

Com 79 trilhões de trilhões de vezes o número de endereços oferecido pelo IPv4, o IPv6 está preparado para conectar todos os dispositivos à rede.

Apesar de serem equipamentos diferentes, computadores, celulares, tablets, sensores e outros dispositivos se tornam iguais quando conectados à internet. Cada um deles é identificado com um endereço composto de quatro sequências de números separados por pontos para trocar mensagens segundo o protocolo de internet (IP), que está em sua versão 4. A internet usa essa versão desde o início da década de 90, mas não por muito tempo. A quantidade de endereços IPv4 está acabando: só restam 4,3% do total no mundo todo.

Foto de um dos criadores do protocolo IP
Vint Cerf, um dos criadores do protocolo IP, já alertava sobre escassez de endereços

Segundo a IANA (Internet Assigned Numbers Autority), entidade que controla os endereços IP, o estoque global deve acabar em fevereiro de 2011. “Se os endereços acabarem, não será possível conectar mais máquinas diretamente à internet”, explica Luciano Martins, engenheiro de redes convergentes do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações). A internet continuará existindo, mas as conexões podem ficar mais caras e novos serviços baseados na web podem demorar mais para aparecer.

Especialistas de todo o mundo já anunciam o fim do estoque de endereços IPv4 há anos. Vint Cerf, vice-presidente do Google e considerado o “pai” do protocolo IP, disse em entrevista ao jornal britânico The Guardian, que trata-se de um problema que resultará em uma das grandes mudanças na história da internet. “Não há dúvida de que vamos ficar sem endereços IP em algum momento em 2011”, disse Cerf.

Depois que o estoque global de endereços IP acabar, os estoques regionais ainda oferecerão uma sobrevida ao IPv4. No Brasil, o NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) coordena a distribuição dos endereços. Segundo Antônio Moreiras, coordenador de projetos do Ceptro.br (Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações), área vinculada ao NIC.br, o estoque brasileiro de endereços IPv4 suprirá a demanda até, no máximo, 2013. “Não passará de dois anos.”

A falta de endereços em IPv4, no entanto, não significa que a internet parará de crescer. Como a quantidade de endereços IPv4 é limitada – permite 4,3 bilhões de combinações possíveis – a IANA, em conjunto com as entidades regionais que controlam o uso de endereços IP, desenvolveram uma nova versão do protocolo, chamado IPv6. Esta nova versão promete oferecer uma capacidade quase infinita de endereços IP.

Trilhões de trilhões

“O IPv6 é uma condição essencial para a internet do futuro”, diz Moreiras. A nova versão oferece mais endereços para cada pessoa do que o necessário, de modo que todos os dispositivos fiquem online ao mesmo tempo. “A chamada ‘internet das coisas’ permitirá conectar roupas, sistemas de iluminação e segurança e até eletrodomésticos à web.”

O IPv6 oferece 2128 combinações possíveis, ou seja, 340.282.366.920.938.463.463.374.607.431.768.211.456 endereços IP. Isso equivale a 79 trilhões de trilhões de vezes o espaço disponível pelo IPv4. O usuário precisará se acostumar com seu novo endereço: até oito conjuntos de números e letras separados por dois pontos, como 2001:12ff:0:7::143.

A hora da virada

O IPv6 já está pronto há 12 anos, mas só agora operadoras, provedores e empresas de internet começam a investir em projetos para torná-lo realidade. Como o IPv6 não é compatível com o IPv4, elas terão que trocar equipamentos e ajustar redes e sistemas para só depois distribuir os novos endereços IP.

No Brasil, segundo o NIC.br, até agora 218 sistemas autônomos (computadores responsáveis por distribuir os IPs numa rede) dos 800 existentes, já pediram endereços IPv6. “Muita gente ainda não se deu conta do problema e alguns dependem que os provedores maiores se ajustem primeiro”, diz Moreiras.

Apesar da urgência em usar o IPv6, as duas versões do protocolo IP conviverão por muitos anos. A longo prazo, no entanto, o IPv6 substituirá o IPv4. No início, os provedores de internet fornecerão os dois endereços para os usuários, para que eles possam acessar os sites nas duas versões.

A mudança, contudo, exigirá que os internautas ajustem a rede doméstica ao IPv6. “Todo mundo vai ganhar dois endereços para chegar ao mesmo lugar”, diz Moreiras. Ainda não há nenhum provedor de internet no Brasil que ofereça conexões em IPv6 para usuários domésticos.

Mexendo no bolso

Ninguém precisará trocar o computador por conta do IPv6, mas o internauta pode sentir algum impacto no bolso, principalmente se usar um sistema operacional, modem ou roteador antigos.

Em se tratando de sistemas operacionais, somente quem usa sistemas desenvolvidos antes de 1998 deve se preocupar. Será necessário instalar uma versão mais nova que suporte ou já tenha IPv6 nativo: Linux (distribuições que usem o Kernel a partir da versão 2.4), Windows 2000, XP, Vista e 7 ou MacOS X. Vale lembrar que, dependendo da configuração de hardware, o computador pode não suportar sistemas operacionais mais modernos.

Fonte:IG Tecnologia

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