A difícil tarefa de reentrar na atmosfera da terra – Ônibus Espacial

Space Shuttle (lançador espacial) ou ônibus espacial foi um sofisticado veículo parcialmente reutilizável usado pela NASA como veículo lançador de satélites, nave para suas missões tripuladas de reparos de aparelhos em órbita da terra e reabastecimento da Estação Espacial Internacional. Tornou-se o sucessor da nave Apollo usada durante o Projeto Apollo. O ônibus espacial foi lançado pela primeira vez em 1981 e realizou sua última missão em 2011. Eles foram usados em um total de 135 missões desde 1981 até 2011, todos sendo lançados do Centro Espacial John F. Kennedy, na Flórida. Nas suas missões foram lançados inúmeros satélites, sondas interplanetárias, e o Telescópio espacial Hubble; também realizou experimentos científicos em órbita e participou da construção e manutenção da Estação Espacial Internacional. No tempo total, a frota de ônibus realizou 1322 dias, 19 horas, 21 minutos e 23 segundos de missões espaciais.
Depois de 30 anos de missões no espaço, com 130 missões realizadas com tecnologia de ponta, a frota dos ônibus espaciais da NASA foi aposentada e está em exibição em instituições e museus dos Estados Unidos, segundo a NASA para inspirar a próxima geração de exploradores e engenheiros.
Créditos: Wikipedia Sayrus

SpaceX lança com sucesso o foguete Falcon9 da histórica plataforma 39A na Flórida


O complexo 39A em cabo Canaveral na Flórida, iniciou sua terceira carreira depois de servir como local para os lançamentos históricos do Apollo e Space Shuttle. Hoje, recebeu seu primeiro lançamento comercial, com a SpaceX enviando o serviço de reabastecimento de cargas (CRS) 10 para a Estação Espacial Internacional (ISS), a bordo da nave espacial Dragon, acoplada na cabeça do foguete Falcon9.

O lançamento ocorreu em uma manhã chuvosa às 9h38 EST (14:38 GMT), 11:38 (horário de Brasília) em 19 de fevereiro de 2017. Depois de mostrar um vislumbre breve e ardente, o foguete desapareceu atrás de uma densa camada de nuvens. Essas nuvens causaram um ruído estrondoso em seus nove motores Merlin 1D, organizados na formação Octaweb (uma estrutura metálica que suporta oito motores em torno de um motor central na base do veículo de lançamento. Esta estrutura simplifica a concepção e montagem da seção do motor, simplificando o processo de fabricação).

A nave não tripulada leva uma carga de 2.267 quilos de alimentos e equipamento para os seis astronautas que vivem na ISS. Esta missão de abastecimento é a décima das 20 planejadas para a estação como parte de um contrato entre a Nasa e a SpaceX.

A cápsula Dragon permanecerá em órbita por dois dias, antes de chegar à ISS na manhã de terça-feira, segundo um porta-voz da SpaceX.

O foguete primeiro estágio Falcon9 teve um pouco bem-sucedido 10 minutos após o lançamento, retornando para uma base próxima de onde foi lançado.

Fonte: SpaceX
Fonte: VSIMTV 

Blue Origin recupera pela segunda vez seu foguete lançador

A recuperação dos módulos lançadores parece ser uma tendência com o segundo lançamento e recuperação bem-sucedidos do foguete New Shepard da Blue Origin (empresa de Jeff Bezos – Amazon), ocorrido no dia 22/01/2016. Outra empresa concorrente a SpaceX de Elon Musk (Tesla Mortors), também realizou o feito em 21/12/2015 com seu foguete Falcon 9.

Ao recuperar os foguetes que se transformavam em lixo espacial, ou caíam no mar, diminui o custo do lançamento e aumenta a segurança e vida útil dos componentes como: motores, aerodinâmica, design e melhora a tecnologia emprega em sua construção.

Fonte: Blue Origin

Deixar o planeta terra (estrela de nêutrons) – Documentário Natgeo 2015

Caso fosse detectado um objeto astronômico em rota de colisão com a terra do porte de uma estrela de nêutrons, toda a vida no planeta desapareceria no espaço de um ano (incluindo nosso próprio planeta que seria despedaçado), quando da chegada desse objeto. As boas notícias? Caso sua trajetória tornasse possível a chegada em 75 anos, o que podemos fazer nesse espaço de tempo? Quem pode ser salvo? Ao contrário de muitas questões científicas especulativas, esta é uma possibilidade verdadeiramente real e que a nossa espécie (homo sapiens) pode vir a enfrentar num futuro a curto ou médio prazo. Poderia haver uma série de razões pelas quais tivéssemos que deixar o planeta Terra, mas a NASA acredita que a mais provável seria a colisão de um grande asteroide.

Uma estrela de nêutrons tem um pequeno diâmetro da ordem de 20 Km, para os padrões astronômicos é quase nada, mas possuindo uma massa com até 2 vezes a massa do nosso sol, seu campo gravitacional pode aniquilar todo um sistema solar ao transitar no meio.

A tecnologia dos veículos lançadores reutilizáveis (já existentes) tornará viável um empreendimento desse nível no médio e longo prazos.

Fonte: Documentários Premium

SpaceX coloca 11 satélites com apenas um voo orbital

A empresa privada de exploração espacial SpaceX fez história no dia 21 de dezembro ao conseguir realizar a proeza de colocar com apenas um voo orbital, 11 satélites e ainda recuperar o primeiro estágio do foguete Falcon 9, fazendo o pouso desse caro componente minutos após a decolagem em Cabo Canaveral na Flórida. Os módulos restantes seguiram até a órbita da terra, liberando posteriormente os satélites.

Simulação do retorno dos lançadores

Fontes:

Wikipédia

SpaceToday

ApaceX

Conheça o motor RS-25 e os novos veículos espaciais SLS e nave ORION da NASA

Motor RS25
Fonte Nasa (Divulgação).

O Aerojet Rocketdyne RS-25, também chamado de Space Shuttle Main Engine (motor principal de transporte espacial), é um Rocket Engine (motor de foguete) que utiliza combustível líquido em baixíssimas temperaturas, cujo principal – hidrogênio – está na casa dos -253 Cº, mas alcança uma temperatura de até 3.315 Cº quando entra em combustão na câmara de saída da cabeça do motor, gerando um impulso de 1.859 kN (Quilo Níltons) equivalente a 189 toneladas. Os dois principais combustíveis são: hidrogênio líquido (combustível) e oxigênio líquido (oxidante). Ao se misturarem em alta pressão na câmara de combustão, explodem gerando a propulsão.

Os foguetes não precisam de ar para trabalhar, podem funcionar na ausência de atmosfera (no espaço), ao contrário das turbinas de aviões que não funcionam fora da atmosfera.

Acompanhe um teste bem sucedido com um motor RS-25 da Nasa

Princípio de funcionamento do motor de foguete

O princípio de funcionamento do motor de foguete baseia-se na terceira lei de Newton, a lei da ação e reação, que diz que “a toda ação corresponde uma reação, com a mesma intensidade, mesma direção e sentido contrário”.

Imaginemos uma câmara fechada onde exista um gás em combustão. A queima do gás irá produzir pressão em todas as direções. A câmara não se moverá em nenhuma direção pois as forças nas paredes opostas da câmara irão se anular.

Se introduzirmos um bocal na câmara, onde os gases possam escapar, haverá um desequilíbrio. A pressão exercida nas paredes laterais opostas continuará não produzindo força, pois a pressão de um lado anulará a do outro. Já a pressão exercida na parte superior da câmara produzirá empuxo, pois não há pressão no lado de baixo (onde está o bocal).

Assim, o foguete se deslocará para cima por reação à pressão exercida pelos gases em combustão na câmara de combustão do motor. Por isto este tipo de motor é chamado de propulsão por reação assim ele tem como subir e ir para o espaço.

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Princípio de funcionamento de um motor de foguete. Fonte Wikipédia (divulgação).

Diferente de um motor a jato por transportar seu próprio oxidante, o que lhe permite operar na ausência de um suprimento de ar. Os motores de foguete vêm sendo amplamente utilizados em vôos espaciais, nos quais sua grande potência e capacidade de operar no vácuo são essenciais, mas também podem ser utilizados para movimentar mísseis, aeroplanos e automóveis.

A força no sentido do movimento (o empuxo) que atua sobre um foguete é produzida porque a queima do combustível em seu interior exerce uma enorme pressão sobre as paredes da câmara de combustão, exceto na abertura por onde os gases escapam, situada em sua porção posterior.

O término do programa do ônibus espacial

Com início em 1981 e fim em 2011, o programa dos ônibus espaciais americanos, veículos cujo propósito era colocar astronautas e equipamentos em órbita, retornando à terra ao final da missão com o mesmo veículo. Durou 30 anos e teve duas baixas graves com as explosões da Challenger em 1986 e da Colúmbia em 2003.

As missões dos ônibus espaciais eram curtas: sair da terra, ficar em órbita por alguns dias e depois voltar para a terra com o mesmo veículo, correndo o risco da reentrada (queda no planeta). Foi o que aconteceu com a Colúmbia em 2003, em sua reentrada os gases superaquecidos penetraram o casco da espaçonave causando sua desintegração no ar. A capacidade de carga útil do ônibus espacial era de 22.000 kg.

Conheça o Space Launch System (SLS) – sistema de lançamento espacial

O Space Launch System (SLS) – sistema de Lançamento Espacial é um veículo pesado de lançamento dispensável americano, derivado do Space Shuttle (veículo/nave espacial) projetado pela NASA. Segue-se ao cancelamento do programa Constellation (constelação), destinado a substituir o ônibus espacial que foi aposentado. O Ato de autorização do programa pela NASA 2010 previu a transformação do Ares I e Ares V, projetos dos veículos do programa Constellation, em um único veículo de lançamento utilizável para tripulação e carga, muito parecido com o Ares IV.

O veículo de lançamento SLS foi projetado para ser atualizado ao longo do tempo com as versões mais potentes. Sua versão inicial Bloco 1 é para levantar uma carga útil de 70 toneladas métricas, visando atingir a Low Earth Orbit (LEO), órbita terrestre baixa, que será aumentada com a estreia do Bloco 1B e exploração estágio superior Bloco 2, que substituirá os boosters (propulsores) iniciais com novos e mais avançados, estando previsto para ter uma capacidade de LEO maior que 130 toneladas atendendo às exigências do Congresso americano. Essas atualizações permitirão ao SLS levar astronautas e hardware (equipamentos) para vários destinos além-LEO. O SLS usará as operações terrestres e instalações de lançamento do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida.

ORION – Exploração do Espaço Profundo da NASA

A nova nave ORION – NASA’s Deep Space Exploration Spacecraft (Exploração do Espaço profundo da NASA), é uma espaçonave para levar os astronautas a vários destinos em nosso sistema solar. Foi projetada para alçar objetos que estão mais distantes do que a lua, cujo homem já pisou em 1969. Os possíveis destinos do projeto Orion são: asteroides, cometas e outras luas e planetas dentro do nosso sistema solar.

Fontes: Wikipédia, Nasa, ORION

O maior radiotelescópio do mundo – ALMA – é inaugurado no Chile

O observatório terrestre mais complexo do mundo, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), foi inaugurado nesta quarta-feira 13/03/2013. Do local, é possível observar fenômenos como as densas nuvens de pó cósmico e gás onde se formam estrelas e planetas, o que antes era impossível para os cientistas.

As instalações do projeto estão a 5 mil metros de altitude no Planalto de Chajnantor, situado no inóspito Deserto do Atacama, cerca de 1.700 quilômetros ao norte de Santiago. As antenas do ALMA não funcionam como os telescópios ópticos tradicionais. Eles estão desenhados para detectar ondas milimétricas e submilimétricas, aproximadamente mil vezes mais longas que a luz visível, permitindo aos cientistas enxergar coisas antes praticamente invisíveis nos estudos sobre o espaço.

O radiotelescópio terá potência suficiente para detectar frias camadas de pó cósmico – algo muito difícil de ser detectado -, bem como a sua composição química, permitindo que possamos analisar regiões do espaço que contenham material propício à formação da vida. Com suas antenas transportáveis e facilmente reposicionáveis, cujas dimensões são 7 metros de diâmetro (as pequenas) e 12 metros de diâmetro (as grandes). Este projeto é um marco para o estudo da vida em astronomia e astrobiologia atual.

O complexo levou cerca de 10 anos para ficar pronto a um custo aproximado de US$ 1,3 bilhão (R$ 2,5 bilhões).

Veja a localização exata do Alma no Google Maps

Créditos: Efe

Créditos: Nicolas Bustos

Ônibus espacial Endeavour fará última missão em abril

 

Ônibus espacial Eandeavou é posicionado para o seu último lançamento

A Nasa moveu o ônibus espacial Endeavour para a plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, na noite de quinta-feira, 10. O lançamento do ônibus está previsto para o dia 19 de abril. Esta será a última missão desta nave, que será aposentada após a viagem, e o penúltimo lançamento de um ônibus espacial da agência
norte-americana.

Ônibus espacial Atlantis também será aposentado

A expectativa é de que mais um ônibus espacial, o Atlantis, se despeça do espaço em junho ou pouco depois, fazendo deste um ano de aposentadorias, já que este mês o Discovery também realizou sua última missão.

O plano da Nasa depois do fim do programa de ônibus espaciais é fazer com que os astronautas americanos sejam transportados até a Estação Espacial Internacional por meio da nave Soyuz, da Rússia, talvez até a metade da atual década. Depois, a Nasa deve começar a usar os serviços de companhias privadas nas suas viagens para o espaço.

Fonte: BBC

SpaceX – a primeira Nave privada de transporte espacial faz seu primeiro voo com sucesso

Lançamento nos EUA: o Falcon 9 (foto) partiu da base da Nasa, de Cabo Canaveral

Próximas viagens ainda serão feitas sem tripulação, mas cápsula está preparada para levar até sete pessoas.

Na quarta-feira dia 08/12/2010, pela primeira vez, uma espaçonave comercial entrou em órbita e retornou suavemente à Terra. O voo, conduzido pela Space Exploration Technologies Corp., ou SpaceX, foi impecável, desde o lançamento de seu foguete Falcon 9, com uma cápsula Dragon no topo, às 13h43 (de Brasília), do Cabo Canaveral, até a descida da Dragon no Oceano Pacífico 3 horas, 19 minutos e 52 segundos depois. Foi um atraso de apenas 52 segundos em relação ao previsto pela SpaceX.

Durante a entrevista coletiva que ocorreu depois, Elon Musk, fundador da SpaceX e seu principal executivo, cuja desmedida confiança pode beirar a arrogância, se afobou ao falar que funcionou como previsto. “Na verdade, é quase bom demais”, disse Musk. “Não tivemos de usar os sistemas de segurança em nenhum momento. Estou em estado de semi-choque. É difícil ser articulado com a mente pegando fogo.”

Passeio agradável — A missão foi a primeira demonstração para a Nasa da nave espacial projetada para transportar carga e, talvez, astronautas à Estação Espacial Internacional.

Capsula Dragon

Musk afirmou que o SpaceX estava em boa situação para conquistar pelo menos parte do negócio de transporte de astronautas. A Dragon já tem uma cabine pressurizada e foi projetada, desde o princípio, com a intenção de levar pessoas. “Se tivéssemos pessoas sentadas na cápsula Dragon, elas teriam feito um passeio muito agradável”, disse ele.

Façanha — Nove minutos e meio depois do lançamento de quarta-feira, a cápsula Dragon destacou-se do segundo estágio do Falcon 9. A cápsula circundou a Terra duas vezes a uma altitude de 300 quilômetros antes de reentrar na atmosfera. Com ajuda de paraquedas, a nave desacelerou suavemente até pousar a cerca de 800 quilômetros da costa mexicana.

A façanha impressionou Joseph Fragola, especialista em segurança de naves espaciais, que não tinha certeza de que lançamentos comerciais pudessem atender aos mesmos padrões da Nasa.

“Eu esperava pelo menos algumas anomalias, mas até agora parece não ter ocorrido nenhuma”, disse Fragola sobre o voo da quarta-feira. “Isso foi uma surpresa, dado o desafio do plano de voo.”

Durante o voo, a SpaceX anunciou que o Falcon 9 também levou para o espaço oito pequenos satélites, incluindo um do Exército para testar novas tecnologias de comunicação.

Visita à ISS — Um segundo voo de demonstração, que vai passar perto da Estação Espacial, mas sem acoplar, está agendado para a próxima primavera. Um terceiro e último voo de demonstração vai conectar a cápsula à estação.

Com o sucesso do primeiro voo, disse Musk, a SpaceX espera combinar os dois próximos lançamentos. Uma vez completa a fase de demonstração, a SpaceX começará com os voos de carga.

No final da entrevista coletiva, Musk recuperou parte de sua bravata habitual, arriscando que a Dragon também poderá ser utilizado em missões no espaço profundo. Um renovado programa espacial da Nasa, que irá valer a partir do ano que vem, vai trabalhar numa maior e muito mais cara cápsula tripulada Orion e na continuação do desenvolvimento de um foguete de carga para chegar à Lua, a um asteróide ou além. “A Dragon tem mais capacidade que a Orion”, disse Musk. “Basicamente, qualquer coisa que a Orion possa fazer, a Dragon também pode.”

Contrato bilionário — A SpaceX tem um contrato de 1,6 bilhão de dólares para 12 voos de carga e suprimentos para a Estação Espacial. O programa começou em 2006. Com o iminente cancelamento do foguete Ares I, da Nasa, que levaria astronautas para a estação, a agência espacial busca companhias privadas para prestar serviços de transporte dos astronautas.

O sucesso do voo de demonstração “reforça o que o presidente estabeleceu e o Congresso endossou para o futuro do transporte espacial”, disse Lori Garver, administrador-adjunto da Nasa. “Isso realmente valida o caminho que trilhamos.”

Quem é Elon Musk?

Elon Musk

Há oito anos, o empresário Elon Musk havia acabado de vender sua segunda e bem sucedida companhia de tecnologia, tinha US$ 200 milhões na conta e, com apenas 31 anos de idade, a vida inteira pela frente. Poderia muito bem ter se aposentado e dedicado seus dias a gastar a fortuna acumulada. Mas Elon Musk, que nasceu na África do Sul e se radicou nos Estados Unidos, tinha planos mais ambiciosos. Ele queria salvar o mundo, convencendo a nação que mais consome petróleo no planeta a adotar energias renováveis.

O primeiro passo de Musk foi abrir seus cofres e injetar milhões de dólares na criação da Tesla Motors, especializada em carros elétricos de luxo, em 2004. Um ano depois, deu início à SolarCity, um negócio de instalação de painéis solares, em todo os EUA. E talvez prevendo que no futuro a única saída seja mesmo mudar de planeta, fundou uma empresa para fabricar foguetes espaciais reaproveitáveis. Hoje, é o presidente da única companhia privada do mundo que conseguiu colocar um foguete impulsionado por combustível líquido em órbita: a Space Exploration Technologies, ou Space X.

Os feitos de Musk, jovem, empreendedor, sempre bem alinhado, foram a inspiração que Jon Favreau, diretor dos filmes Homem de Ferro 1 e 2, precisava para caracterizar o protagonista Tony Stark, um biolionário aventureiro interpretado no cinema pelo ator Robert Downey Jr. Jogador de vídeo game e surfista nas horas vagas, Elon Musk chega a trabalhar em média 100 horas por semana. O aniversário dele foi há duas semanas. O melhor presente que ganhou? Tempo. Passou a última semana em Búzios, no Rio de Janeiro, para visitar um primo que é casado com uma brasileira — em uma das raras vezes que tirou uma folga. Musk possui cinco filhos com a ex-mulher, a escritora canadense Justine Musk, e está noivo da atriz inglesa Talulah Riley, 25 anos.

De volta ao trabalho, além da pretensão de mudar os hábitos de uma civilização dependente de combustível fóssil, Musk está gastando milhões do próprio bolso para garantir que, em breve, os terráqueos possam viver em outros planetas. Enquanto as previsões mais otimistas da NASA indiquem que só iremos lançar uma missão tripulada para Marte daqui a 30 anos, Musk diz realizar a façanha em dez. “Trinta anos é uma eternidade”, afirmou, em entrevista à VEJA.com. Suas declarações não são vazias. A Space X, que tem apenas sete anos de vida, já conseguiu um contrato para transportar carga da NASA para, pelo menos, 13 voos futuros ao espaço — utilizando um foguete construído do zero, com tecnologia 100% original.

Por que a humanidade está demorando tanto para adotar fontes de energia renováveis?

Acho que estamos indo nessa direção. Acontece que o petróleo é muito fácil. É como se tivéssemos recebido uma herança de algum tio rico. É mais fácil do que trabalhar. Como somos muito preguiçosos, é mais fácil manter a tecnologia atual e fazer a mudança apenas quando realmente tivermos a necessidade. Ou seja, até que o dinheiro do nosso tio acabe. É isso que estamos tentando fazer com a Tesla Motors — acelerar as coisas para que esse progresso ocorra mais rápido do que se imaginava.

Mas a Tesla Motors não conseguiu lucrar um centavo desde a sua inauguração em 2003…
Bom, tecnicamente tivemos lucro no mês de julho do ano passado, mas não nos quatro primeiros meses. A razão pela qual Tesla não é lucrativa é que estamos crescendo muito rápido. Estamos planejando aumentar nossa produção em 4000%. É muito difícil se manter lucrativo quando se tem esse tipo de crescimento. Se as nossas atividades estivessem restritas apenas à venda do nosso carro esportivo, o Roadster, e à venda de componentes automotivos para a Toyota, seríamos lucrativos. Mas a empresa está gastando muito em pesquisa e desenvolvimento do modelo sedã, que será mais barato. Quantas empresas estão crescendo a 4000% em 2 ou 3 anos? Quase nenhuma.

Por que é tão difícil fazer carros elétricos populares?

Existem duas coisas importantes que é preciso saber para fazer uma nova tecnologia acessível. A primeira é que é preciso otimizá-la. Normalmente ela precisa passar por três grandes versões antes de ficar pronta para o mercado. A primeira versão é fazer a tecnologia funcionar de fato. A segunda é levar o projeto adiante otimizando o custo, e só na terceira é que as coisas são refinadas. E a segunda coisa que precisamos para fazer uma tecnologia acessível é a economia de escala. Ou seja, fazer 100.000 unidades de uma coisa é muito mais barato do que fazer 1.000 unidades. Essa é a estratégia da Tesla. Começamos com um carro caro e com poucas unidades. Entendemos a tecnologia e o que os clientes querem. A partir daí, ganhamos o direito de levantar mais capital para chegarmos no segundo estágio, que é um carro mais barato, com uma produção maior — o modelo sedã. E o próximo passo é avançar mais ainda desenvolvendo um veículo barato com produção em massa.

Os carros elétricos não poluem mas precisam da eletricidade, que muitas vezes é gerada por fontes poluentes. Como resolver esse problema e deixar o sistema 100% limpo?

Primeiro, em termos de economia, a energia eólica é competitiva com a termoelétrica em algumas situações. Mas o problema é que a eólica só é eficiente em certas localidades. Na minha opinião a energia solar vai fazer a maior parte do trabalho pesado. Faz sentido, uma vez que o mundo já é abastecido pelo sol. Não pela eletricidade, mas se pensar que o sistema climático da Terra é completamente abastecido pelo Sol, as coisas começam a fazer sentido. O Sol é única razão pela qual a Terra não é uma bola de gelo. Esqueça a pequena quantidade de energia que a humanidade consome. A maioria da energia que existe disponível abastece o ecossistema e o sistema climático da Terra. A vida depende de energia solar. Existe sim, uma quantidade ínfima de energia que utilizamos, que na verdade é energia solar acumulada. Se você pensar nos dinossauros e nas plantas que morreram, fossilizaram e transformaram-se em petróleo ou até mesmo no carvão, trata-se de energia solar acumulada através das eras. O que estou tentando dizer é que a quantidade de energia elétrica que a humanidade consome é insignificante perto do que a natureza consome.

Então por que não captamos essa energia e a transformamos em eletricidade em larga escala?

Isso irá acontecer em breve, particularmente nos EUA e na Europa. A energia solar está crescendo em um passo incrivelmente rápido — atualmente, 100% por ano. As coisas estão mudando, com certeza. Mas, precisamos modificar uma infraestrutura gigantesca e isso vai tomar muito tempo. Para se ter uma ideia: Se pegarmos um pedaço de terra nos Estados Unidos semelhante a um quadrado com 128 km de lado, e colocássemos painéis solares por toda a superfície, teríamos energia suficiente para abastecer o país inteiro.

E o custo…

No momento o custo é maior que o do carvão mas ele está caindo rapidamente. É por isso que a energia solar está sendo adotada tão rápido. Dependendo da região a eletricidade custa mais caro. Depende do tipo de geração — termoelétrica, nuclear, hidrelétrica — e o quão longe se está das usinas.

Para algumas pessoas o gasto com pesquisa espacial é uma perda de tempo. Por que é tão importante investir nisso?

Bom, primeiro eu iria fazer a seguinte pergunta: “Você gosta de futebol? Futebol é uma coisa tão útil assim?” O que quero dizer é que a vida não precisa ser apenas sobre resolver esse ou aquele problema. Sempre haverá problemas no fim das contas. Mas é preciso que exista algo que inspire as pessoas, sabe? Razões que as tirem de suas camas todos os dias. Coisas que façam as pessoas se empolgarem com a vida. Para mim, levar a vida além da Terra, chegar a outros planetas e explorar as estrelas é um futuro muito excitante e inspirador — ao contrário de um que nos prende aqui no planeta. Então, temos que ter em mente como as viagens à Lua foram inspiradoras. Foi algo fantástico mesmo sabendo que, de fato, apenas alguns pousaram na Lua. Eu nem tinha nascido quando isso aconteceu mas isso nos faz sentir felizes por sermos seres humanos! É por causa disso que grandes empreitadas existem — elas inspiram as pessoas e dão a elas uma razão para viver. É como o futebol; os torcedores não jogam as partidas, mas eles participam delas porque se alegram no processo.

E por que é tão caro para a NASA ir ao espaço, mas não tanto para sua empresa?

A tecnologia ficou estagnada por muito tempo. Sério, dê uma olhada no ônibus espacial da NASA — aquilo foi desenvolvido nos anos 70! E não fizeram nenhuma melhora significativa nele nos últimos 40 anos. Então, é óbvio que é possível melhorar já que não existia nenhuma espaçonave sendo desenvolvida nos dias de hoje. O que precisávamos era desenvolver uma espaçonave com tecnologia, ferramentas e materiais do século 21. E também, concentrar esforços em realizar grandes avanços, não apenas pequenas melhoras. E o grande avanço é criar um sistema espacial reutilizável. Se você pegar o ônibus espacial da NASA, por exemplo, o tanque de combustível principal precisa ser jogado fora toda vez que uma missão acontece. Então, no fim das contas, o programa de viagens da NASA acaba custando mais do que o nosso foguete.

E quando iremos conseguir um sistema espacial reutilizável?

É um objetivo muito difícil de ser alcançado porque a gravidade da Terra é muito forte. Então, quando tentamos fazer algum componente reutilizável, temos que adicionar mais peso ao foguete. Daí, o desafio é que você precisa colocar todo esse peso em órbita. E isso é um tremendo problema técnico que estamos tentando resolver na Space X — basicamente, inventar o primeiro foguete reutilizável. Não estou dizendo que vamos conseguir porque é um problema super difícil de resolver, mas vamos tentar.

Você tinha um projeto chamado Mars Oasis, que pretendia plantar grãos em uma estufa em Marte. Mas, por causa dos custos, acabou desistindo da idéia e resolveu, em vez disso, criar a Space X. Daqui a quanto tempo você pretende retomar o Mars Oasis?

Com certeza ainda estamos longe. No momento, não existe nenhum foguete capaz de chegar a Marte saindo da Terra — seja o preço que for — levando tripulantes. É possível enviar pequenas sondas, mas nada que chegue perto do tamanho capaz de levar seres humanos. Então, em primeiro lugar, temos que desenvolver alguma coisa grande o suficiente para levar o homem a Marte. Depois disso, podemos dizer “Ok, não queremos ir até lá só uma vez — queremos levar milhares de pessoas e toneladas de equipamento para lá para criar uma base sustentável em Marte”. A partir daí teremos que condicionar nosso trabalho em largas escalas e isso é muito difícil.

E depois de Marte, para onde iremos?

Chegar em Marte é o princípio do começo. É como se Cristóvão Colombo estivesse chegando à América. Ou seja, demorou muito tempo até que cidades fossem construídas, não é mesmo? Então, vamos precisar de milhares de viagens, pessoas e toneladas de equipamento. Começar é uma coisa. Tornar-se um projeto autossustentável é outra completamente diferente que pode levar até o fim do século para acontecer.

Você já disse que investir em Marte é mais importante do que em cosméticos. Por quê?

Eu gosto muito de cosméticos, não me entenda mal. Só estou dizendo que devemos considerar a quantidade certa de dinheiro que devemos investir na transformação para uma civilização multiplanetária. É algo muito importante, sabe? É a primeira vez na história da vida que podemos ampliá-la para além da Terra. Quem sabe quanto tempo essa janela ficará aberta? Sou bastante otimista com relação a Terra, mas é totalmente possível que algo terrível aconteça e acabe com a vida em nosso planeta. Então, temos que agir razoavelmente rápido enquanto pudermos e enquanto essa janela está aberta. Provavelmente deveríamos gastar mais dinheiro nisso do que, por exemplo, em batons. Não estou dizendo que deveríamos gastar o mesmo tanto que investimos em saúde e outras coisas importantes para a vida das pessoas. Mas, acho que deveríamos gastar algo em torno de 0,5% da nossa economia nisso — parece ser uma quantia razoável.

Como você enxerga o mundo daqui a 40 anos?

Ainda estaremos tentando estabelecer a humanidade como uma civilização sustentável em Marte para daí nos tornarmos uma sociedade verdadeiramente multiplanetária. Com certeza também haverá a questão sobre como faremos a transição para transporte e produção de energia sustentáveis. Talvez todos esses problemas já estejam resolvidos até lá. Acho que estaremos em um lugar muito bonito de se viver.

Fonte: Veja