Métodos de Análise Econômica 2016

Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais. Conhecimento de fontes de informações e uso de banco de dados. Busca da simplicidade em complexidade de grandes planilhas Excel. Apresentação em PowerPoint dos resultados de pesquisas empíricas: organização conceitual de dados e informações….

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UnicampUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Instituto de Economia

CE-542 – MÉTODOS DE ANÁLISE ECONÔMICA V

2º semestre de 2016

Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

Ementa: Métodos e Instrumentos de análise de conjuntura econômica. Indicadores de instituições nacionais e multilaterais. Conhecimento de fontes de informações e uso de banco de dados. Busca da simplicidade em complexidade de grandes planilhas Excel. Apresentação em PowerPoint dos resultados de pesquisas empíricas: organização conceitual de dados e informações.

Horário: segunda-feira e quarta-feira no mesmo horário (8:00-10:00). Reservada a Sala IE-12.

Bibliografia:

Fernando Nogueira da Costa – Ensino e Pesquisa em Economia

TDIE 261 Economia Interdisciplinar

TDIE 263 Arte da Economia

Fernando Nogueira da Costa – Formação do Economista no Brasil Contemporâneo

Programa:

PARTE I: MÉTODOS E INSTRUMENTOS DE ANÁLISE DE CONJUNTURA ECONÔMICA

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Presente e Futuro do Desenvolvimento Brasileiro. DF, IPEA, 22 de agosto de 2014

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Presente e Futuro

O livro promove uma atualização do debate brasileiro sobre o desenvolvimento capitalista tardio, periférico e dependente, bem como sobre o fenômeno do “desenvolvimentismo”. Nesses termos, retoma a tradição crítica e reformista brasileira da “construção nacional interrompida” do Mestre Celso Furtado.

A partir deste prisma teórico, propõe uma reflexão sobre as transformações do presente: o crescimento com distribuição de renda e “desindustrialização”, no momento em que ocorre um brutal acirramento da concorrência intercapitalista e interestatal no enfrentamento da crise financeira e econômica global.

A intensidade das mudanças socioeconômicas ocorridas no Brasil e no mundo exige um esforço coletivo de reflexão. Exige também a revitalização do debate – de múltiplas questões e de diversos pontos de vista –, a fim de auxiliar no alargamento dos horizontes dos líderes sindicais, do pequeno, do médio e o grande capital, das elites políticas, das classes subalternas e dos formadores da opinião pública, e fazer avançar…

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A Crise do Capitalismo (dublado) – RSAnimate

As várias explicações para a crise mundial do capitalismo. O formato de apresentação é muito dinâmico e as legendas tornam-se insuficientes. Assim, topamos o desafio de adaptar as legendas à dublagem em português (desculpe o amadorismo) para a melhor compreensão desse importante tema a ser debatido em escala global.

Créditos: Alexandre Gomes

Carga tributária soma 35,3% do PIB e bate novo recorde em 2011, segundo o Fisco

Divulgação.

Segundo a Receita, arrecadação de tributos somou R$ 1,46 trilhão em 2011. De acordo com os dados, União foi responsável por 70% da arrecadação.

A carga tributária brasileira, que é o valor de todos os impostos pagos pelos cidadãos e empresas na proporção das riquezas produzidas no país, somou 35,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, estabelecendo nova marca recorde, informou nesta quinta-feira (29) a Secretaria da Receita Federal. O recorde anterior para a carga havia sido registrado em 2008, quando somou 34,54% do PIB.

Em 2010, a carga tributária estava em 33,5% do PIB. Segundo o governo, a carga tributária registrou o segundo aumento consecutivo em 2011.

Arrecadação X PIB

Os números do Fisco mostram que foram arrecadados no ano passado, em tributos federais, estaduais e municipais, R$ 1,46 trilhão (valor não inclui multas e juros), enquanto o PIB do mesmo período somou R$ 4,14 trilhões. Em 2011, a arrecadação de impostos e contribuições havia somado R$ 1,26 trilhão, enquanto o PIB do mesmo período totalizou R$ 3,77 trilhões.

Segundo a Receita Federal, a maior parte dos tributos foi arrecadada pelo governo federal, no ano passado. A União arrecadou em 2011, ainda de acordo com dados oficiais, R$ 1,02 trilhão, o correspondente a 70% da receita total. Ao mesmo tempo, os estados foram responsáveis pela arrecadação de 357 bilhões, e os municípios responderam pela arrecadação de R$ 80,7 bilhões.

Crescimento econômico e Refis da Crise

A explicação para o crescimento da carga tributária no ano passado tem relação com o crescimento da economia brasileira, que avançou 2,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografiae Estatística (IBGE), com a geração de empregos formais e, também, com o Refis da Crise – programa de parcelamento de débitos em atraso com o governo federal. Por meio do Refis da Crise, o governo arrecadou R$ 26 bilhões.

Com a economia crescendo mais, sobe também a arrecadação dos impostos diretos (Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, por exemplo). O impacto do crescimento econômico, entretanto, também acontece nos chamados “impostos indiretos”, ou seja, aqueles que estão embutidos nos preços dos produtos, como o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual.

Além disso, a Receita Federal lembrou que também houve aumento da alíquota do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as operações de crédito das pessoas físicas. A alíquota diária avançou de 0,0041% para 0,0082%. Mesmo corrigindo a tabela do Imposto de Renda, que baixa a arrecadação e reduzindo a tributação sobre o microempreendedor individual, entre outros, as alterações na tributação geraram um acréscimo de R$ 1,4 bilhão nas receitas do governo.

Estudo do IBPT

De acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que considera 30 países, o Brasil continuou sendo, em 2011, o país que proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em prol do bem estar da sociedade.

“A Austrália, seguida dos Estados Unidos, da Coréia do Sul e do Japão, são os países que melhor fazem aplicação dos tributos arrecadados, em termos de melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos”, informou o IBPT.

Segundo o IBPT, o Brasil, com arrecadação “altíssima e péssimo retorno desses valores”,  fica atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.

Fonte: Portal G1

Perspectivas econômicas até 2060 segundo a OCDE

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), fez um estudo comparativo entre as economias: membros da OCDE, não membros e países emergentes. Segue abaixo um retrospecto desse estudo.

Previsão do PIB mundial até 2060. Fonte OCDE.

Divergentes padrões de crescimento em longo prazo levam às mudanças radicais no tamanho relativo das economias. Os Estados Unidos deve ceder o seu lugar como a maior economia do mundo para a China, já em 2016. O PIB da Índia também deve ultrapassar o dos Estados Unidos em longo prazo. Combinados, os dois gigantes asiáticos em breve ultrapassarão a economia coletiva das nações do G7. O rápido envelhecimento dos pesos pesados econômicos, como o Japão e a zona do euro, irá gradualmente perder terreno na mesa do PIB global para países com uma população mais jovem, como Indonésia e Brasil. (veja gráfico).

PIB Per Capita 2011. Fonte OCDE.

As taxas de crescimento mais rápido da China e da Índia implicam que seu PIB combinado será superior ao dos sete grandes (G7) países da OCDE por volta de 2025, e em 2060 será de mais de 1,5 vezes maior, enquanto que em 2010 a China e a Índia representavam menos da metade do PIB do G7. Surpreendentemente, o PIB combinado desses dois países será maior do que toda a área da OCDE, com base na associação de hoje  – em 2060 -, ao passo que atualmente corresponde a apenas um terço do mesmo.

Tais mudanças nas partes do PIB mundial serão acompanhadas por uma tendência do PIB per capita de convergir entre os países, no entanto, ainda deixará lacunas significativas nos padrões de vida entre economias avançadas e emergentes.

PIB Per Capita em 2030. Fonte OCDE.

Durante o próximo meio século, a média não ponderada do PIB per capita (em termos de PPC (paridade do poder de compra (ref. 2005), está previsto um crescimento de cerca de 3% ao ano na área da não-OCDE, contra 1,7% na área da OCDE. Como resultado, o PIB per capita nas economias mais pobres irá (ref. 2011) mais do que quadruplicar (em termos de PPC 2005), enquanto que apenas dobrará em economias mais ricas.

China e Índia vão experimentar mais do que um aumento de sete vezes de sua renda per capita em 2060. A extensão do crescimento é mais pronunciada na China e reflete a dinâmica do aumento da produtividade particularmente forte, ocasionando um expressivo ganho de capital na última década. Isto irá trazer a China para 25% acima do nível de renda atual (2011) dos Estados Unidos, enquanto a renda per capita na Índia atingirá apenas a metade do nível dos EUA atual.

PIB Per Capita 2060. Fonte OCDE.

Apesar deste crescimento rápido entre os países emergentes, o taxa de PIB per capita em 2011 e 2060 são projetadas para permanecer muito semelhantes. Mesmo que as diferenças de produtividade e habilidades sejam reduzidas, as diferenças restantes nesses fatores ainda explicam uma parte significativa das lacunas nos padrões de vida em 2060.

Na verdade, para alguns países europeus, onde o envelhecimento é mais pronunciado, a participação econômica dos mais velhos em idade é baixa, esses fatores são suficientes para causar um aumento na disparidade de renda com os Estados Unidos, apesar de contínua convergência da produtividade e dos níveis de competências.

Resumindo

Uma vez que o legado da crise financeira global tenha sido superado, o PIB mundial poderia crescer em torno de 3% ao ano nos próximos 50 anos. O crescimento será habilitado pela continuidade das reformas fiscais e estruturais e sustentadas pelo aumento da participação do relativamente rápido crescimento dos países emergentes na produção mundial.
O crescimento da não-OCDE continuará a ultrapassar a OCDE, mas a diferença vai diminuir nas próximas décadas.

Nos próximos 50 anos haverá grandes mudanças no tamanho relativo das economias mundiais. O rápido crescimento da China e da Índia fará seu PIB combinado medido em paridades do poder de compra (ppc ref. 2005), superar ao das economias do G7 e será maior do que todas as economias da OCDE somadas até 2060.

Não obstante ao rápido crescimento em países de baixa renda e emergentes, ainda irá persistir uma diferença no nível de vida entre os países desenvolvidos e emergentes em 2060.
Na ausência de mudanças políticas ambiciosas, os desequilíbrios surgirão e poderiam prejudicar o crescimento.

Fonte: OCDE

É o fim da economia como a conhecemos – segundo Paul Gilding

Em entrevista concedida ao Jornal O Globo, – Paul Gilding afirma que precisamos rever urgente a nossa atitude econômica. (Divulgação)

Paul Gilding, o autor do livro “A Grande Ruptura”, provoca discussões em todo o mundo quando afirma que chegamos ao fim da trilha do crescimento econômico. No entanto, ele não se vê como um profeta do apocalipse. Muito pelo contrário, o ambientalista é um otimista que acredita no poder de reação da Humanidade: “Podemos ser lentos, mas não somos estúpidos”.

Gilding é um veterano ambientalista, que foi chefe do Greenpeace Internacional, e hoje é consultor de sustentabilidade e professor associado ao Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Aos 52 anos, Gilding vive numa fazenda, na Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, com a mulher e dois de seus cinco filhos. Durante suas férias no verão australiano, Gilding falou ao GLOBO sobre o fim da economia como a conhecemos hoje.


O GLOBO: 
O senhor diz em seu livro que a busca por lucro e crescimento econômico chegou ao limite. A que se refere a grande ruptura do título?

PAUL GILDING: A grande ruptura é o fim da economia como a conhecemos, do consumismo desenfreado, de um estilo de vida e de um crescimento econômico que não medem o impacto nos recursos finitos do planeta.

O que podemos fazer individualmente para ajudar a retardar esse processo?


GILDING: 
O mais importante a fazer é aprender como podemos melhorar a qualidade de nossas vidas. No mundo moderno, estamos focados em fazer mais dinheiro, consumir mais bens materiais, ter casas maiores e por aí afora. Significa que temos mais custos, que temos de trabalhar mais para pagar um custo cada vez maior e definitivamente não é assim que melhoramos nossa qualidade de vida… Precisamos aprender a viver com menos, para termos mais tempo de fazer o que nos deixa realmente felizes. Coisas simples como viver em comunidade, ficar com a família e os amigos.

O mundo está passando por uma mudança bastante importante: enquanto os países ricos estão afundados numa enorme crise financeira, os emergentes estão indo às compras. Mas precisam zerar uma dívida social enorme, o que significa mais gente consumindo, mais gente comendo, mais gente gastando dinheiro. Como fechar essa conta?


GILDING: 
Eu acho que temos diferentes abordagens para diferentes países. Os ricos terão de fazer uma dramática redução nos gastos e no consumo. Primeiro, porque está muito claro que nosso planeta não sustenta esse ritmo de crescimento econômico; e segundo, porque também está claro que dessa forma não vamos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos desses países. Mas é diferente quando falamos de pessoas vivendo em países em desenvolvimento. É como se o mundo tivesse de abrir espaço para o crescimento. E, na verdade, os países em desenvolvimento estão presos numa armadilha dos ricos, que resolvem tudo com o crescimento econômico. A verdade é que movimentos como Ocupem Wall Street nos mostram que o crescimento econômico não entrega sempre uma integridade social; ao contrário, pode criar mais conflitos e divisões na sociedade. Nós temos de criar um novo modelo de progresso, que permita o desenvolvimento sem sacrificar os processos e o planeta. E países como o Brasil, por exemplo, têm neste momento uma grande oportunidade de fazer diferente, de tentar novos meios de governar uma sociedade em equilíbrio com o mercado.

Para especialista a década terá uma grave crise


De quantos planetas Terra precisaríamos para sustentar a taxa de crescimento atual?


PAUL GILDING: 
Precisaríamos de dois planetas Terra em 2030 para sustentar o crescimento de hoje. Três ou quatro em 2050. É impossível manter este ritmo porque temos uma só. Estamos destruindo a infraestrutura sobre a qual a economia foi construída. Quanto mais danificamos a terra, os oceanos, menos o planeta poderá suportar.

O senhor já disse que acredita numa mobilização da sociedade para as mudanças que estão por vir. Estamos acelerando o passo dessa mobilização?


GILDING: 
Em geral, não estamos realmente mobilizados. Ainda. Mas vejo que, desde que comecei a palestrar sobre a grande ruptura de que falo no livro, há uma aceitação maior ao fato de que precisamos discutir uma nova abordagem. Tanto que hoje muitos experts adotaram a ideia e falam sobre o equilíbrio que deve haver entre o crescimento econômico e o balanço social.

O senhor é um otimista?


GILDING: 
Sim! Eu sou um otimista incomum. Acho que o mundo vai ficar muito instável, que vai sofrer uma crise complexa, com muitos conflitos e um grande rompimento econômico. Mas nossa sociedade reage bem às crises. Então, apesar de muitas pessoas me acharem um pessimista quando digo que essa crise é inevitável, eu discordo. Sou otimista sobre o potencial de resposta da Humanidade a momentos como este, e a sua capacidade de fazer mudanças, e muito rápidas. Basta olhar o exemplo da Segunda Guerra Mundial e de como os ingleses reagiram numa situação limite. Nós somos realmente bons, extraordinários numa crise, temos grande capacidade de transformação e mobilização. Essa reação é universal.

Quando o senhor espera que deva acontecer essa grande parada da economia?


GILDING: 
Nesta década. Não estamos mais falando de longo prazo, para os filhos de nossos filhos. Vai acontecer logo, pois, quando algo é insustentável, eventualmente para. Também acredito que durará bastante, porque teremos exaustão de recursos e vejo o fornecimento de comida como uma das questões de maior importância.

Segundo as projeções atuais, vamos chegar a 2050 com nove bilhões de pessoas no planeta que precisarão de comida.


GILDING: 
Não é com a quantidade de pessoas vivendo, mas com o estilo de vida delas que temos que nos preocupar. É possível termos nove bilhões de pessoas e alimentá-las. Na Índia, as emissões de carbono estão em duas toneladas per capita, enquanto nos Estados Unidos vemos 26 toneladas per capita. Só não será possível se vivermos como hoje nos países ricos, sem pensarmos no desperdício e em como conduzimos nosso consumo.

O que o senhor ensina para seus filhos sobre o futuro do planeta?


GILDING: 
Você não quer que as crianças fiquem preocupadas com o futuro. Mas eu procuro ensinar as coisas em que acredito. Eu tenho cinco filhos, quero que eles sejam felizes. Eu tento ensinar como viver bem sem precisar de muito. Quero que eles saibam como é possível ter uma boa vida num mundo de nove bilhões de pessoas.

Fonte: O Globo

Reservas do Brasil superam as dos EUA e Canadá juntas

Ranking das reservas internacionais dos principais países

Em um relatório divulgado em 3 de setembro/2011, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que o Brasil tem a sexta maior reserva internacional do mundo, de US$ 335 bilhões em junho. O País tem dados mais recentes, mostrando que tal montante atingiu US$ 347 bilhões nesta semana. Mas o fundo usa dados de junho porque nem todos os bancos centrais publicam seus números diariamente.

No relatório, o FMI não divulga o ranking completo, com os cinco países que estão à frente do Brasil nesse indicador. Em seu site, o fundo traz dados de 73 nações, mas exclui algumas importantes, como a China, cujas reservas já superaram US$ 3 trilhões.

Mesmo assim, os dados à disposição no site permitem enxergar um cenário curioso. As reservas brasileira, por exemplo, superam as dos Estados Unidos (US$ 142,9 bilhões) e Canadá (US$ 64 bilhões) juntas.

Fonte:Estadão

Potências científicas emergentes

Brasil pretende investir até 2.5% do PIB em pesquisa até 2022

A ciência dos países em desenvolvimento é destaque no relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century, produzido pela Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, e divulgado no dia 28. De acordo com o documento, Brasil, China, Índia e Coreia do Sul estão “emergindo como atores principais no mundo científico para rivalizar com as superpotências tradicionais” – Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.

Na China, o investimento em pesquisa e desenvolvimento tem crescido a uma média de 20% ao ano desde 1999, chegando aos US$ 100 bilhões (ou 1,44% do PIB) em 2007. E o país pretende investir ainda mais, alcançando um investimento no setor de 2,5% do PIB até 2020.

“O crescimento da China é sem dúvida o mais impressionante, mas Brasil, Índia e Coreia do Sul estão rapidamente no mesmo caminho e (com base na simples extrapolação de tendências existentes) poderão ultrapassar a produção [científica] da França e do Japão no início da próxima década”, disse o relatório.

“O Brasil, na linha de sua aspiração de se tornar uma ‘economia do conhecimento natural’, com base em seus recursos naturais e ambientais, está trabalhando para aumentar o investimento em pesquisa de 1,4% do PIB, em 2007, para 2,5%, em 2022”, apontou o relatório – segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o país aplicou 1,1% do PIB em ciência em 2007.

O documento também identifica outros países que estão se destacando no cenário internacional, ainda que não tenham uma sólida base no setor, como Cingapura, Irã, Tunísia e Turquia.

“O mundo científico está mudando e novos atores estão surgindo rapidamente. Além da emergência da China, notamos evoluções no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e no norte da África, entre outros. O aumento da pesquisa e da colaboração científica, que pode nos ajudar a encontrar soluções para os desafios globais, é muito bem-vindo”, disse Sir Chris Llewellyn Smith, que presidiu o grupo consultor do estudo.

“Os dados do relatório da Royal Society são interessantes e registram o progresso que o Brasil vem tendo nos últimos 20 anos no aumento de sua produção científica. Alguma cautela deve ser adotada entretanto, pois, após 2008, com a crise econômica mundial, pode ter havido mudanças nas tendências extrapoladas. Além disso, o relatório parece ter se baseado muito em fontes secundárias em vez de usar as fontes primárias de dados, que seriam mais confiáveis”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Artigos publicados

Uma grande variedade de dados foi analisada para o levantamento, incluindo tendências no número de publicações científicas produzidas por todos os países.

Os dados de publicações e citações foram produzidos e analisados em colaboração da Royal Society com a Elsevier, utilizando a base Scopus e resumos da literatura científica global analisada por pares.

Os dados indicam mudanças na autoria dos artigos científicos entre os períodos de 1993-2003 e 2004-2008. Embora os Estados Unidos ainda continuem na liderança, sua parcela na produção científica mundial caiu de 26% para 21% entre os períodos. A China, por sua vez, passou de sexto para o segundo lugar, pulando de 4,4% para 10,2% do total. O Reino Unido continua em terceiro, mas com queda de 7,1% para 6,5%.

O relatório da Royal Society também avaliou dados referentes a citações dos artigos, indicador frequentemente usado para avaliar a qualidade das públicações e o reconhecimento dos trabalhos dos pesquisadores por seus pares.

Nos dois períodos analisados, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar no ranking, seguidos pelo Reino Unido. Mas os dois tiveram queda nos números apresentados, enquanto se percebe o crescimento dos países emergentes nas citações, especialmente da China.

Concentração da pesquisa

O relatório destaca também a concentração das atividades científicas dentro dos países, como nos Estados Unidos, onde três quartos do investimento em ciência e tecnologia estão concentrados em dez estados, com a Califórnia sozinha sendo responsável por mais de um quinto do total nacional.

“Na maioria dos países há concentração da atividade de pesquisa em determinados locais. Moscou responde por 50% dos artigos publicados na Rússia; Teerã, Praga, Budapeste e Buenos Aires chegam a 40%, e Londres, Pequim, Paris e São Paulo, a 20% da produção nacional”, apontou.

De acordo com o relatório, o notável crescimento de São Paulo, que pulou, na última década, 21 posições na lista das cidades que mais publicam artigos científicos no mundo, “reflete o rápido crescimento da atividade científica no Brasil e o papel da cidade como a capital do estado com a mais forte tradição científica”.

Nesse ponto, a publicação destaca a definição, pela Constituição do Estado de São Paulo de 1947, de um orçamento próprio para a FAPESP, baseado na transferência de 0,5% do total da receita tributária do Estado, percentual posteriormente elevado para 1%, pela Constituição de 1989.

Segundo o texto, na busca competitiva global por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, instalações e talentos científicos, são cidades e regiões, e não países, as unidades mais relevantes.

“As cidades e regiões líderes científicas são bem-sucedidas porque facilitam o intercâmbio entre instituições e organizações. Elas geralmente oferecem uma concentração elevada de talento diversificado, capaz de apoiar uma economia baseada no conhecimento”, indicou.

Colaboração internacional

A publicação também enfatiza a crescente importância da colaboração internacional na condução e no impacto da ciência global e sua capacidade para resolver desafios globais, tais como segurança energética, mudanças climáticas e perda de biodiversidade.

O relatório concluiu que a ciência está se tornando cada vez mais global, com pesquisas cada vez mais extensas e conduzidas em mais locais. A colaboração tem crescido rapidamente e atualmente 35% dos artigos publicados em periódicos internacionais resultam da cooperação entre pesquisadores e grupos de pesquisa. Há 15 anos, o total era de 25%.

“A ciência é um empreendimento global. Hoje, há mais de 7 milhões de pesquisadores no mundo, que utilizam um investimento combinado em pesquisa e desenvolvimento superior a US$ 1 trilhão (um aumento de 45% desde 2002), leem e publicam em cerca de 25 mil periódicos científicos por ano”, indicou.

“Esses pesquisadores colaboram uns com os outros, motivados pelo desejo de trabalhar com as melhores pessoas e instalações no mundo, e pela curiosidade, buscando novos conhecimentos que permitam avançar seu campo ou lidar com problemas específicos.”

Língua da pesquisa

O relatório ressalva que, embora o inglês seja a “língua franca” da pesquisa, há ainda barreiras linguísticas importantes para a ciência mundial. No Brasil e na América Latina, por exemplo, há dificuldade em avaliar o impacto da pesquisa produzida no país e na região, uma vez que a maioria dos artigos é publicada em português ou espanhol e não é capturada pelas métricas globais.

As barreiras impostas pelas diferentes línguas ajudam a fazer com que a colaboração entre os países em desenvolvimento ainda seja mínima. “Enquanto as relações entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) cresceram recentemente, elas perdem em comparação com o volume da colaboração entre esses países individualmente e seus parceiros no G7”, apontou.

O relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century está disponível em: http://royalsociety.org/policy/reports/knowledge-networks-nations.

Fonte: Agência FAPESP

{rcristo}

Curitiba tem 24,2% do PIB do Estado

A concentração de renda segue bastante acentuada apesar da melhora de diversos indicadores. Essa foi a principal conclusão da pesquisa sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados divulgados, ontem, apontaram que apenas seis dos 5.564 municípios brasileiros geravam aproximadamente um quarto de toda a renda do país em 2008 (R$ 3,031 trilhões).

Números do PIB dos municípios em 2008

A capital paranaense desponta nesse seleto grupo, ocupando a quarta posição entre as cidades com maiores PIBs do País, detendo 1,4% de participação no total. Partindo para a situação entre os estados, o IBGE considerou ainda mais discrepante as diferenças entre as principais cidades e o interior.

No Paraná, dez dos 399 municípios concentram 58% do PIB do Estado (R$ 179,2 bilhões), e só a capital responde por 24,2% (R$ 43,3 bilhões), segundo cálculos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

“Dá para dizer que no caso do Paraná a diferença de perfis econômicos entre a capital e o interior contribui para essa realidade, já que a geração de renda na Grande Curitiba é puxada pela indústria, e no interior pela agropecuária. Isso é evidenciado pelo ranking dos PIBs, depois de Curitiba, aparecem duas cidades da Região Metropolitana. Tanto Araucária (com PIB de R$ 11 bilhões) quanto São José dos Pinhais (com PIB de R$ 10,4 bilhões) contam com uma forte atividade industrial para a geração de renda”, analisa o pesquisador do Ipardes Fernando de Lima.

A opinião é compartilhada pelo chefe do IBGE no Paraná, Sinval Dias do Santos. “O arranjo produtivo do município determina todo o desempenho do PIB. Possuir um importante complexo industrial ou uma grande empresa de serviços é fundamental”, afirma Santos.

Baixa mobilidade

Entre os primeiros do ranking de contribuição para o PIB do País em 2008 ficaram São Paulo (11,8%), Rio de Janeiro (5,1%), Brasília (3,9%), Curitiba (1,4%), Belo Horizonte (1,4%) e Manaus (1,3%).

As capitais que aparecem entre os seis municípios com maiores PIBs em 2008 são as mesmas desde o início da série, em 1999, detendo 25% do PIB do País. “É muito difícil alguém mudar de posição nas posições mais altas das tabelas e isso confirma a nossa alta concentração de renda. As transformações são mais nítidas nos municípios com PIBs menores, onde qualquer alteração se percebe nos números. Nesse sentido, é possível notar que algumas cidades de Minas Gerais e do Pará cresceram em função do bom momento para a extração de minérios”, informou a técnica do IBGE Raquel Calegário Gomes.

Nesse sentido, vale observar que o Paraná reduziu de 6,2%, em 2007, para 6%, em 2008, a participação no PIB. Segundo o IBGE, a redução foi um impacto direto do aumento da produção petrolífera em outros estados da federação.

Fonte:Paraná Online