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A percepção e imaginação de Rogan Brown

O artista plástico Rogan Brown, mostra a sua arte espelhada nas formas mais complexas da natureza. Ele próprio afirma que seu trabalho é explorar e reapresentar as formas orgânicas e naturais, tanto minerais quanto vegetais. Olhando os padrões de repetidos motivos que percorrem os fenômenos naturais em diferentes escalas, do microscópico ao macroscópico, a partir de células individuais e formações geológicas de grande porte.

Citações do autor dos desenhos em papel

“Sou inspirado em parte pela tradição do desenho científico e modelismo, e particularmente ao trabalho de artistas-cientistas como Ernst Haeckel. Mas, embora a minha abordagem envolva a observação cuidadosa e detalhada (científica), desenhos preparatórios são sempre substituídos pelo trabalho da imaginação, tudo tem que ser refratado através do prisma da imaginação, distante e, de alguma forma transformada.

Quero comunicar meu fascínio com a imensa complexidade das formas naturais e é por isso que o processo por trás do meu trabalho é tão importante. Cada escultura é extremamente demorada e trabalhosa e este trabalho é um elemento essencial não só na construção, mas também no significado de cada peça. O artefato acabado é realmente só o vestígio fossilizado e fantasmagórico deste longo processo lento, de realização. Escolhi papel como um meio, porque capta perfeitamente aquela mistura de delicadeza e durabilidade que para mim caracteriza o mundo natural.”

“A árvore que faz alguns verterem lágrimas de alegria é, aos olhos de outros, só uma coisa verde que atravanca o caminho. Alguns vêem a Natureza como algo ridículo e deformado e outros mal lhe dirigem um olhar. Mas para os olhos do homem imaginativo, a Natureza é a própria Imaginação. “William Blake (1757-1827)”.

Veja abaixo as ilustrações em papel

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Kara – Sonho Quântico (Animação Full HD)

Project Kara é uma “Tech Demo” criada em 2012 pela Quantic Dream (Heavy Rain, 2010) para mostrar a sua, até então, nova engine de jogo.

O curta-metragem mostra uma linha de montagem de androides com inteligência artificial e características humanas incríveis, mas tudo fica realmente interessante quando acontece uma interação emocional partindo do androide para o operador das máquinas.

Um trabalho muito lindo que já era de se esperar de uma desenvolvedora que encantou o mundo dos games com “Heavy Rain”, e claro, merece uma versão brasileira especial da Think Mind

Fonte: Think Mind Productions

A educação precisa ser readaptada segundo o pesquisador Marc Prensky

"Educamos para um contexto que não existe mais", afirmou o especialista Marc Prensky. Divulgação.

“Educamos para um contexto que não existe mais”, afirmou o especialista Marc Prensky. Divulgação.

Mais do que mudar a forma como a tecnologia é usada na educação, a proposta de Marc Prensky é mudar toda a educação, pois ela é “terrível” em todos os lugares do mundo. O especialista em educação e tecnologia, convidado da Fundação Telefônica na Campus Party Brasil deste ano, explicou em palestra na noite desta terça-feira sobre como os “nativos digitais” precisam ter de seus professores.

O termo “nativos digitais” refere-se às pessoas que já nasceram na era digital, e se opõe aos “imigrantes digitais”, ou aqueles que conheceram o mundo antes da internet. O palestrante americano mostrou uma foto sua em 1970, com um violão, e depois outra atual, com um tablet. Na sua percepção, os nativos digitais têm mais facilidade de adaptação.

“O mundo todo está em uma má situação em termos de educação”, diz, “não são só países como o Brasil, só países em desenvolvimento”. “E por que digo que a educação é terrível? Porque educamos para um contexto que não existe mais”, afirmou, explicando que hoje em dia não se precisa de matemática, ciência e física como na época em que essas temáticas foram incluídas no currículo. “E ninguém ouve quando alguém diz, ‘vamos fazer isso diferente'”, completou.

Na visão de Prensky, o foco da educação deveria estar nos “verbos” e não nos “substantivos”. “Questionamos se as crianças deveriam usar o PowerPoint, a Wikipédia em sala. Mas isso são ‘substantivos’. O que realmente queremos é os ‘verbos’: apresentar, aprender, ler”, explicou. “Os verbos não mudam, queremos os mesmos ‘verbos’ há mil anos”, resumiu, citando pensamento crítico, lógica, criatividade. “E há muitos desses verbos, mas temos que nos perguntar: quais são os ‘verbos’-chave? E só depois que soubermos disso, nos perguntamos quais ‘substantivos’ vamos usar”, definiu.


Cérebro estendido

Para responder a essas perguntas, o especialista apresentou o conceito do cérebro estendido, uma soma do cérebro de cada um com as possibilidades oferecidas pela tecnologia. Para o pesquisador, o cérebro é bom em algumas atividades, mas pode se beneficiar das máquinas para, por exemplo, “lembrar tudo ou processar três milhões de dados”. Em um dos slides, Prensky resumiu a ideia com uma citação de uma criança de 10 anos: “antigamente as pessoas precisavam saber de cor os números de telefone”.

A forma de lidar com esse cérebro estendido seria, pois, combinar as potencialidades das máquinas e dos cérebros. “E acho que é isso que vocês estão fazendo aqui. Vocês são as pessoas que vão criar a inovação”, afirmou à audiência do palco principal do Anhembi Parque.

Para falar sobre suas ideias aplicadas à educação, o pesquisador citou um estudante que disse “a coisa mais inteligente que já ouviu”: que professores entendem a tecnologia como ferramentas, enquanto estudantes a entendem como uma fundação, uma base que se estende sob o restante.


Trivial x poderoso

Prensky também falou de como vê a tecnologia envolvida na educação de duas formas, uma “trivial” e a outra “poderosa”. “A primeira é fazer as mesmas coisas que sempre fizemos, em novas formas – sempre escrevemos, agora temos um blog ou usamos teclado. Eu chamo de trivial, não porque não é importante, mas porque já fazíamos antes. E há as coisas que não podíamos fazer, que chamo de poderosas”, explicou citando chamadas de voz por IP, tweets, impressão 3D, inteligência artificial, jogos, simulações e robótica entre as formas “poderosas” de a tecnologia influenciar a educação.

“Mas por mais que gostemos de tecnologia, é preciso lembrar que há coisas muito importantes na educação que a ela não faz”, destacou, citando empatia, escolha e paixão. Para ele, essas são as coisas que o cérebro faz melhor, e que é nisso que os professores devem se focar, adaptando o ‘como’ ensinam.

E é preciso adaptar também, segundo Prensky, mudar o “o quê” se ensina. Ele defende que no novo modelo de educar os jovens sejam “nós da rede”, que possam se conectar o máximo possível e que os professores orientem o percurso, fazendo, de acordo com o pesquisador, o que cada um faz melhor: os estudantes, se conectar e achar os conteúdos, e os professores: questionar, orientar e avaliar.

“Muito se diz que a escola precisa ensinar ‘o básico’ para as crianças, mas ‘o básico’ também está mudando” – defendeu – apresentando sua proposta do que seria o novo “básico” da educação formal, que ele chamada de eTARA, sigla em inglês para o conjunto de pensamento, ação, relacionamento e conquista efetivos. Programar, na lista de Prensky, é parte de pensamento efetivo, assim como ética de relacionamento, e empreendedorismo de ação.

O pesquisador finalizou incentivando os empreendedores e geeks que o ouviam a criar aplicativos, programas e outras ferramentas para mudar a forma do ensino usando a tecnologia.

Campus Party Brasil 2013

Campus Party Brasil 2013A sexta edição da Campus Party Brasil, uma das maiores festas de inovação, tecnologia e cultura digital do mundo, acontece entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro no Anhembi Parque, em São Paulo. Na Arena do evento, 8 mil pessoas têm acesso à internet de alta velocidade e a mais de 500 horas de palestras, oficinas e workshops em 18 temáticas, que vão desde mídias sociais e empreendedorismo até robótica e biotecnologia. Cinco mil desses campuseiros passam a semana acampados no local.

A 6ª edição traz ao Brasil nomes como o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros homens a pisar na Lua, e o fundador da Atari, Nolan Bushnell. Em sua sexta edição em São Paulo, a Campus Party também teve no ano passado a primeira edição em Recife (PE). O evento acontece ainda em países como Colômbia, Estados Unidos, México, Equador e Espanha, onde nasceu em 1997.

Nas edições brasileiras anteriores, o evento trouxe ao País nomes como Tim Berners-Lee, o criador da Web; Kevin Mitnick, um dos mais famosos hackers do mundo; Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos; Steve Wozniak, que fundou a Apple ao lado de Steve Jobs; e Kul Wadhwa, diretor-geral da fundação Wikimedia,que mantém a Wikipédia.

Fonte: Tecnologia Terra

Informações sobre a Campus Party 2013: Campus Party 2013

A NASA responde – O mundo não vai acabar em 2012

Uma imagem “mármore azul” da Terra tirada pela Radiometer Imager Visible/Infrared Suíte instrumento (VIIRS) a bordo do satélite Suomi NPP da NASA. Esta imagem composta usa um número de faixas da superfície da Terra, tiradas em 4 de janeiro de 2012. Créditos: NASA/NOAA/GSFC/Suomi NPP/VIIRS/Norman Kuring

Uma imagem “mármore azul” da Terra tirada pela Radiometer Imager Visible/Infrared Suíte instrumento (VIIRS) a bordo do satélite Suomi NPP da NASA. Esta imagem composta usa um número de faixas da superfície da Terra, tiradas em 4 de janeiro de 2012. Créditos: NASA/NOAA/GSFC/Suomi NPP/VIIRS/Norman Kuring

Perguntas respondidas pela Nasa sobre os boatos de fim de mundo em 2012.


Existem ameaças para a Terra em 2012? Muitos sites da internet dizem que o mundo vai acabar em dezembro de 2012?

O mundo não vai acabar em 2012. Nosso planeta vem resistindo a todos os tipos de ameaças cósmicos por mais de 4 bilhões de anos, e os cientistas em todo o mundo não conhecem nenhum tipo de ameaça associada com 2012.


Qual é a origem da previsão de que o mundo iria acabar em 2012?

A história começou com alegações de que Nibiru, um planeta supostamente descoberto pelos sumérios, está se dirigindo para a Terra. Esta catástrofe foi inicialmente prevista para maio de 2003, mas quando nada aconteceu a data do fim foi movida para dezembro de 2012 e ligada ao fim de um dos ciclos do calendário Maia, no solstício de inverno em 2012 – daí a data do fim do mundo previsto para 21 de dezembro de 2012.


Será o fim do calendário maia em dezembro de 2012?

Assim como o calendário que você tem em sua parede da cozinha não deixará de existir após 31 de dezembro, o calendário Maia não deixará de existir em 21 de dezembro de 2012. Esta data é o final do período de contagem mais longo, mas depois – assim como seu calendário começa novamente em 1 de janeiro – outro longo período de contagem começa para o calendário Maia.


A NASA está prevendo um “apagão total” na Terra entre 23 a 25 dezembro?

Absolutamente não! Nem a NASA, nem qualquer outra organização científica está prevendo tal apagão. Os relatórios falsos sobre esta reivindicação de que algum tipo de “alinhamento do Universo” irá causar um apagão. Não há esse alinhamento (ver pergunta seguinte). Algumas versões deste rumor citam uma mensagem de preparação para emergências do administrador da Nasa, Charles Bolden. Isto é simplesmente uma mensagem incentivando as pessoas a se preparar para emergências, registrados como parte de uma ampla campanha do governo para preparação. Ele nunca menciona um apagão.


Poderiam os planetas se alinhar de uma forma que impactasse a Terra?

Não há alinhamentos planetários nas próximas décadas e até mesmo se estes alinhamentos ocorressem, seus efeitos sobre a Terra seriam insignificantes. Um alinhamento maior ocorreu em 1962, por exemplo, e outros dois aconteceram durante 1982 e 2000. Todo mês de dezembro a Terra e o Sol se alinham com o centro aproximado da Via Láctea, sendo um evento anual com nenhuma consequência.


Existe um planeta anão ou marrom chamado Nibiru ou Planeta X ou Eris que está se aproximando da Terra e ameaçando nosso planeta com a destruição generalizada?

Nibiru e outras histórias sobre planetas retrógrados são uma farsa que circula pela Internet. Não há nenhuma base factual para essas reclamações. Se Nibiru ou Planeta X eram reais e se dirigissem para um encontro com a Terra em 2012, os astrônomos teriam detectado sua aproximação por pelo menos uma década antes, e seria visível até mesmo a olho nu. Obviamente, não existe. Eris é real, mas é um planeta anão semelhante a Plutão, residindo no sistema solar exterior; o mais próximo que ele pode vir à Terra é cerca de 4 bilhões de quilômetros.


O que é a teoria do deslocamento polar? É verdade que a crosta da Terra faz uma rotação de 180 graus em torno do núcleo em questão de dias, se não horas?

A inversão da rotação da Terra é impossível. Há movimentos lentos dos continentes (por exemplo, a Antártida estava perto do equador há centenas de milhões de anos atrás), mas isso é irrelevante para reivindicações de inversão dos polos de rotação. No entanto, muitos dos sites sobre desastre enganam as pessoas com informações falsas. Eles reivindicam uma relação entre a rotação e a polaridade magnética da Terra, que muda de forma irregular, com uma inversão magnética que ocorre a cada 400 mil anos, em média. Tanto quanto sabemos, tal reversão magnética não causa qualquer dano à vida na Terra. Os cientistas acreditam que uma reversão magnética é muito improvável de acontecer nos milênios seguintes.


A terra está em perigo de ser atingida por um meteoro em 2012?

A Terra sempre foi sujeita a impactos de cometas e asteroides, embora grandes impactos sejam muito raros. O impacto da última grande era do Cretáceo há 65 milhões de anos atrás, e que levou à extinção dos dinossauros. Hoje os astrônomos da NASA estão realizando um levantamento chamado Pesquisa Spaceguard (monitorar o espaço) para encontrar quaisquer grandes asteroides próximos da Terra muito antes de uma possível colisão. Nós já determinamos que não há asteroides ameaçadores tão grandes quanto o que matou os dinossauros. Todo este trabalho é feito abertamente com as descobertas publicadas todos os dias no site Near-Earth, construído com esse objetivo pela NASA, para que você possa ver por si mesmo que nada está previsto para acontecer em 2012.


Como é que os cientistas da NASA se sentem sobre reivindicações do fim do mundo em 2012?

Para quaisquer alegações de desastres ou mudanças dramáticas em 2012, onde está a ciência? Onde estão as provas? Não há ninguém, e por todas as afirmações ficcionais, se são feitas em livros, filmes, documentários ou através da Internet, não podemos mudar esse fato simples. Não há provas credíveis para qualquer uma das afirmações feitas no apoio de eventos incomuns que ocorreriam em dezembro de 2012.


Existe um perigo de gigantes tempestades solares previstos para 2012?

A atividade solar tem um ciclo regular, com picos que ocorrem a cada 11 anos aproximadamente. Perto desses picos de atividade, explosões solares podem causar uma interrupção das comunicações por satélite, embora os engenheiros estejam aprendendo a construir eletrônicos que estão protegidos contra a maioria das tempestades solares. Mas não há riscos especiais associados a 2012. O próximo máximo solar ocorrerá no período de tempo 2012-2014 e está previsto para ser um ciclo médio solar, não diferente de ciclos anteriores ao longo da história.

Fonte: Nasa

Facebook compra aplicativo Instagram por US$ 1 bilhão

Aplicativo gratuito para o compartilhamento de fotos "Instagram" é comprado pelo Facebook por 1 Bilhão de dólares.

Por volta das 14h desta segunda-feira – horário e Brasília – o Facebook anunciou a compra do Instagram. A notícia foi dada pelo próprio perfil de Mark Zuckerberg no Facebook e depois compartilhada pelo blog do aplicativo.

Segundo o site Mashable, a compra foi o resultado de um acordo de US$ 1 bilhão, combinados em dinheiro e ações, que deve ser finalizada ao final deste trimestre. Ainda segundo o site, a equipe do Instagram irá se mudar para o Facebook.

No post do Facebook, Zuckerberg afirmou que não se tratará de uma integração com o Facebook. O objetivo é fortalecer o aplicativo e fazer o Instagram evoluir de forma independente, em vez “de simplesmente tentar integrá-lo a tudo que existe dentro Facebook”.

“Planejamos manter características como a opção de postar em outras redes sociais, a opção de não compartilhar suas fotos do Instagram no Facebook e a alternativa de ter seguidores e seguir as pessoas separadamente de seus amigos no Facebook”, afirmou Zuckerberg. “Milhões de pessoas em todo o mundo adoram o app. Instagram e a marca associada a ele. Nosso objetivo é ajudar a divulgar este aplicativo e marca para muitas outras pessoas”, escreveu.

“É importante dizer que o Instagram não vai mudar. Nós vamos trabalhar com o Facebook para evoluir o Instagram e construir a rede. Nós vamos continuar a adicionar novas funções ao produtor e encontrar novas maneiras de criar uma experiência melhor com fotos”, lê-se na postagem do blog do Instagram feita pelo CEO Kevin Systrom.

Chegada ao Android

O Instagram causou comoção nas redes sociais na semana passada depois do anúncio de sua chegada para dispositivos Android. Até então apenas disponível para aparelhos da Apple, o aplicativo já havia alcançado a marca de 37 milhões de usuários. Em menos de 24 horas após sua chegada ao Android, o Instagram teve mais de 1 milhão de downloads.

Fonte:Tecnologia Terra

Um mundo sem finalidade e que não segue uma ordem moral – Leandro Chevitarese

Leandro Chevitarese – Começa suas proposições dizendo que precisamos pensar um mundo que não tem uma ordem moral, seja ela transcendente ou imanente. Faz uma explicação minuciosa da filosofia a partir dos gregos Sócrates/Platão, colocando como primeira evidência: “a razão”. A razão seria como coloca Platão na alegoria da caverna: “somente a razão pode realmente compreender o mundo, e dar um sentido a ele”. Platão com isso, procura nos mostrar que esse é um mundo de sombras, ilusão, equívocos, crenças…, e
por meio da razão, passaríamos a conhecer e aplicar esse conhecimento ao mundo, tornando-o mais compreensível.

Isso nos remete aos seguintes valores: conhecendo-se a verdade, propicia-se ao homem, sair da caverna e ver o mundo como ele realmente é. Eliminando as ilusões aparentes e o remetendo ao mundo real.

Como segunda evidência: temos a reinterpretação do mundo por meio dos ensinamentos do cristianismo Judaico/Cristão; sendo mais intensificado por Santo Agostinho – ou como diria Nietzsche – um platonismo para o povo: existe uma verdade a ser descoberta, existe um tempo linear (um começo: Deus cria o mundo – um meio: vinda de Jesus o Messias, e um fim: o Juízo final – fim do tempo); passa a existir um conceito moral implícito, isto é, um Deus que dita todas essas regras. Subentende-se por essa evidência que embora não saibamos, Deus sabe o que faz, e passamos a trilhar um caminho que poderá nos levar ao paraíso ou ao inverno. Diante disso: existe uma verdade a ser descoberta sobre o mundo, existe uma ação como consequência da descoberta dessa verdade e por fim, existe um sentido para que existamos neste mundo.

Na terceira evidência, começa haver uma separação dos conceitos que no período medieval se baseavam quase que totalmente em ideias religiosas. Neste ponto os iluministas e modernistas: Descartes, Kant, Haegel, etc., passam a afirmar que a partir de agora, nós precisamos saber que existe uma verdade a ser descoberta e que existe um sujeito que descobre essa verdade, que essa verdade remete à racionalidade, formando um sujeito: racional, autônomo e livre. Esse sujeito precisa se orientar pela razão para construir um significado para esse mundo e para sua existência, seja ela individual ou em sociedade.

A partir deste ponto surgem novas dúvidas que remetem ao indivíduo novas perguntas: Qual é o sentido da vida? Qual é propósito de tudo isso? Com tantos avanços na ciência, será que é o momento de esquecer todos aqueles valores que formaram a base de toda a moralidade humana, conforme a primeira e a segunda evidência? Será que é seguro eliminá-las por completo? Seria possível um mundo sem uma ordem moral, sem finalidade e sem sentido? Conseguiríamos viver sem acreditar em valores utópicos que estiveram presentes na primeira e segunda evidência? Será que sem esses valores não caminharíamos para algo ainda pior, aleatório, duvidoso?

A dúvida do projeto moderno começa em Schopenhauer

Analisando em maior profundidade essa questão podemos voltar em Schopenhauer, que no decorrer do século XIX, em seu livro “O mundo como vontade e como representação”, começa afirmando que não há qualquer finalidade para o que fazemos; nenhum sentido pré-estabelecido e nenhuma direção. Somos movidos por uma força irracional, cega e sem nenhum sentido que ele chama de vontade. A partir daí começa os primeiro sinais de desconstrução do projeto moderno. Cuja ideia de um mundo racional, com um sentido, orientado pela racionalidade em direção ao aperfeiçoamento da sociedade, passa a ser duvidoso. Afirma também que não existe uma moralidade implícita na vida!

Isso nos remete também a Karl Marx e Nietzsche, que começam a problematizar a realidade afirmando que estamos sonhando acordados para o fato de que o projeto moderno é algo em que desejamos acreditar, mas na verdade, é impossível de ser atingido, sendo uma enorme mentira que gostamos de acreditar.

Com Nietzsche é instalado o Niilismo no projeto moderno

A filosofia de Nietzsche do final de século XIX e começo do século XX coloca-nos diante de uma verdade avassaladora: a religião, a crença em Deus, o projeto moderno, os valores milenares que nos foram passados, são em sua maioria, absurdos que não têm o menor sentido em nossa realidade concreta (presente) atual.

Diante dessas dúvidas, mergulhamos compulsivamente em um consumismo que tenta dar um sentido às nossas dúvidas e buscas por uma verdade mais apropriada para essa realidade vivida.

Hoje vivenciamos intensamente esse Niilismo

Muitos hoje vivem da compulsão, medicação; uma busca frenética por grupos de autoajuda como resultado de um mundo e de uma sociedade cada vez mais exigentes. Vivemos na transitoriedade, intensidade, cujos bons momentos são sempre a última chance para sermos felizes. E as experiências nos aparecem como a última alternativa, sempre; tudo precisa ser vivido de uma maneira intensa, rápido e as pessoas passam a cobrar se você soube dos últimos fatos, acontecimentos, etc. Construímos com isso uma verdadeira prisão, como resultado das dúvidas, angústias e medos, de não termos mais respostas para a pergunta: qual é o sentido da vida? Estamos realmente perdidos tanto fora quanto dentro de nós mesmos. Esse é um resumo do niilismo vivido por todos nós hoje.

A percepção aguçada de Nietzsche

Nietzsche nos mostra uma alternativa chamada de genealogia da moral: se somos realmente capazes de se perguntar sobre a genealogia (origem) de valores e se realmente esses valores têm um sentido concreto (real) no mundo em que vivemos. Essa problematização nos oferece a chance de questionarmos em nós mesmos qual é o sentido da vida, porque os valores adquiridos (tradicionais) são equivocados e não funcionam mais em nossa atual realidade. Aí surgem novamente as mesmas perguntas: nossos valores são uma herança de nossa sociedade, ou uma dádiva nos dada por um Deus?

Nietzsche afirma que não é nada disso, tudo o que vivenciamos como sendo nossos valores, foi sempre uma criação puramente humana, que não teve nenhuma influência, transcendente ou imanente de nenhum fator ou força externa a nós. Nós é que criamos e destruímos nossas verdades e tudo o que é decorrente delas, não havendo motivos para acreditar em mais nada, além disso.

Resumindo

Com todo o conhecimento que temos hoje podemos concluir que o mundo, a vida, nós e o universo; não têm qualquer finalidade. Nós existimos no meio de outros seres diferentes de nós, ocupamos um espaço que não foi concebido somente para a nossa existência e que nunca fomos especiais em nenhum sentido. Nossas raízes são o cosmos e tudo o que existe são acontecimentos puramente arbitrários e totalmente desprovidos de qualquer sentido que possamos atribuir. Nossos valores são construídos e desconstruídos por nós mesmos no decorrer do tempo. Pensar diferente disso é cair em niilismo, que nada mais é do que tentar transpor um valor por meio de outro, até o ponto de consumir toda a nossa vida numa busca frenética por um sentido final que não existe. O que podemos fazer é nos adaptarmos cada vez mais a esse modo de viver o mundo, cujos valores, ética e moral, estão centrados totalmente em nossa convivência como seres presentes e futuros.

Fonte:Cpflcultura