NASA mostra os primeiros conceitos dos motores de dobra espacial fora da ficção

Foto ilustrativa de um modelo de nave de dobra
Crédito da Imagem: Mark Rademaker/NASA.

Os fãs de filmes de ficção científica com certeza já devem imaginar no que implicaria um motor para dobra espacial: com ele, seria possível viajar pelo espaço em velocidades muito maiores que a da luz. Isso se colocarmos tudo em termos bem simples, já que quem realmente seria acelerado é o próprio espaço e não o equipamento que realizaria a viagem. Complexo? Bastante, mas completamente possível também, segundo o físico Dr. Harold White da Johnson Space Center da Nasa.

Ele apresentou um modelo teórico para um motor de dobra possível e viável para ser construído e operado pelo homem. Na verdade, ele realizou diversos cálculos para resolver problemas da sua teoria anterior, que também trabalhava na ordem da aceleração do espaço, mas requeria quantidades realmente astronômicas de energia e massa. Estamos falando do equivalente à massa de Júpiter para criar o dito motor! Agora, com a teoria atualizada, o valor foi reduzido para menos de 800 kg.

Motor de dobre de Alcubierre
Modelo proposto por Alcubierre. Espaço-tempo seria acelerado para facilitar a viagem espacial (Fonte da imagem: Reprodução/io9)

Como isso poderia funcionar

Motor de dobra White
Modelo alterado por White diminui a necessidade de massa. (Fonte da imagem: Reprodução/io9)

De acordo com White, para criar um motor de dobra seria necessário posicionar um objeto esferoide no meio da nave espacial e fazer um anel se movimentar em volta dele de determinada maneira que pudesse contrair e expandir o espaço à sua volta, gerando uma bolha de dobra ao redor da espaçonave. O conceito é praticamente o mesmo — se visto de forma bem simples — que o presente em uma diversidade de obras de ficção científica do cinema, da TV e da literatura.

Essa bolha de dobra seria capaz de movimentar o espaço em volta da nave, como se ela estivesse passando através de algo muito apertado. Assim, o movimento de expansão do espaço atrás da bolha seria o responsável por movimentar a nave a velocidades incríveis.

Fora isso, como a bolha de dobra posicionaria a nave em alguma situação “nas entranhas do espaço”, as leis da relatividade de Einstein não se aplicariam diretamente. Isso porque, diretamente, nada pode superar a velocidade da luz, mas o espaço pode se comprimir e expandir a qualquer velocidade, tornando a dobra praticamente ilimitada.
White explica ainda as limitações práticas do seu modelo anterior, comentando sobre a rigidez do espaço. “O espaço-tempo é bem rígido/firme, então para criar o efeito de expansão e contração de forma útil a fim de conseguirmos atingir destinos interestelares em uma quantidade de tempo razoável, seria necessário uma grande quantidade de energia”.

Como o motor se tornou viável

Para criar a solução para esse problema, White tentou realizar uma alteração no modelo de motor de Alcubierre, no qual tinha baseado sua primeira ideia. Em volta do objeto esferoide, seria necessário que um anel permanecesse girando. Alcubierre, entretanto, imaginou esse elemento como um cinto, um anel chato. Então, White teve a ideia de melhorar a forma desse elemento, tornando-o mais grosso, quase como uma rosquinha, no formato que aparece no modelo.

Foi com isso que os cálculos da quantidade de energia e massa do motor pularam do tamanho de Júpiter para 800 kg, o equivalente à sonda Voyager 1, que explorou o Sistema Solar nos últimos anos.

Resultados práticos

Todo esse trabalho feito por White baseado nas ideias de Alcubierre resultaria em velocidades incríveis de dobra. Nada comparado ao que víamos em Star Trek, em que a tripulação da USS Enterprise chegava a seus destinos em questão de segundos. Mas os resultados são bastante aceitáveis, já que poderíamos alcançar a estrela mais próxima do Sol em questão de semanas. Com isso, ir para Marte poderia ser como atravessar a rua em uma nave com um motor baseado nas ideias de White.

Além do mais, a viagem com o motor de White seria bastante precisa. Os ocupantes de uma espaçonave equipada com ele experimentariam uma sensação de movimento, mas a nave na verdade não estaria se movendo. Por conta disso, é possível parar esse efeito e recomeçá-lo com bastante precisão. Ou seja, calculando rotas com exatidão, você poderia alcançar qualquer planeta do nosso Sistema Solar sem acabar sendo sugado pela gravidade, podendo se posicionar em locais apropriados.

Experimentos

Depois de apresentar seu novo modelo de dobra espacial, White agora se ocupa em recriar miniaturas do seu motor a fim de comprovar sua teoria. Para isso, lasers estão sendo utilizados para recriar condições do espaço a fim de testar a capacidade dos protótipos.

White explica ainda que está realizando testes com um anel de capacitores de cerâmica, a fim de simular o efeito do anel em volta do esferoide original. Caso tudo ocorra bem, a NASA poderá recriar o equipamento em tamanho real em alguns anos, talvez décadas.

Avaliando o avanço de potenciais propulsores

O cientista da Nasa MARC G. MILLIS, documenta em um artigo o potencial promissor das novas ideias e novos conceitos sobre propulsão espacial, bem como a viabilidade no médio e longo prazos. Leia o artigo completo AQUI!

Fonte: io9

Fonte: Tecmundo

Fonte: NASA

Cosmos de Carls Sagan completo em 13 episódios (primeira edição dublada)

Livro Cosmos - Carl Sagan
Leia em PDF

É uma série simplesmente indispensável, vista por mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo e produzida por um dos maiores divulgadores da ciência que já existiram, Carl Sagan.

A série Cosmos é um clássico – segue o livro completo ao lado – clicando sobre a foto do livro irá direto para a página com o livro em PDF.  A primeira vez que assisti eu tinha 12 anos, fiquei fascinado com tanto conhecimento divulgado e explicado com muita simplicidade pelo cientista Carl Sagan. Em minha opinião videos como este deveriam ser mostrados às crianças desde sua infância, para que comecem a desenvolver uma consciência voltada para a ciência.

Título Descrição
Episódio 1: As Margens do Oceano Cósmico

Das margens do grande oceano do espaço, Carl Sagan embarca em uma imensa jornada cósmica que começa a 8 bilhões de anos-luz da Terra. A bordo de sua espaçonave da imaginação, ele nos conduz às maravilhas do Cosmos. Passando por Plutão, rumo aos anéis de Urano, o majestoso sistema de Saturno e o lado escuro de Júpiter. Atravessando as nuvens da Terra, nós nos encontramos no Egito, onde “Eratosthenes” mediu, pela primeira vez, o tamanho da Terra. Dr. Sagan nos mostra como isso foi feito. A biblioteca de Alexandria, o berço do aprendizado do mundo antigo, é reconstruída em toda sua glória para ilustrar a fragilidade do conhecimento. Sagan também apresenta o “Calendário Cósmico”, para que possamos compreender a expansão do tempo, desde o “Big Bang” até o presente.

Episódio 2: Uma Voz no Mundo Cósmico

Como começou a vida na Terra? Existe vida em outros mundos? Carl Sagan explora a origem, evolução e diversidade da vida na Terra. Com incríveis animações de computador, nós entramos no coração de uma célula viva, para examinar o DNA. Para entender o processo de evolução, Dr. Sagan nos conta uma fascinante história do Japão, enquanto experiências de laboratório demonstram os primeiros passos da origem da vida. Novas e espetaculares seqüências de animação traçam a evolução humana a partir de um micro-organismo no oceano primitivo. E, finalmente, conheceremos as diferentes formas de vida que poderiam habitar uma atmosfera como a do planeta Júpiter. Acompanhe o Dr. Carl Sagan nesta incrível jornada rumo aos segredos do universo desconhecido.

Episódio 3: A Harmonia dos Mundos

Da fascinante jornada humana desde os primeiros estudos astronômicos das antigas civilizações até os mais modernos exploradores do Cosmos, surgiu uma pseudo-ciência chamada astrologia. O último grande astrólogo científico também foi o primeiro astrônomo moderno: Johanne Kepler. Kepler buscava a harmonia das estrelas e fez um importante avanço rumo à era da ciência. Seu maior segredo era um respeito muito grande pela observação dos astros, mesmo quando estes entravam em conflito com suas próprias crenças pessoais. As descobertas intuitivas de Kepler nos ensinaram como a Lua e os planetas movem-se ao redor de suas órbitas e como o homem poderia ficar ainda mais próximo do universo, com os primeiros conceitos de como viajar pelo espaço em direção a outros planetas.

Episódio 4: Céu e Inferno

Em 1908, na Sibéria, uma misteriosa explosão abalou a Terra, derrubando árvores por milhares de quilômetros, e emitindo um som que pode ser ouvido em todo o planeta. Será que um mini buraco-negro atingiu a Terra? Ou uma nave extra-terrestre sofreu um acidente nuclear? Carl Sagan examina as evidências e conclui que a Terra foi atingida por um pequeno cometa. Um modelo de nosso sistema solar nos mostra como outros planetas devem ter sofrido impactos semelhantes. Será que o planeta Vênus já foi um imenso cometa, como acreditam alguns estudiosos? O Dr. Sagan responde a essa pergunta em uma viagem cósmica através da atmosfera de Vênus, para explorarmos sua superfície escaldante. Embarque, também, na fantástica nave de Carl Sagan, e descubra a beleza e fragilidade do lugar que chamamos de planeta Terra!

Episódio 5: O Planeta Vermelho

O planeta Marte vem fascinando os humanos há séculos, tanto na ficção científica quanto na ciência real. Carl Sagan nos conduz ao Observatório Percival Lowell, construído no Arizona, para estudar os “canais” de Marte, que Lowell acredita terem sido construídos por uma civilização extinta. Há alguns anos, duas espaçonaves Vikings pousaram em Marte. O Dr. Sagan nos mostra o pouso das naves e demonstra o maravilhoso equipamento que enviou milhares de fotos e informações para a Terra. Explorando a superfície do planeta vermelho, Viking não achou nenhuma indicação, nenhum artefato, ou qualquer tipo de vida inteligente. Mas a possibilidade de vida microscópica, passada ou presente, ainda permanece em discussão. Segundo os estudos realizados, se já houve vida em Marte, ela desapareceu… ou pode estar em qualquer outro lugar do universo … até mesmo na Terra!

Episódio 6: Navegantes do Universo

Há trezentos anos a Holanda começou a enviar seus navios mundo afora recolhendo dados sobre nosso planeta; hoje espaçonaves já navegam para todos os planetas conhecidos de nossos ancestrais. Carl Sagan leva-nos ao Laboratório de Propulsão a Jato para compararmos a empolgante viagem exploratória a bordo de um navio com a emocionante experiência dos cientistas que presenciaram as primeiras imagens das luas de Júpiter, tomadas pela espaçonave Voyager. Comandada pela Dr. Sagan, a espaçonave da imaginação segue a trilha da Voyager levando-nos aos anéis de Saturno e a seu satélite Titã, cuja atmosfera é rica em material orgânico. E após explorar Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, a nave Voyager continuará cruzando para sempre o grande oceano interestelar.

Episódio 7: O Esqueleto da Noite

O que são as estrelas? Houve um tempo em que homens curiosos imaginavam que as estrelas fossem campos em fogo no céu, sustentados por uma magia, ou pensavam que a Via Láctea era o “Esqueleto da Noite”. Na ilha grega de Samos, 2.300 anos atrás, um homem chamado Aristarchus sugeriu que o Sol, e não a Terra, seria o centro do sistema solar. Ele acreditava na tradição de 200 anos atrás, na qual as leis naturais, e não o capricho dos deuses, governam o universo. Na caverna de Pitágoras em Samos, Carl Sagan também descobre um outro lado do pensamento Grego, um mundo místico guardado por eléricos que trabalhavam para esconder das pessoas esse tipo de conhecimento. O nascimento do pensamento científico na nossa civilização e o interior de nós mesmos é o tema desse episódio. Dr. Sagan viaja de volta ao Brooklin onde ele começou por si próprio a mudar com o estudo do universo.

Episódio 8: Viagens pelo Tempo e Espaço

As estrelas do Cosmos são mais numerosas que todos os grãos de areia da Terra. Se pudéssemos observar o céu, ininterruptamente, por milhares de anos, constelações mudariam de forma, graças ao intenso movimento das estrelas. Junto a Carl Sagan, viajaremos pelas profundezas do Universo. Em uma máquina do tempo, exploraremos o que aconteceria se o passado pudesse ser alterado. Estudaremos as idéias de um jovem chamado Albert Einstein sobre a possibilidade de viajar em um raio de luz. Exploradores espaciais, em modernas naves, poderiam alcançar o centro da galáxia com rapidez além de nossa imaginação … mas retornariam a uma Terra milhares de anos mais velha do que quando partiram!

Episódio 9: A Vida das Estrelas

A maioria dos átomos em nossos corpos foram feitos dentro das estrelas! Com técnicas avançadas de astronomia e impressionantes animações gráficas, conheceremos o nascimento, a vida e a morte das estrelas. Carl Sagan nos mostra a origem e a natureza dos buracos negros, corpos com uma força gravitacional tão forte dos quais nem mesmo a luz consegue escapar. Testemunharemos como será a explosão do sol e a redução de nosso planeta às cinzas, cinco bilhões de anos no futuro. Tentaremos conhecer um pouco mais sobre os raios cósmicos, capazes de criar estranhas mutações na Terra, produto de explosões que acontece por todo o universo. A origem, evolução e destino da vida em nosso planeta estão relacionadas com a imprevisível e misteriosa evolução do cosmos.

Episódio 10: O Limite da Eternidade

Qual a origem do universo? Qual o seu destino? Será que continuará a crescer eternamente, ou entrará em colapso? Carl Sagan explora o tempo desde a formação das estrelas e galáxias e nos mostra como os humanos descobriram a expansão do universo. Viajamos para a Índia, onde uma cerimônia milenar celebra os ciclos da vida. Assim como a ciência moderna, a mitologia hindu fala de um universo com bilhões de anos de existência e a possibilidade de ciclos infinitos de morte e renascimento. Mundos de duas e quatro dimensões são explorados pelo Dr. Sagan, que também nos apresenta um conjunto de telescópios, no Novo México, capaz de visualizar os lugares mais distantes do Cosmos, em uma busca incansável pelos limites da existência.

Episódio 11: A Persistência da Memória

O cérebro humano é o ponto de partida de todas as nossas viagens cósmicas. Cal Sagan nos transporta para uma embarcação de pesquisa oceânica, para conhecermos melhor uma as formas de vida inteligente com a qual dividimos nosso planeta: as baleias. Depois, nos convida a passear pelo cérebro humano e testemunhar a arquitetura do pensamento. Dr. Sagan entra na “biblioteca” do cérebro, onde trilhões de informações são armazenadas. Parte desse conteúdo, além das informações dos nossos genes e de milhares de livros foram lançadas ao espaço a bordo da nave Voyager – uma “mensagem na garrafa” destinada a seres de outras eras … e de outros mundos.

Episódio 12: Enciclopédia Galáxica

Os Objetos Voadores Não Identificados são para muitos motivo de piada. De fato não existem provas físicas que confirmem sua existência. Carl Sagan faz uma análise dos relatos que se tem de visitantes extraterrestres. A seguir vai até o Egito recriar a pedra Rosetta, marco histórico que permitiu a Jean François Champollion decifrar hieróglifos da civilização antiga dando, assim, à ciência seu conteúdo. Ainda na sua “espaçonave” tão somente orientada pela imaginação, mensagens de civilizações alienígenas são captadas pelo maior telescópio do mundo e receptadas em rádios.

Episódio 13: Qual o Futuro da Terra?

A insanidade da corrida pelo armamento nuclear aumenta a necessidade da criação de alguma perspectiva para os planetas. Se no passado guerreamos uns com os outros, sem levar em contas aspectos culturais e humanos como valiosos; atualmente a aproximação global da comunidade requer um outro posicionamento. Ao mesmo tempo, os mecanismos de destruição criados pela humanidade são capazes de aniquilar as espécies e a promessa de desenvolvimento científico foi interrompida quando, no século V, aniquilou-se a biblioteca de Alexandria. A trajetória de quinze bilhões de anos é aqui novamente traçada até o presente, e o Planeta Terra apresenta a triste estatística de sessenta mil armas nucleares. O doutor Sagan acredita que nossa sobrevivência é um débito que temos para conosco, para com nossos ancestrais e descendentes, e com o Cosmos onde tudo começou.

Créditos: http://www.carlsagan.com/

 

https://www.youtube.com/user/CarlSaganPTBR

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cosmos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Sagan

 

http://www.documentarios.org/serie/detalhar/26/serie_cosmos

 

http://www.aeroespacial.org.br/educacao/documentarios.php

Conheça o ambicioso projeto Skylon

A agência espacial europeia está investindo pesado em uma nova tecnologia de motores e aeronaves chama Skylon. Utilizando motores revolucionários de múltipla combustão cujo principal componente é o Hidrogênio, e fazendo uso de novos materiais na construção de veículos espaciais de um único estágio.

A Skylon possui motores de Sabre, uma espécie de foguete que queima hidrogênio e oxigênio para fazer com que ela possa voar. O único porém é que em baixas altitudes o oxigênio sai dos motores em vez de permanecer. Para que isso não aconteça, o oxigênio tem de estar a uma temperatura de até cerca de 200 graus abaixo de zero antes de entrar no motor.

Essa foi a parte mais difícil na hora de desenvolver o projeto, mas os projetistas conseguiram encontrar uma maneira de aumentar a temperatura do oxigênio com um sistema complexo de minúsculos tubos de calor. Tudo isso precisa acontecer em 1/100 de um segundo. Como isso é possível? A ESA acredita que a proposta de alimentar o ar que entra através de tubos de troca de calor vai funcionar, então quem somos nós para duvidar?

Imagine poder decolar de uma pista como se estivesse em um avião normal, mas voar tão alto e tão rápido que quando você desencaixar o cinto de segurança, poderá flutuar dentro da cabine. Olhar para fora nas janelas: de um lado estará a escuridão do espaço profundo, enquanto do outro é o azul elétrico de seu planeta natal, a Terra.

Voos espaciais de um único estágio sempre foram um sonho de todo astronauta, mas está se tornando realidade aos poucos. O projeto Skylon tem como objetivo a construção de veículos espaciais reutilizáveis que poderão decolar em pistas normais, ir até o espaço e retornar, sem qualquer perda de componentes como os atuais foguetes e módulos espaciais de múltiplos estágios.

Ao construir aeronaves reutilizáveis, o custo para alcançar a órbita pode ser reduzido a um vigésimo dos custos atuais. Isso faz com que espaçonaves de um único estágio sejam a opção mais viável para o transporte de astronautas ao espaço e para a implantação de satélites e sondas espaciais.

Se tudo correr conforme o previsto, os primeiros voos de teste podem acontecer em 2019, e as espaçonaves Skylon com motores de Sabre – poderiam estar visitando a Estação Espacial Internacional até 2022. Consegue transportar 15 toneladas de carga em cada viagem. Isso é quase o dobro da quantidade de carga que os veículos ATV da Agência Espacial Europeia podem transportar.

Essas espaçonaves não devem ser confundidas com os veículos de turismo espacial como da Virgin Galactic Space Ship Two. A mais alta altitude que este veículo pode chegar é de cerca de 110 km, dando aos passageiros algo em torno de seis minutos de ausência de peso antes de cair de volta para a Terra em pouso controlado.

Embora não haja uma definição específica, o espaço começa em torno de 100 km de altitude. Para ter alguma esperança de ficar em órbita, você teria que atingir o dobro dessa altitude. A Estação Espacial Internacional orbita a 340 quilômetros, enquanto que o Telescópio Espacial Hubble fica a 595 quilômetros de altitude.

Tecnologia do motor Sabre do Skylon

No passado, as tentativas de projetar sistemas de propulsão de fase única não tiveram sucesso, em grande parte devido ao peso de um oxidante embarcado, como oxigênio líquido, necessário para motores de foguetes convencionais. Uma solução possível para reduzir a quantidade de oxidante a bordo foi necessário usar o oxigênio já presente na atmosfera, no processo de combustão tal como um motor a jato normal. Esta redução de peso permitiria a transição de veículos de lançamento multiestágio para veículos de lançamento em fase única.

SABRE é o primeiro motor híbrido a atingir esse objetivo, operando em dois modos de foguetes: inicialmente repira o ar atmosférico; e posteriormente, no modo de foguete convencional.
Modo respiro de ar – o motor de foguete suga o ar atmosférico como fonte de oxigênio (como em um motor a jato típico) para misturar com o seu combustível de hidrogênio líquido na câmara de combustão do foguete.
Modo foguete convencional – o motor está acima da atmosfera que não tem ar e muda para utilizar os tanques de oxigênio líquido convencionais.
Em ambos os modos a pressão é gerada utilizando-se a câmara de combustão do foguete e bicos injetores. Isto é possível através de uma síntese de elementos de foguetes e tecnologia de turbinas a gás.

Evolução do Ciclo Motor SABRE

Motor Sabre
Veja o interior do motor Sabre. (divulgação).

O projeto do SABRE evoluiu de Motores Ciclo líquido-ar (LACE – O ar de entrada é resfriado a temperaturas muito baixas antes de entrar num estatorreator ou num turbojato), que têm uma única câmara de combustão de foguetes com bombas associadas, pré-queimador e bico injetor que são utilizados em ambos os modos. Motores LACE empregam a capacidade de arrefecimento (aquecimento) do combustível de hidrogênio líquido criogênico para liquefazer o ar que entra antes do bombeamento. Infelizmente, a liquefação do ar neste tipo de ciclo de fluxo de combustível requer uma pressão muita elevada.

Estas falhas são evitadas no motor Sabre, que só arrefece (aquece) o ar para o limite de vapor e evita liquefação, reduzindo assim a necessidade de arrefecimento do fluxo de combustível do hidrogênio líquido. Também permite o uso de um compressor turbo relativamente convencional e evita a necessidade de um condensador de ar (trocador de calor).

O motor Sabre é essencialmente um motor de foguete de ciclo fechado, com um pré-arrefecido turbocompressor adicional para proporcionar um fornecimento de ar de alta pressão para a câmara de combustão. Isso permite operação em velocidade zero de avanço na pista a até Mach 5,5 (6732 Km/h) no modo ar – respiração durante a subida. Como a densidade do ar diminui com a altitude, o motor eventualmente muda, para um foguete puro impulsionando seu veículo (o SKYLON) á velocidade orbital (cerca de Mach 25 – 30.600 Km/h).

Fonte: Reaction Engines

Fonte: The Guardian Science

Fonte: Tech Tudo

O maior radiotelescópio do mundo – ALMA – é inaugurado no Chile

O observatório terrestre mais complexo do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), foi inaugurado nesta quarta-feira 13/03/2013. Do local, é possível observar fenômenos como as densas nuvens de pó cósmico e gás onde se formam estrelas e planetas, o que antes era impossível para os cientistas.

As instalações do projeto estão a 5 mil metros de altitude no Planalto de Chajnantor, situado no inóspito Deserto do Atacama, cerca de 1.700 quilômetros ao norte de Santiago. As antenas do ALMA não funcionam como os telescópios ópticos tradicionais. Eles estão desenhados para detectar ondas milimétricas e submilimétricas, aproximadamente mil vezes mais longas que a luz visível, permitindo aos cientistas enxergar coisas antes praticamente invisíveis nos estudos sobre o espaço.

O radiotelescópio terá potência suficiente para detectar frias camadas de pó cósmico – algo muito difícil de ser detectado -, bem como a sua composição química, permitindo que possamos analisar regiões do espaço que contenham material propício à formação da vida. Com suas antenas transportáveis e facilmente reposicionáveis, cujas dimensões são 7 metros de diâmetro (as pequenas) e 12 metros de diâmetro (as grandes). Este projeto é um marco para o estudo da vida em astronomia e astrobiologia atual.

O complexo levou cerca de 10 anos para ficar pronto a um custo aproximado de US$ 1,3 bilhão (R$ 2,5 bilhões).

Veja a localização exata do Alma no Google Maps

Créditos: Efe

Créditos: Nicolas Bustos

Observando o cosmos com super telescópios – BBC HD

 

Observar o cosmos hoje é um prazer cada vez maior, em razão de contarmos com sofisticados aparelhos para ver mais longe e com uma precisão que aumenta proporcionalmente ao avanço acelerado da tecnologia.

Neste documentário da BBC podemos ver como esses aparelhos são contruídos e colocados em operação. Começando com o VLT do Chile localizado a 2600 metros de altitude numa montanha do deserto do Atacama, passando pelo telescópio voador SOFIA e conhecer o projeto dos próximos e mais espetaculares telescópios: detectores de fontes de Raios Cósmicos, Neutrinos, ALMA e James Web.

Fonte: Docspt

 

 

Viagem ao espaço está em oferta no Brasil

Nave Lynx Mark II em ilustração de voo ao espaço

 

O site Clube do Desconto, em parceria com a agência de viagens We Love Travel, oferece o passeio intergalático, com “desconto de 27%”. O pacote inclui, além dos 30 minutos mais caros da sua vida, uma estadia de cinco dias em uma suíte do hotel cinco estrelas Sanctuary Resort, no estado do Arizona, nos EUA, de onde o vôo irá partir. Na nave ficarão apenas o piloto e o passageiro. O interior do veículo é equipado com diversas câmeras, que irão registrar toda a viagem e as acrobacias feitas em um ambiente de quase gravidade zero, que depois serão gravadas em um DVD, dado ao usuário após a aventura.

Mas antes de fazer as malas e partir para o Arizona, saiba que não é tão simples assim. Além (obviamente) do preço, o comprador precisa de passaporte e visto americano e, após testes psicológicos e a assinatura de um acordo de isenção de responsabilidade aqui no Brasil, deverá passar por exames médicos nos EUA, pelo Programa de Qualificação, além de treinamentos e pré-voo. Quem perder a promoção no Clube do Desconto terá de pagar o preço cheio na We Love Travel: 130 mil dólares. Por incrível que pareça, a agência está otimista, afirmando que pretende vender 10 pacotes em até 40 dias.

Porém, existem alguns pontos importantes que precisam ser observados: apesar de constar que a viagem irá acontecer entre fevereiro de março do ano que vem, não é possível ter certeza da data. A XCOR, empresa privada responsável pela nave que fará a viagem, a Lynx Mark II, prevê que o veículo espacial esteja apto a levar passageiros só em 2014. E, paradoxalmente, pode ficar mais barato fazer o passeio pela própria empresa: no site, há uma área para o visitante reservar sua visita à estratosfera, que sai por 95 mil dólares – valor sem hospedagem no luxuoso resort do Arizona.

A We Love Travel também oferece o mesmo pacote do Clube do Desconto, no preço cheio de 130 mil dólares, incluindo a estadia de cinco dias no Arizona e, claro, os 30 minutos espaciais. Até o fechamento da reportagem, nenhuma venda tinha sido concluída no site de descontos, assim como na agência de viagens, que recebeu uma grande quantidade de ligações a respeito da veracidade da oferta. Um último ponto interessante: nos pacotes estão inclusas uma viagem para fora da Terra e uma estadia de cinco dias num belíssimo hotel, mas a passagem de avião até o Arizona, bem, fica a cargo do comprador.

Fonte:PC World Brasil

Ônibus espacial Endeavour fará última missão em abril

 

Ônibus espacial Eandeavou é posicionado para o seu último lançamento

A Nasa moveu o ônibus espacial Endeavour para a plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na noite de quinta-feira, 10. O lançamento do ônibus está previsto para o dia 19 de abril. Esta será a última missão desta nave, que será aposentada após a viagem, e o penúltimo lançamento de um ônibus espacial da agência
norte-americana.

Ônibus espacial Atlantis também será aposentado

A expectativa é de que mais um ônibus espacial, o Atlantis, se despeça do espaço em junho ou pouco depois, fazendo deste um ano de aposentadorias, já que este mês o Discovery também realizou sua última missão.

O plano da Nasa depois do fim do programa de ônibus espaciais é fazer com que os astronautas americanos sejam transportados até a Estação Espacial Internacional por meio da nave Soyuz, da Rússia, talvez até a metade da atual década. Depois, a Nasa deve começar a usar os serviços de companhias privadas nas suas viagens para o espaço.

Fonte: BBC

SpaceX – a primeira Nave privada de transporte espacial faz seu primeiro voo com sucesso

Lançamento nos EUA: o Falcon 9 (foto) partiu da base da Nasa, de Cabo Canaveral

Próximas viagens ainda serão feitas sem tripulação, mas cápsula está preparada para levar até sete pessoas.

Na quarta-feira dia 08/12/2010, pela primeira vez, uma espaçonave comercial entrou em órbita e retornou suavemente à Terra. O voo, conduzido pela Space Exploration Technologies Corp., ou SpaceX, foi impecável, desde o lançamento de seu foguete Falcon 9, com uma cápsula Dragon no topo, às 13h43 (de Brasília), do Cabo Canaveral, até a descida da Dragon no Oceano Pacífico 3 horas, 19 minutos e 52 segundos depois. Foi um atraso de apenas 52 segundos em relação ao previsto pela SpaceX.

Durante a entrevista coletiva que ocorreu depois, Elon Musk, fundador da SpaceX e seu principal executivo, cuja desmedida confiança pode beirar a arrogância, se afobou ao falar que funcionou como previsto. “Na verdade, é quase bom demais”, disse Musk. “Não tivemos de usar os sistemas de segurança em nenhum momento. Estou em estado de semi-choque. É difícil ser articulado com a mente pegando fogo.”

Passeio agradável — A missão foi a primeira demonstração para a Nasa da nave espacial projetada para transportar carga e, talvez, astronautas à Estação Espacial Internacional.

Capsula Dragon

Musk afirmou que o SpaceX estava em boa situação para conquistar pelo menos parte do negócio de transporte de astronautas. A Dragon já tem uma cabine pressurizada e foi projetada, desde o princípio, com a intenção de levar pessoas. “Se tivéssemos pessoas sentadas na cápsula Dragon, elas teriam feito um passeio muito agradável”, disse ele.

Façanha — Nove minutos e meio depois do lançamento de quarta-feira, a cápsula Dragon destacou-se do segundo estágio do Falcon 9. A cápsula circundou a Terra duas vezes a uma altitude de 300 quilômetros antes de reentrar na atmosfera. Com ajuda de paraquedas, a nave desacelerou suavemente até pousar a cerca de 800 quilômetros da costa mexicana.

A façanha impressionou Joseph Fragola, especialista em segurança de naves espaciais, que não tinha certeza de que lançamentos comerciais pudessem atender aos mesmos padrões da Nasa.

“Eu esperava pelo menos algumas anomalias, mas até agora parece não ter ocorrido nenhuma”, disse Fragola sobre o voo da quarta-feira. “Isso foi uma surpresa, dado o desafio do plano de voo.”

Durante o voo, a SpaceX anunciou que o Falcon 9 também levou para o espaço oito pequenos satélites, incluindo um do Exército para testar novas tecnologias de comunicação.

Visita à ISS — Um segundo voo de demonstração, que vai passar perto da Estação Espacial, mas sem acoplar, está agendado para a próxima primavera. Um terceiro e último voo de demonstração vai conectar a cápsula à estação.

Com o sucesso do primeiro voo, disse Musk, a SpaceX espera combinar os dois próximos lançamentos. Uma vez completa a fase de demonstração, a SpaceX começará com os voos de carga.

No final da entrevista coletiva, Musk recuperou parte de sua bravata habitual, arriscando que a Dragon também poderá ser utilizado em missões no espaço profundo. Um renovado programa espacial da Nasa, que irá valer a partir do ano que vem, vai trabalhar numa maior e muito mais cara cápsula tripulada Orion e na continuação do desenvolvimento de um foguete de carga para chegar à Lua, a um asteróide ou além. “A Dragon tem mais capacidade que a Orion”, disse Musk. “Basicamente, qualquer coisa que a Orion possa fazer, a Dragon também pode.”

Contrato bilionário — A SpaceX tem um contrato de 1,6 bilhão de dólares para 12 voos de carga e suprimentos para a Estação Espacial. O programa começou em 2006. Com o iminente cancelamento do foguete Ares I, da Nasa, que levaria astronautas para a estação, a agência espacial busca companhias privadas para prestar serviços de transporte dos astronautas.

O sucesso do voo de demonstração “reforça o que o presidente estabeleceu e o Congresso endossou para o futuro do transporte espacial”, disse Lori Garver, administrador-adjunto da Nasa. “Isso realmente valida o caminho que trilhamos.”

Quem é Elon Musk?

Elon Musk

Há oito anos, o empresário Elon Musk havia acabado de vender sua segunda e bem sucedida companhia de tecnologia, tinha US$ 200 milhões na conta e, com apenas 31 anos de idade, a vida inteira pela frente. Poderia muito bem ter se aposentado e dedicado seus dias a gastar a fortuna acumulada. Mas Elon Musk, que nasceu na África do Sul e se radicou nos Estados Unidos, tinha planos mais ambiciosos. Ele queria salvar o mundo, convencendo a nação que mais consome petróleo no planeta a adotar energias renováveis.

O primeiro passo de Musk foi abrir seus cofres e injetar milhões de dólares na criação da Tesla Motors, especializada em carros elétricos de luxo, em 2004. Um ano depois, deu início à SolarCity, um negócio de instalação de painéis solares, em todo os EUA. E talvez prevendo que no futuro a única saída seja mesmo mudar de planeta, fundou uma empresa para fabricar foguetes espaciais reaproveitáveis. Hoje, é o presidente da única companhia privada do mundo que conseguiu colocar um foguete impulsionado por combustível líquido em órbita: a Space Exploration Technologies, ou Space X.

Os feitos de Musk, jovem, empreendedor, sempre bem alinhado, foram a inspiração que Jon Favreau, diretor dos filmes Homem de Ferro 1 e 2, precisava para caracterizar o protagonista Tony Stark, um biolionário aventureiro interpretado no cinema pelo ator Robert Downey Jr. Jogador de vídeo game e surfista nas horas vagas, Elon Musk chega a trabalhar em média 100 horas por semana. O aniversário dele foi há duas semanas. O melhor presente que ganhou? Tempo. Passou a última semana em Búzios, no Rio de Janeiro, para visitar um primo que é casado com uma brasileira — em uma das raras vezes que tirou uma folga. Musk possui cinco filhos com a ex-mulher, a escritora canadense Justine Musk, e está noivo da atriz inglesa Talulah Riley, 25 anos.

De volta ao trabalho, além da pretensão de mudar os hábitos de uma civilização dependente de combustível fóssil, Musk está gastando milhões do próprio bolso para garantir que, em breve, os terráqueos possam viver em outros planetas. Enquanto as previsões mais otimistas da NASA indiquem que só iremos lançar uma missão tripulada para Marte daqui a 30 anos, Musk diz realizar a façanha em dez. “Trinta anos é uma eternidade”, afirmou, em entrevista à VEJA.com. Suas declarações não são vazias. A Space X, que tem apenas sete anos de vida, já conseguiu um contrato para transportar carga da NASA para, pelo menos, 13 voos futuros ao espaço — utilizando um foguete construído do zero, com tecnologia 100% original.

Por que a humanidade está demorando tanto para adotar fontes de energia renováveis?

Acho que estamos indo nessa direção. Acontece que o petróleo é muito fácil. É como se tivéssemos recebido uma herança de algum tio rico. É mais fácil do que trabalhar. Como somos muito preguiçosos, é mais fácil manter a tecnologia atual e fazer a mudança apenas quando realmente tivermos a necessidade. Ou seja, até que o dinheiro do nosso tio acabe. É isso que estamos tentando fazer com a Tesla Motors — acelerar as coisas para que esse progresso ocorra mais rápido do que se imaginava.

Mas a Tesla Motors não conseguiu lucrar um centavo desde a sua inauguração em 2003…
Bom, tecnicamente tivemos lucro no mês de julho do ano passado, mas não nos quatro primeiros meses. A razão pela qual Tesla não é lucrativa é que estamos crescendo muito rápido. Estamos planejando aumentar nossa produção em 4000%. É muito difícil se manter lucrativo quando se tem esse tipo de crescimento. Se as nossas atividades estivessem restritas apenas à venda do nosso carro esportivo, o Roadster, e à venda de componentes automotivos para a Toyota, seríamos lucrativos. Mas a empresa está gastando muito em pesquisa e desenvolvimento do modelo sedã, que será mais barato. Quantas empresas estão crescendo a 4000% em 2 ou 3 anos? Quase nenhuma.

Por que é tão difícil fazer carros elétricos populares?

Existem duas coisas importantes que é preciso saber para fazer uma nova tecnologia acessível. A primeira é que é preciso otimizá-la. Normalmente ela precisa passar por três grandes versões antes de ficar pronta para o mercado. A primeira versão é fazer a tecnologia funcionar de fato. A segunda é levar o projeto adiante otimizando o custo, e só na terceira é que as coisas são refinadas. E a segunda coisa que precisamos para fazer uma tecnologia acessível é a economia de escala. Ou seja, fazer 100.000 unidades de uma coisa é muito mais barato do que fazer 1.000 unidades. Essa é a estratégia da Tesla. Começamos com um carro caro e com poucas unidades. Entendemos a tecnologia e o que os clientes querem. A partir daí, ganhamos o direito de levantar mais capital para chegarmos no segundo estágio, que é um carro mais barato, com uma produção maior — o modelo sedã. E o próximo passo é avançar mais ainda desenvolvendo um veículo barato com produção em massa.

Os carros elétricos não poluem mas precisam da eletricidade, que muitas vezes é gerada por fontes poluentes. Como resolver esse problema e deixar o sistema 100% limpo?

Primeiro, em termos de economia, a energia eólica é competitiva com a termoelétrica em algumas situações. Mas o problema é que a eólica só é eficiente em certas localidades. Na minha opinião a energia solar vai fazer a maior parte do trabalho pesado. Faz sentido, uma vez que o mundo já é abastecido pelo sol. Não pela eletricidade, mas se pensar que o sistema climático da Terra é completamente abastecido pelo Sol, as coisas começam a fazer sentido. O Sol é única razão pela qual a Terra não é uma bola de gelo. Esqueça a pequena quantidade de energia que a humanidade consome. A maioria da energia que existe disponível abastece o ecossistema e o sistema climático da Terra. A vida depende de energia solar. Existe sim, uma quantidade ínfima de energia que utilizamos, que na verdade é energia solar acumulada. Se você pensar nos dinossauros e nas plantas que morreram, fossilizaram e transformaram-se em petróleo ou até mesmo no carvão, trata-se de energia solar acumulada através das eras. O que estou tentando dizer é que a quantidade de energia elétrica que a humanidade consome é insignificante perto do que a natureza consome.

Então por que não captamos essa energia e a transformamos em eletricidade em larga escala?

Isso irá acontecer em breve, particularmente nos EUA e na Europa. A energia solar está crescendo em um passo incrivelmente rápido — atualmente, 100% por ano. As coisas estão mudando, com certeza. Mas, precisamos modificar uma infraestrutura gigantesca e isso vai tomar muito tempo. Para se ter uma ideia: Se pegarmos um pedaço de terra nos Estados Unidos semelhante a um quadrado com 128 km de lado, e colocássemos painéis solares por toda a superfície, teríamos energia suficiente para abastecer o país inteiro.

E o custo…

No momento o custo é maior que o do carvão mas ele está caindo rapidamente. É por isso que a energia solar está sendo adotada tão rápido. Dependendo da região a eletricidade custa mais caro. Depende do tipo de geração — termoelétrica, nuclear, hidrelétrica — e o quão longe se está das usinas.

Para algumas pessoas o gasto com pesquisa espacial é uma perda de tempo. Por que é tão importante investir nisso?

Bom, primeiro eu iria fazer a seguinte pergunta: “Você gosta de futebol? Futebol é uma coisa tão útil assim?” O que quero dizer é que a vida não precisa ser apenas sobre resolver esse ou aquele problema. Sempre haverá problemas no fim das contas. Mas é preciso que exista algo que inspire as pessoas, sabe? Razões que as tirem de suas camas todos os dias. Coisas que façam as pessoas se empolgarem com a vida. Para mim, levar a vida além da Terra, chegar a outros planetas e explorar as estrelas é um futuro muito excitante e inspirador — ao contrário de um que nos prende aqui no planeta. Então, temos que ter em mente como as viagens à Lua foram inspiradoras. Foi algo fantástico mesmo sabendo que, de fato, apenas alguns pousaram na Lua. Eu nem tinha nascido quando isso aconteceu mas isso nos faz sentir felizes por sermos seres humanos! É por causa disso que grandes empreitadas existem — elas inspiram as pessoas e dão a elas uma razão para viver. É como o futebol; os torcedores não jogam as partidas, mas eles participam delas porque se alegram no processo.

E por que é tão caro para a NASA ir ao espaço, mas não tanto para sua empresa?

A tecnologia ficou estagnada por muito tempo. Sério, dê uma olhada no ônibus espacial da NASA — aquilo foi desenvolvido nos anos 70! E não fizeram nenhuma melhora significativa nele nos últimos 40 anos. Então, é óbvio que é possível melhorar já que não existia nenhuma espaçonave sendo desenvolvida nos dias de hoje. O que precisávamos era desenvolver uma espaçonave com tecnologia, ferramentas e materiais do século 21. E também, concentrar esforços em realizar grandes avanços, não apenas pequenas melhoras. E o grande avanço é criar um sistema espacial reutilizável. Se você pegar o ônibus espacial da NASA, por exemplo, o tanque de combustível principal precisa ser jogado fora toda vez que uma missão acontece. Então, no fim das contas, o programa de viagens da NASA acaba custando mais do que o nosso foguete.

E quando iremos conseguir um sistema espacial reutilizável?

É um objetivo muito difícil de ser alcançado porque a gravidade da Terra é muito forte. Então, quando tentamos fazer algum componente reutilizável, temos que adicionar mais peso ao foguete. Daí, o desafio é que você precisa colocar todo esse peso em órbita. E isso é um tremendo problema técnico que estamos tentando resolver na Space X — basicamente, inventar o primeiro foguete reutilizável. Não estou dizendo que vamos conseguir porque é um problema super difícil de resolver, mas vamos tentar.

Você tinha um projeto chamado Mars Oasis, que pretendia plantar grãos em uma estufa em Marte. Mas, por causa dos custos, acabou desistindo da idéia e resolveu, em vez disso, criar a Space X. Daqui a quanto tempo você pretende retomar o Mars Oasis?

Com certeza ainda estamos longe. No momento, não existe nenhum foguete capaz de chegar a Marte saindo da Terra — seja o preço que for — levando tripulantes. É possível enviar pequenas sondas, mas nada que chegue perto do tamanho capaz de levar seres humanos. Então, em primeiro lugar, temos que desenvolver alguma coisa grande o suficiente para levar o homem a Marte. Depois disso, podemos dizer “Ok, não queremos ir até lá só uma vez — queremos levar milhares de pessoas e toneladas de equipamento para lá para criar uma base sustentável em Marte”. A partir daí teremos que condicionar nosso trabalho em largas escalas e isso é muito difícil.

E depois de Marte, para onde iremos?

Chegar em Marte é o princípio do começo. É como se Cristóvão Colombo estivesse chegando à América. Ou seja, demorou muito tempo até que cidades fossem construídas, não é mesmo? Então, vamos precisar de milhares de viagens, pessoas e toneladas de equipamento. Começar é uma coisa. Tornar-se um projeto autossustentável é outra completamente diferente que pode levar até o fim do século para acontecer.

Você já disse que investir em Marte é mais importante do que em cosméticos. Por quê?

Eu gosto muito de cosméticos, não me entenda mal. Só estou dizendo que devemos considerar a quantidade certa de dinheiro que devemos investir na transformação para uma civilização multiplanetária. É algo muito importante, sabe? É a primeira vez na história da vida que podemos ampliá-la para além da Terra. Quem sabe quanto tempo essa janela ficará aberta? Sou bastante otimista com relação a Terra, mas é totalmente possível que algo terrível aconteça e acabe com a vida em nosso planeta. Então, temos que agir razoavelmente rápido enquanto pudermos e enquanto essa janela está aberta. Provavelmente deveríamos gastar mais dinheiro nisso do que, por exemplo, em batons. Não estou dizendo que deveríamos gastar o mesmo tanto que investimos em saúde e outras coisas importantes para a vida das pessoas. Mas, acho que deveríamos gastar algo em torno de 0,5% da nossa economia nisso — parece ser uma quantia razoável.

Como você enxerga o mundo daqui a 40 anos?

Ainda estaremos tentando estabelecer a humanidade como uma civilização sustentável em Marte para daí nos tornarmos uma sociedade verdadeiramente multiplanetária. Com certeza também haverá a questão sobre como faremos a transição para transporte e produção de energia sustentáveis. Talvez todos esses problemas já estejam resolvidos até lá. Acho que estaremos em um lugar muito bonito de se viver.

Fonte: Veja