The Future of Humanity (O futuro da Humanidade) – Com Yuval Noah Harari

Obs: caso a legenda em português não apareça, clique no ícone legenda na área inferior do vídeo para ativá-la, em seguida clique na engrenagem: escolha a opção Legendas e Português(Brasil).

Ao longo da história houve muitas revoluções: na tecnologia, economia, sociedade, política. Mas uma coisa sempre permaneceu constante: a própria humanidade. Ainda temos os mesmos corpos, cérebros e as mesmas mentes que nossos antepassados na China antiga ou na Idade da Pedra. Nossas ferramentas e instituições são muito diferentes das do tempo de Confúcio, mas as estruturas profundas do corpo humano e da mente permanecem as mesmas. No entanto, a próxima grande revolução da história mudará isso. No século XXI, haverá constantes inovações na tecnologia, economia, política. Mas, pela primeira vez na história, a própria humanidade também sofrerá uma revolução radical, não somente em nossa sociedade e economia, mas nossos corpos e mentes serão transformados por novas tecnologias como engenharia genética, nanotecnologia, realidade virtual, realidade expandida e interfaces cérebro-computador. Yuval Noah Harari tem um doutorado em História pela Universidade de Oxford e agora leciona no Departamento de História na Universidade Hebraica em Jerusalém, especializada em História Mundial. Autor do livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, publicada em 2014, ficou na lista de best-sellers do Sunday Times por mais de seis meses em brochura, foi um dos mais vendidos do New York Times e publicado em quase 40 idiomas no planeta.

Comentários sobre o autor e seus livros no Blog: Fernando Nogueira Costa.

Fontes: The Royal Institution

Como atingir a razão esclarecida sobre nossas crenças, valores e interpretações da realidade!

A interpretação dada pelas religiões ao cosmos, sem exceções, está equivocada. Este equívoco é a tentativa de apresentar um subterfúgio (fé?!), via imposição de uma fonte geradora de salvação (ficção – não realidade) ou salvador (fictício – irreal), cuja finalidade é induzir ao pensamento humano algo além da compreensão. Esse além (absurdo) é exatamente aonde o conhecimento não chegou, uma metafísica. Consulte Bem fundado!

Até mesmo dentro da física encontramos limites que não podem ser excedidos, ex: não sabemos o que há dentro dos buracos negros, não sabemos como é a física no interior de uma singularidade. A metafísica tenta explicar o que nem mesmo a física consegue, neste caso, é fácil cair nos paradoxos; entretanto, não significa que nosso pensamento esteja limitado, não está, o limite aqui é puramente interpretativo.

E se perguntarmos o que é o conhecimento? É a aproximação de nossas crenças, conceitos e proposições justificadas com as razões sobre o mundo ao nosso redor! Consulte: qual a origem do conhecimento.

{RC}

Neste momento chegamos na { } origem de nossas dúvidas com relação ao que pode ser conhecido. No substantivo conhecimento temos dois elementos básicos: o sujeito (cognoscente) e o objeto (cognoscível); o cognoscente é o indivíduo capaz de adquirir conhecimento ou possui a capacidade de conhecer, o cognoscível é o que se pode conhecer.

E o que é uma verdade? É a junção de nossas crenças, proposições, opiniões, etc, com a realidade! Uma verdade é uma justificativa aceitável, uma prova, razão, como síntese podemos chamar de existência.

E ao perguntarmos: existe uma verdade absoluta, superior? A resposta é não! Não existe! É uma falácia; a razão é simples: existem conjugados verdadeiro/falso atribuídos a todos os existenciais.

Usamos a hermenêutica para interpretar/qualificar (múltiplas versões) do mundo ao nosso redor, mas é com o auxílio da episteme (conhecimento da natureza), que torna-se possível a compreensão elaborada das coisas. Para ir ao fundo, precisamos saber que a distinção: “a priori/a posteriori é epistemológica”, “analítica/sintética” é linguística e “necessário/contingente” é metafísica. Estas são as proposições apresentadas, vamos colocá-las em confronto com as religiões.

As religiões afirmam: existe uma verdade absoluta = Deus!

Afirmam que o cosmos teve origem ou princípio nessa ideia – afirmam ainda – essa verdade absoluta pode ser atingida lendo um livro chamado bíblia, por meio da fé (vendar os olhos e seguir o rumo dos acontecimentos). O que todas as religiões e seus praticantes não sabem é que a base desse conhecimento é apenas hermenêutica (versões da mesma interpretação – certo/errado, bem/mal, verdadeiro/falso), proposições cujas fontes ou origens são redundantes ou arbitrárias.

Mas isso é um equívoco monumental, é impossível existir uma verdade que se sobreponha em todas as outras – não há verdade máxima, nem verdade absoluta – por conseguinte, é impossível chegar a uma conclusão da existência de Deus!

No confronto do que sabemos ou podemos aprender, obtemos múltiplas respostas, múltiplas afirmações/negações = múltiplas interpretações!

Deus é uma ideia que foi posta em um livro: a bíblia e depois abduzida (imposta) na memória das pessoas no decorrer de milênios, cujo objetivo é induzir afirmações equivocadas a partir apenas de uma ideia (redundância/tautologia), na tentativa de conduzir às pessoas para uma condição moral arbitrária (servindo como fundamento para castas manterem a dominação sobre os menos favorecidos, ex: igrejas, seitas, credos, culturas, etc.) e contrárias à razão esclarecida. Como não existe uma verdade absoluta, o resultado é um inexistente =Sic: O fim das crenças em inexistentes é inevitável – redundante e sem meios de evoluir para uma condição posterior e natural, isso causa abusos doutrinários/opressores sobre aqueles cuja educação não foi capaz o suficiente de torná-los imunes a essa pseudoverdade! Escrevi uma fórmula para anular essa ideia e voltar o pensamento ao estado puro e livre: {Deus=Null ou Deus=} uma fórmula básica cujo objetivo é limpar a memória desse vírus que gera redundância, sofrimento, ignorância nas pessoas menos esclarecidas. Acesse: xeque mate nas crenças em inexistentes.

Referências: Wikipedia, dicionário online português

Métodos de Análise Econômica 2016

Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais. Conhecimento de fontes de informações e uso de banco de dados. Busca da simplicidade em complexidade de grandes planilhas Excel. Apresentação em PowerPoint dos resultados de pesquisas empíricas: organização conceitual de dados e informações….

Blog Cidadania & Cultura

UnicampUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Instituto de Economia

CE-542 – MÉTODOS DE ANÁLISE ECONÔMICA V

2º semestre de 2016

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Ementa: Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais. Conhecimento de fontes de informações e uso de banco de dados. Busca da simplicidade em complexidade de grandes planilhas Excel. Apresentação em PowerPoint dos resultados de pesquisas empíricas: organização conceitual de dados e informações.

Horário: segunda-feira e quarta-feira no mesmo horário (8:00-10:00). Reservada a Sala IE-12.

Bibliografia:

Fernando Nogueira da Costa – Ensino e Pesquisa em Economia

TDIE 261 Economia Interdisciplinar

TDIE 263 Arte da Economia

Fernando Nogueira da Costa – Formação do Economista no Brasil Contemporâneo

Programa:

PARTE I: MÉTODOS E INSTRUMENTOS DE ANÁLISE DE CONJUNTURA ECONÔMICA

Ver o post original 1.740 mais palavras

Requiem for the American Dream (O fim do sonho americano) – Noam Chomsky

Neste importante documentário apresentado por um dos mais aclamados intelectuais de nosso tempo “Noam Chomsky“, relata como a riqueza e influência se concentraram nas mãos de poucos nos Estados Unidos. (Legenda: Português).

Obs: também pode ser assistido no Netflix.

OS DEZ PRINCÍPIOS DA CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZA E PODER

  1. Reduzir a Democracia
  2. Moldar a ideologia
  3. Redesenhar a economia
  4. Deslocar o fardo de sustentar a sociedade para os pobres e classe média
  5. Atacar a solidariedade
  6. Controlar os reguladores
  7. Controlar as eleições
  8. Manter a ralé na linha
  9. Fabricar consensos e criar consumidores
  10. Marginalizar a população

Créditos: Vimeo

Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos – Jaime Campos Ferreira

Capa - Elementos de lógica matemática e teoria dos conjuntos - Jaime Campos Ferreira
Clique na imagem para Ler/Baixar o Livro em PDF (divulgação).

Considero a lógica o assunto mais importante no campo da matemática, com ela refinamos nosso pensamento e alinhamos o entendimento para assuntos complexos. A lógica é imprescindível em todas as etapas de estudo, deveria receber mais atenção nas diversas fases de nossa aprendizagem.

Elementos de lógica matemática

Para melhor compreender as definições e teoremas que constituem as teorias Matemáticas cujo estudo vamos iniciar, é indispensável habituarmo-nos a usar uma linguagem mais precisa e rigorosa do que a que se utiliza, em geral, na vida corrente. A aquisição desse hábito pode ser facilitada pelo conhecimento de algumas noções e símbolos da Lógica Matemática, estudada neste livro, de forma muito resumida e largamente baseada na intuição. Convém, no entanto, observar que a Lógica Matemática tem hoje aplicações concretas extremamente importantes, em diversos domínios; uma das mais notáveis é, sem dúvida, a sua utilização no planeamento dos modernos computadores quânticos, tabletes e, principalmente os ditos “telefones inteligentes – Smartphones”.

Autor: Jaime Campos Ferreira

Fonte: IST

Fazer bem feito: valores em educação profissional e tecnológica

Fazer bem feito
Clique na foto para ler o Livro em PDF. (Divulgação).

O estudo “Fazer bem feito: – valores em educação profissional e tecnológica” emerge da preocupação em relação ao aumento do acesso à educação – que ainda é um grande desafio – e à melhoria da qualidade e da relevância da educação, com a devida ênfase na importância de valores, atitudes e habilidades que promovam o respeito mútuo e o desenvolvimento dos seres humanos em sua totalidade. Dedicado particularmente ao contexto da educação profissional, o estudo realizado no Brasil identifica o conflito que a área enfrenta com a dissociação entre prática e valores, e aponta para a necessidade de reposicionar a ética, a axiologia e a estética nesse campo educacional.

O postulado do estudo reafirma que o desenvolvimento tem por objeto a realização completa dos seres humanos em toda a riqueza e a complexidade de suas expressões e seus engajamentos: indivíduo, membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e protetor. Assim, quando a comunidade educativa é convidada a dar passos para a promoção da paz, do bem-estar, da prosperidade e da sustentabilidade, espera-se que esta nova publicação forneça a necessária clareza conceitual para redimensionar o trabalho como uma atividade humana que, além de ser forma de produção de bens, é também forma de produção da existência da humanidade. O cenário do estudo sugere a necessidade de tratar os valores do trabalho nas iniciativas de educação profissional e tecnológica em direção ao conceito de aprender a ser. Para se fazer isso, é necessário examinar as dinâmicas dos valores no trabalho e como eles podem ser tratados na educação profissional e tecnológica.

Autor: Barato, Jarbas Novelino

Brasília: UNESCO no Brasil, 2015. 192 p. ISBN: 978-85-7652-201-0

Escolas Religiosas são uma Ameaça? Richard Dawkins.

A resposta é sim! Em pleno século XXI usar a fé como educação é extremamente nocivo para nossas crianças que serão doutrinadas e forçadas a adquirir uma visão de mundo completamente equivocada e contrária ao que elas estarão vivenciando. Não há mais tempo a perder com crenças em entidades inexistentes como “Deus”, um completo vazio conceitual.

Se prestarmos atenção ao mundo hoje notamos que o progresso já chegou em níveis astronômicos, graças à ciência e não à fé das pessoas. A fé é um componente que precisa ficar no campo pessoal e restrito, caso contrário, teremos cidadãos atormentados e incapazes em um mundo dominado pela ciência e tecnologia.

Acompanhe no vídeo, principalmente a partir dos 23 minutos, quando Dawkins pergunta para um grupo de alunas se sabem que somos descendentes diretos de um ancestral do macaco? Fica claro que a fé se sobrepõe aos fatos científicos.

Créditos: RevCien – Revolução Científica

Vestibular1 – o site completo e gratuito para seus estudos

VestibularVestibular1 é um tradicional site de vestibular no Brasil e em países de língua portuguesa de apoio ao exame ou prova aplicados pelas universidades e faculdades brasileiras a fim de selecionar candidatos às vagas por elas oferecidas, possibilitando o acesso destes ao ensino superior, ou concursos públicos.

Na Internet desde 2000, o Vestibular1 apresenta um elevado índice de aprovação entre seus alunos ou usuários. Em média, 7% dos cadastrados no Vestibular1 ingressam nas principais universidades do País. E cerca de 10% dos alunos que utilizam o serviço, conseguem vagas em instituições públicas ou bolsa em faculdades particulares, principalmente pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) e ENEM (Exame nacional do ensino médio). Traz informações sobre os vestibulares e formas alternativas de seleção para o ingresso, tais como o PEIES (Programa de Ingresso ao Ensino Superior), PAS (Programa de Avaliação Seriada). O site contém uma série de artigos temáticos para a reflexão sobre o vestibular bem como dicas de um estudo orientado, visando a automotivação dos vestibulandos e estudantes em geral para seu desenvolvimento e para organizarem-se melhor nos estudos. No site surgem muitas oportunidades para o crescimento educacional, social e emocional do aluno. Os apoiadores trabalham o máximo que podem – devido ao grau elevado de concorrência – a criatividade de seus usuários para que possam estar aptos a disputar vestibulares, provas, exames, processos seletivos, concursos entre outras situações da vida estudantil.

Vestibular1.com.br ajuda seus usuários a se informar, se preparar e se comunicar de forma clara, efetiva e organizada – com qualidade sobre todo processo seletivo. Apoia o desenvolvimento social, cultural e educativo que incorpora adolescentes, professores, estudantes da terceira idade e principalmente jovens de baixa renda egressos do médio regular ou supletivo das escolas públicas e particulares. Todas as sessões são abertas a todos e gratuitas.

Créditos: www.vestibular1.com.br

Mudando Paradigmas na Educação (dublado) – RSAnimate

Animação criativa da RSAnimate mostrando as divergências educacionais vividas pelos sistemas de educação públicos e privados do cotidiano. Hoje vivemos uma realidade totalmente tecnológica que não espero pela nossa aprendizagem ou adaptação a ela. Assista a animação e veja o que realmente ocorre com os nossos sistemas educacionais.

Créditos: Alexandre Gomes

O ensino no Brasil está falido há muito tempo

Ser professor no Brasil é considerado uma das piores profissões.

Tenho acompanhado atentamente as estatísticas nacionais e internacionais e os resultados não são nada animadores, diante desses dados podemos concluir que o sistema educacional Brasileiro já faliu há muito tempo. As sequelas dessa falência podem ser vistas no dia a dia das grandes cidades com o aumento da violência e com o desemprego que aos poucos vai se instalando lentamente.

A competitividade do país é outro tópico que nos coloca muito atrás de nossos próprios vizinhos da América do Sul. O único diferencial que podemos contar para continuar sendo a Sexta economia do planeta é a enorme riqueza de nossos recursos naturais, pois se fôssemos contar com o nível educacional do Brasileiro, estaríamos perdidos. Leiam as pesquisas abaixo e chorem à vontade, pois a solução para os problemas educacionais está longe de ser uma realidade.

Brasil fica em penúltimo lugar no quesito educação segundo dados da Economist

O Brasil voltou a fazer feio em avaliações internacionais de educação. Em relatório encomendado pela Pearson Internacional, a Economist Intelligence Unit, braço de pesquisas do grupo Economist, o país ficou em 39º lugar de um total de 40 nações avaliadas. Sem surpresas, Finlândia e Coreia do Sul conquistaram os primeiros lugares. (veja lista abaixo).

O Brasil só ficou à frente de Indonésia, mas atrás de México e Argentina.

O relatório encomendado pela Pearson faz parte do projeto “A curva do aprendizado” e considera os resultados de três testes comparativos: o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, o mais famosos deles), o Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS) e ainda o Tendências no Estudo Internacional de Matemática e Ciência (TIMSS).

A pesquisa chega a algumas conclusões a respeito dos bem sucedidos sistemas educacionais finlandês e sul-coreano.

Embora extremamente diferentes – Coreia do Sul tem currículo rígido com alta carga horária, enquanto Finlândia é conhecida pela liberdade dada ao aluno – há pontos em comum.

“Um elemento é a importância dada ao ensinar e os esforços colocados no treinamento e recrutamento de professores”, diz o relatório. Além disso, o estudo assinala que o alto desempenho está ligado a uma alta cultura educacional, em que a educação chega a ter valor moral.

Posição País Nota (distância da média do grupo)
1 Finlândia 1,26
2 Coreia do Sul 1,23
3 Hong Kong 0,9
4 Japão 0,89
5 Cingapura 0,84
6 Grã-Bretanha 0,6
7 Holanda 0,59
8 Nova Zelândia 0,56
9 Suíça 0,55
10 Canadá 0,54
11 Irlanda 0,53
12 Dinamarca 0,5
13 Austrália 0,46
14 Polônia 0,43
15 Alemanha 0,41
16 Bélgica 0,35
17 Estados Unidos 0,35
18 Hungria 0,33
19 Eslováquia 0,32
20 Rússia 0,26
21 Suécia 0,24
22 República Tcheca 0,2
23 Áustria 0,15
24 Itália 0,14
25 França 0,13
26 Noruega 0,11
27 Portugal 0,01
28 Espanha -0,08
29 Israel -0,15
30 Bulgária -0,23
31 Grécia -0,31
32 Romênia -0,6
33 Chile -0,66
34 Turquia -1,24
35 Argentina -1,41
36 Colômbia -1,46
37 Tailândia -1,46
38 México -1,6
39 Brasil -1,65
40 Indonésia -2,03

Fonte: Exame Abril

Gargalo na sala de aula – Pesquisa Fapesp

FABRÍCIO MARQUES | Edição 200 – Outubro de 2012

A precariedade do ensino de ciências desponta como uma incômoda pedra no meio do caminho do Brasil, num momento em que o país ambiciona internacionalizar sua pesquisa científica e é desafiado a formar recursos humanos qualificados em grande quantidade para acelerar seu crescimento. O obstáculo é tangível na série histórica de resultados do Pisa, sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, exame que testa, a cada três anos, o nível de competência de adolescentes de 15 anos em leitura, matemática e ciências e é aplicado em mais de 60 países. O Brasil participou da prova de 2009 com uma amostra de 20.127 estudantes e obteve uma média de 405 pontos em ciências. O desempenho superou os 390 pontos obtidos no exame de 2006, mas está muito distante do de países desenvolvidos ou mesmo dos emergentes com os quais compete diretamente.

A China, por exemplo, alcançou 575 com um time de estudantes da cidade de Xangai (ver gráfico ao lado). No pelotão do Brasil aparecem países como a Colômbia (402 pontos), a Tunísia (401) e o Cazaquistão (400). “Os alunos brasileiros tiveram um desempenho ruim tanto na parte da prova que avalia conceitos teóricos quanto naquela que exige a solução de problemas concretos”, observa a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, que entre 1995 e 2002 foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação e coordenou a entrada do Brasil no Pisa em 2000.

O Pisa divide os alunos em seis categorias: do nível 1, no qual os jovens só conseguem apresentar explicações científicas que sejam óbvias, até o nível 6, no qual já conseguem demonstrar capacidade consistente de raciocinar de uma forma cientificamente avançada. A situação do Brasil nessa escala é desalentadora. A maioria (83%) da amostra brasileira situou-se até o nível 2. Significa que só possuem conhecimentos para dar explicações em contextos familiares e tirar conclusões baseadas em pesquisas simples.

Os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as economias mais avançadas do planeta e criou o Pisa, obtiveram desempenho bastante superior: mais da metade dos alunos situava-se entre os níveis 3 e 4, sinal de que são capazes de refletir e tomar decisões usando evidências científicas além de interpretar e usar conhecimentos científicos de várias disciplinas. Menos de 4% dos alunos brasileiros estavam acima do nível 4 da prova de ciências (no nível 6, o mais alto, o resultado brasileiro foi de 0%). É com esse contingente, formado pela elite dos estudantes, que o país conta para criar as futuras gerações de pesquisadores. Outras nações dispõem de um contingente bem maior para cumprir essa missão. Na Coreia, mais de 40% dos alunos estão acima do nível 4. “Os países com melhor desempenho fazem uma boa gestão dos recursos disponíveis e valorizam a carreira docente. São premissas que o Brasil tem de seguir para melhorar”, diz o físico Marcelo Knobel, pró-reitor de Graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Num artigo publicado em parceria com Fernando Paixão na Folha de S. Paulo, Knobel chegou a conclusões muito semelhantes relacionando o baixo desempenho dos alunos na prova de matemática do Pisa com a escassez de engenheiros.

Há experiências bem-sucedidas para melhorar a educação científica no Brasil. Em muitos casos, baseiam-se em atividades abertas e experimentais, com o professor fazendo o papel de facilitador das discussões em grupo, o uso de referências do cotidiano dos alunos e a adoção de material didático capaz de estimular a construção do conhecimento. Em 2009, o sociólogo Simon Schwartzman e a pesquisadora Micheline Christophe, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), fizeram um estudo por encomenda da Academia Brasileira de Ciências que analisou várias experiências, algumas delas voltadas para a formação dos professores, outras calcadas em atividades na sala de aula – mas elas só foram aplicadas em ambientes restritos e isolados, sem alcançar o grosso dos alunos nas escolas públicas. “Foi possível observar como essa metodologia cria um ambiente de trabalho motivante e participativo, diferente das aulas em que professores ditam os conteúdos que os alunos anotam, com os problemas associados de incompreensão, desinteresse e indisciplina”, diz o estudo.

Um exemplo é o projeto ABC da Educação Científica Mão na Massa, resultado de um acordo de cooperação entre as academias de ciências do Brasil e da França, com foco nos primeiros anos do ensino fundamental. Iniciado em 2001, suas atividades consistem em programas de formação de professores e orientadores pedagógicos e a produção de materiais para trabalho experimental nos cursos de formação e nas escolas. As atividades irradiaram-se para mais de 10 cidades de vários estados, partindo de três núcleos, a Estação Ciência, museu interativo de ciências da USP, o Centro de Difusão Científica e Cultural da USP em São Carlos e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. “Em sua maioria, as experiências mantêm-se pela presença de um especialista filiado a uma universidade ou centro de ciências, trabalhando individualmente ou com pouca ajuda”, diz o estudo. Mas o saldo do programa é diversificado, com a produção de módulos didáticos, além de cursos e oficinas para professores de vários tipos.

A experiência com ensino de ciências da empresa Sangari Brasil é outro exemplo. Ela criou módulos de ensino de ciências que são usados em escolas particulares e também em sistemas públicos, como os do Distrito Federal, ou os municípios do Rio de Janeiro e de Manaus. Os professores recebem kits com módulos de 16 aulas, que inspiram os debates e a solução de problemas na sala de aula, e são capacitados por especialistas para lidar com esse material. “Funciona com base em três premissas: o uso do material didático, a formação do professor e o monitoramento das escolas, por meio de tutores. E não dá certo se qualquer uma das três premissas deixar de existir”, afirma Maristela Sarmento, diretora educacional da Sangari. O projeto funciona como parte do currículo, por exemplo, no Rio de Janeiro, mas também é oferecido como atividade extracurricular em escolas privadas de tempo integral. “Os alunos das escolas privadas têm um repertório maior e às vezes se apropriam mais facilmente dos conhecimentos. Mas a curiosidade e o entusiasmo dos alunos de escolas públicas são impressionantes”, diz.

No campo dos museus de ciências, o estudo destaca o Espaço Ciência, de Pernambuco, museu a céu aberto do governo estadual instalado numa área de 120 mil metros quadrados entre Olinda e Recife, com mais de 200 equipamentos interativos em tópicos como física, química, biologia, matemática e geografia. É dotado de instalações como um espelho d’água, uma hidrelétrica gerando corrente, um planetário e uma caverna, e ainda abriga uma área de mangue utilizada para experiências e espaço de educação ambiental. Os visitantes são convidados, por exemplo, a identificar as espécies que habitam o lugar. Todos os anos, 150 mil visitantes passam pelo museu.

O número e a qualidade dos museus de ciência melhoraram nos últimos anos, mas não se criou ainda uma tradição de visitação desses espaços. “Nos países da Europa visitar museus faz parte da tradição das famílias e das escolas. Lá os museus são bastante aproveitados pela sociedade e se tornam ferramentas importantes para disseminar o pensamento científico e para a formação dos cidadãos”, diz Ernst Hamburger, professor de física da USP, que dirigiu o museu Estação Ciência. “Aqui no Brasil o público ainda é restrito. Nenhum museu ultrapassa a marca de 1 milhão de visitantes por ano, o que é pouco para um país com a nossa população”, afirma o professor, para quem a estratégia deveria ser a de levar exposições dos museus para a periferia.

O estudo de Schwartzman alerta que há uma série de desafios a cumprir para aproveitar em larga escala as boas experiências. Uma delas é garantir que os projetos sejam permanentemente monitorados e apoiados. Outro desafio, esse mais complexo, é padronizar e sistematizar os conteúdos a serem dados pelos professores, o que, de certa forma, se contrapõe ao caráter aberto e interativo das experiências. “O problema é que esses processos abertos só funcionam bem quando o professor é muito bem formado e os estudantes também tenham passado por um processo adequado de formação inicial, através do qual tenham consolidado a capacidade de leitura, escrita e uso de conceitos básicos da matemática”, sustenta o estudo.

Para Maria José Pereira Monteiro de Almeida, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, a padronização, nos moldes em que é feita hoje, produz resultados danosos. “Muitas escolas adotaram sistemas de ensino que conspiram contra o ensino criativo e participativo. Também se perde a perspectiva de que o trabalho do professor é intelectual. Nesses sistemas o professor só precisa seguir o que está escrito em apostilas, que se considera que fez seu trabalho”, afirma. Maria José lidera o Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciência e Ensino da Unicamp, que produziu uma série de contribuições sobre a educação científica. Mostrou, por exemplo, a relevância de se ensinar física moderna e contemporânea no ensino médio, embora o ensino siga limitado à física clássica na maioria das escolas.

Atualmente, o grupo liderado por Maria José investiga, no âmbito do Programa de Melhoria do Ensino Público da FAPESP, estratégias para superar o distanciamento entre as pesquisas que abordam problemas do ensino básico, na área de educação em ciências, e a realidade das escolas. “Temos diversos programas de pós-graduação em ensino de ciências no Brasil, mas os pesquisadores que eles formam em geral acabam empregados nas próprias universidades, enquanto os professores e os alunos, que lidam no dia a dia com a questão, têm pouco acesso a esse conhecimento”, afirma.

O Brasil tem 649 pesquisadores por milhão de habitantes. É um índice baixo, comparado ao de países como o Japão (5.543 pesquisadores por milhão de habitantes), os Estados Unidos (4.726), a Coreia (4.725) ou a China (1.082). No estado de São Paulo, a situação é um pouco melhor, com 1.147 pesquisadores por milhão de habitantes. A necessidade de formar os futuros cientistas é um motivo crucial para melhorar o ensino de ciências, mas há outras razões fundamentais. “Uma delas é fazer com que todos os cidadãos de uma sociedade moderna entendam as implicações mais gerais, positivas e problemáticas, daquilo que hoje se denomina ‘sociedade do conhecimento’, e que impacta a vida de todas as pessoas e países”, diz o sociólogo Simon Schwartzman. Outra razão, observa o professor, é “fazer com que as pessoas adquiram os métodos e atitudes típicas das ciências modernas, caracterizadas pela curiosidade intelectual, dúvida metódica, observação dos fatos e busca de relações causais, reconhecidas como fazendo parte do desenvolvimento do espírito crítico e autonomia intelectual dos cidadãos”.

A pesquisa brasileira sobre ensino de ciência é prolífica – mas tem pouco alcance nas políticas públicas e só ocasionalmente ganha aplicação nas escolas. “A cada pelo menos dois anos há vários encontros nacionais de educação de ciência em que um bom volume de boas pesquisas é apresentado”, diz a professora Maria José, da Unicamp. “Mas quando as experiências são transpostas para a realidade das escolas acabam esbarrando em problemas estruturais, como a falta de professores, e não vão adiante”, explica. O conhecimento produzido também tem dificuldade de chegar às escolas. “Há muita pesquisa sobre as escolas, mas pouca pesquisa com e na escola e envolvendo os professores da escola”, diz Maurício Compiani, professor do Instituto de Geociências da Unicamp e especialista em ensino de ciências. Ele observa que há pouca articulação entre os pesquisadores. “Não existe, nesse estado com tantos grupos de pesquisa em ensino de ciências, um projeto temático da FAPESP que trate das questões mais gerais do ensino de ciências”, afirma.

Formar um professor talhado para ministrar educação científica de qualidade não é tarefa simples. “Para ensinar bem ciências, o professor precisa fazer em sala de aula um trabalho baseado em investigação. Mas ele não é formado para isso. Como pode ensinar investigação se não fez investigação?”, pergunta o físico Ernst Hamburger. Ele observa que leva anos para um bom professor adquirir competência. “Exige-se tanto dos professores de ciências quanto se exige de médicos e engenheiros, mas o abismo salarial entre essas categorias é enorme”, afirma. Hamburger lembra que o progresso quantitativo da educação brasileira nos últimos 50 anos, com a inclusão de larga fatia de brasileiros aos bancos escolares, foi impressionante. “Sou otimista, mas valorizar a profissão de professor e sua formação é condição necessária para continuar a progredir.”

A experiência do projeto Encontros USP-Escola mostra que há professores ávidos por melhorar sua formação. Nas férias de julho e de janeiro, professores do ensino fundamental e médio são convidados a frequentar um conjunto de atividades, entre cursos, palestras e oficinas, voltados para o ensino de física, química, biologia, matemática, astronomia e inglês, e também para o aprendizado de metodologias de sala de aula em que o aluno participe ativamente. “Começamos em 2007 com 50 professores e hoje temos mais de 250 frequentando 10 cursos ministrados”, diz Vera Henriques, coordenadora do projeto, professora do Instituto de Física da USP. Ela afirma que a divulgação dos cursos pelas diretorias de ensino costuma ser falha e que a propaganda boca a boca divulga a iniciativa. “Há professores muito interessados. Alguns deles formaram o Grupo de Trabalho USP-Escola, em conjunto com alguns professores e estudantes da USP. O grupo se reúne mensalmente para desenvolver material didático experimental e estratégias de ensino participativas. Atualmente está preparando uma revista eletrônica que será sediada no Instituto de Física, com o intuito de divulgar materiais e ideias para um ensino de qualidade”, diz.

Há uma tendência nas universidades brasileiras de preparar melhor o professor para lidar com a realidade complexa dos alunos, especialmente nas escolas públicas. Maurício Compiani, da Unicamp, conta que desde 2006 passaram a ser exigidos dos futuros professores estágios de 400 horas nas escolas antes de se formarem. “Agora é que os primeiros professores formados por essa regra estão chegando ao mercado de trabalho e a expectativa é que saibam ver o aluno como um sujeito real, e não idealizado. Hoje o que é valorizado no conhecimento científico é o lado cognitivo, hipotético, lógico e dedutivo. Mas há outros conhecimentos, culturais, afetivos, artísticos, que estão envolvidos nessa criança. O professor precisa fazer a mediação do conhecimento científico com o conhecimento cotidiano que essa criança traz”, afirma. Num projeto vinculado ao Programa de Melhoria do Ensino Público, da FAPESP, realizado entre 2006 e 2010, o grupo liderado por Compiani articulou-se com outro projeto, sobre recuperação ambiental em Campinas, para levar a escolas da cidade conhecimentos socioeconômicos e de geociências com potencial para aproximar o ensino da realidade dos professores e alunos. O professor adverte, porém, que há dificuldades às vezes intransponíveis para obter avanços. “Há escolas públicas na periferia nas quais a rotatividade de professores é de 40% todos os anos. É impossível formar equipes se não há permanência do grupo”, afirma. Outro ponto vulnerável seria a aversão das escolas em estimular a cooperação entre os alunos. “É raro ver um estudante que seja bom em todas as disciplinas”, diz Maria José, da Unicamp. “Há alunos que têm bloqueio em determinadas disciplinas, mas conseguem aprender em conjunto com outros colegas. O costume das escolas, porém, é estimular a competição entre os alunos”, diz.

Pode parecer paradoxal, mas o aluno brasileiro diz ser bastante interessado em ciências. Dados do Pisa mostram que os estudantes do país declaram um elevado apoio às ciências, maior do que o observado até em países desenvolvidos, mas informaram pouco se utilizar do conhecimento científico em benefício próprio. “O que falta, efetivamente, é encontrar meios de fazê-los se apropriar das ciências, e isso a escola brasileira não tem feito”, diz Simon Schwartzman.

Renato Pedrosa, do Centro de Estudos Avançados da Unicamp e ex-coordenador do vestibular da universidade, observa que o país vem obtendo avanços lentos na qualidade do ensino – a série histórica do Pisa mostra que o Brasil aumentou de 365 pontos em ciências em 2000 para 405 em 2009. “Os resultados do Pisa e de outras avaliações mostram que o desempenho brasileiro é desastroso quando comparado com outros países. Embora se observe uma melhora no desempenho ao final do ensino fundamental, ela não se traduziu em melhora no ensino médio, no qual a evasão ainda é muito alta”, afirma Pedrosa.

Para ele, o aumento do nível do emprego e a estratégia do MEC de considerar graduado no ensino médio qualquer estudante aprovado no Enem podem explicar parte da evasão. “No caso do emprego, é fácil de entender. Mais preocupante é o MEC conceder diploma de ensino médio a qualquer aluno que tenha obtido 400 pontos no Enem, quando se sabe que esse desempenho está próximo do alcançado por quem responde às provas aleatoriamente, ou seja, por quem chuta as questões”, afirma. “Agora a nota mínima foi ampliada para 450 pontos, mas mesmo assim é baixa.” Os resultados das avaliações da educação científica revelam, diz Pedrosa, uma realidade dramática. “Em alguns estados brasileiros, como Alagoas e Maranhão, o desempenho dos alunos é baixíssimo e não reage. O desempenho mais alto também vem dos mesmos lugares, como Rio Grande do Sul, Distrito Federal, São Paulo e Minas Gerais”, diz. Sem uma estratégia de impacto, diz Pedrosa, o Brasil vai demorar mais de 50 anos para alcançar os resultados educacionais de países com os quais compete. “É preciso garantir condições melhores para as escolas frequentadas pelos mais pobres, cujas famílias têm mais dificuldade em apoiá-los. O caminho passa, certamente, pela escola integral. Isso pode não ser tão importante para estudantes de classe média alta, mas para os demais faz uma diferença enorme”, afirma.

Fonte: Revista Fapesp