Coronavírus ÔMICRON Code: B.1.1.529 informações e genoma completo para download

Crédito de imagem Orpheus FX

As novas naves Ômicron (partículas virais) do Coronavírus Sar-Cov-2 são extremamente contagiosas, essas naves viajam pelo ar dentro de micro partículas líquidas (aerodispersóide) e podem infectar seres com pulmões facilitando sua expansão e disseminação.

A pandemia de coronavírus segue firme em rápida expansão em 2022

Até agora, a Síndrome Respiratória Aguda Grave Coronavirus-2 (SARS-CoV-2) reivindicou mais de 6 milhão de vidas no mundo todo. Diversas vacinas da doença do coronavírus (COVID-19) foram desenvolvidas pelos cientistas que receberam a aprovação ou a autorização para uso emergencial, e, subsequentemente, os programas de vacinação começaram em muitas partes do mundo. As vacinas disponíveis têm sido projetadas contra a proteína do ponto da tensão de ligação ACE2, SARS-CoV-2 original que foi relatada em Wuhan, China, em 2019. Estas vacinas induzem anticorpos contra as proteínas do ponto assim como as respostas das células T que protegem contra a doença severa.

Créditos: Nucleous – A faster way to learn health and science.

Ômicron é mais uma das linhagens do vírus SARS-CoV-2 – não confunda o vírus com a doença

Linhagens são definidas como entidades/organismos que compartilham um ancestral comum e apresentam mutações similares. Assim, novas linhagens de diversos organismos surgem a partir de mutações, que em sua grande maioria são prejudiciais a essas entidades. No caso dos vírus, a maioria das mutações não causa mudanças na capacidade de dispersão, infecção ou na gravidade da doença. Entretanto, uma minoria dessas mudanças pode levar o vírus a se tornar mais transmissível ou mais mortal.

Vírus como o SARS-CoV-2 mudam mais rapidamente que outros micro-organismos como bactérias e fungos, sendo classificados em linhagens distintas por pequenas diferenças em seu material genético, que podem ou não ser associadas a novas características virais. Para melhor entender e estudar os vírus, os cientistas criaram um sistema de nomenclatura para as diferentes linhagens do SARS-CoV-2, o que permite comparar os resultados obtidos em qualquer região do planeta e detectar quais linhagens são mais prevalentes e estão circulando em uma área ou em um dado momento. Até o momento um conjunto de mutações foram identificadas em algumas linhagens do coronavírus como Ômicron que permitem estes sejam mais transmissíveis entre as pessoas, mas nada foi encontrado até o momento sobre mutações que levariam a um quadro mais complicado da doença ou mesmo maior mortalidade. Devido às linhagens surgirem continuamente à medida em que o coronavírus infecta uma quantidade maior de pessoas, fica clara a necessidade de monitorar a evolução do genoma viral e a prevalência das diferentes linhagens ao longo do tempo.

Segue o modo correto de ler sobre o Coronavírus

Matemática do coronavírus

Crédito imagem: a matemática na pandemia de COVID-19 – Unifesp

Clique na imagem acima para ler o paper contendo todos os cálculos das naves de corononavírus, sua entrada e fragmentação dentro de nossas células, bem como as equações e fórmulas científicas dos cálculos realizados em laboratório. Também leia este resumo em português: Coronavírus em números.

Qual a diferença entre os Vírus: Coronavírus e Influenza A?

Créditos imagem: Open Edu

A principal diferença reside na dinâmica de replicação/transcrição, o vírus Influenza A, após sua entrada na célula precisa injetar o material genético mRNA dentro do núcleo celular (para fazer a replicação e transcrição). O coronavírus não precisa fazer isso, após sua entrada na célula ele faz a replicação e transcrição no citoplasma fora do núcleo e domina a célula de modo a transformar as organelas ribossomos em fábricas de componentes para montagem de novas naves infecciosas (vírions ativos). Observe a imagem acima.

Ciclo de replicação do vírus influenza A – causador da famosa gripe

Créditos imagem: Open Edu

A gripe é disseminada em gotículas de aerossol que contêm partículas virais (ou por gotículas de núcleos virais dessecados), e a infecção pode ocorrer se estas entrarem em contato com o trato respiratório. A neuraminidase viral cliva polissacarídeos no muco protetor que reveste o trato, o que permite ao vírus atingir a superfície do epitélio respiratório.

A hemaglutinina agora se liga às glicoforinas (glicoproteínas contendo ácido siálico) na superfície da célula hospedeira, e o vírus é captado por endocitose em um fagossomo. Os lisossomos ácidos se fundem com o fagossomo para formar um fagolisossomo e o pH dentro do fagolisossomo cai. Isso promove a fusão do envelope viral com a membrana do fagolisossomo, desencadeando o desprendimento do capsídeo viral e a liberação de RNA viral e nucleoproteínas no citosol.

O RNA genômico viral então migra para o núcleo onde ocorre a replicação do genoma viral e a transcrição do mRNA viral. Esses processos requerem enzimas do hospedeiro e do vírus. O RNA viral de fita negativa é replicado pelo RNA polimerase viral dependente de RNA, em um RNA complementar de sentido positivo cRNA, e essas fitas de RNA positiva e negativa se associam para formar o RNA de fita dupla dsRNA. A fita de cRNA é subsequentemente replicada novamente para produzir novo RNA de fita negativa genômica viral. Parte do cRNA também é processado em mRNA para tradução de proteínas virais. O ciclo de infecção é rápido e as moléculas virais podem ser detectadas dentro da célula hospedeira dentro de uma hora após a infecção inicial.

As glicoproteínas do envelope (hemaglutinina e neuraminidase) são traduzidas no retículo endoplasmático, processadas e transportadas para a membrana plasmática da célula. O capsídeo viral é montado dentro do núcleo da célula infectada. O capsídeo se move para a membrana plasmática, onde brota, levando um segmento de membrana contendo a hemaglutinina e a neuraminidase, e isso forma o novo envelope viral. Os vírus da gripe podem infectar vários tipos de células diferentes de diferentes espécies. Este fenômeno é em parte porque as glicoproteínas celulares que são reconhecidas pela hemaglutinina viral estão amplamente distribuídas no agente infeccioso.

Qual é o termo para a propriedade dos vírus que permite que eles se repliquem apenas em determinados tipos de células?

Esta propriedade é o tropismo viral. Portanto, podemos dizer que os vírus da gripe têm um amplo tropismo.

Uma segunda razão pela qual o vírus pode infectar uma variedade de tipos de células é que a estratégia de replicação da gripe é relativamente simples: “infectar a célula, replicar o mais rápido possível e depois sair novamente”. Este é o efeito citopático do vírus. A morte celular causada diretamente pelo vírus pode ser distinguida da morte celular causada pelas ações do sistema imunológico, uma vez que elimina as células infectadas.

Efeitos da morte celular

A morte celular prejudica a função de um órgão infectado e muitas vezes induz a inflamação, um processo que leva os glóbulos brancos (leucócitos) e as moléculas do sistema imunológico ao local da infecção. Em primeiro lugar, os leucócitos estão envolvidos na limitação da propagação da infecção; mais tarde, eles se envolvem no combate à infecção e, na fase final, limpam os detritos celulares para que o tecido possa se reparar ou regenerar.

Os sintomas da gripe experimentados por uma pessoa infectada são em parte devido ao efeito citopático do vírus, em parte devido à inflamação e em parte como resultado da resposta imune inata contra o vírus. A gravidade da doença depende em grande parte da taxa em que esses processos ocorrem.

Na maioria dos casos, a resposta imune se desenvolve com rapidez suficiente para controlar a infecção e os pacientes se recuperam. Se a replicação viral e os danos ultrapassarem o desenvolvimento da resposta imune, pode ocorrer uma infecção fatal.

Em infecções graves de gripe, os pulmões podem se encher de líquido, pois o epitélio que reveste os alvéolos (sacos aéreos) é danificado pelo vírus. O fluido é ideal para o crescimento de bactérias, e isso pode levar a uma pneumonia bacteriana, na qual os pulmões são infectados por um ou mais tipos de bactérias, como o Haemophilus influenzae. Danos às células que revestem os vasos sanguíneos podem causar sangramento local nos tecidos, e essa forma de “doença fulminante” foi vista regularmente em tecidos pulmonares post-mortem de pessoas que morreram na pandemia de 1918.

Ciclo de replicação do vírus Sars-Cov-2 – causador da doença Covid19

Créditos imagem: Open Edu

O SARS-CoV-2 possui RNA de fita simples em sentido positivo e envelopado, sendo constituído por um genoma de sete genes, conhecidos como: ORF1a, ORF1b, OEF3, S, E, M, e N. Possui um tamanho molecular relativamente pequeno se comparado com uma célula humana, mas grande o suficiente para ficar retido em tecidos, daí a recomendação do uso de máscaras como profilaxia.

Estrutura do coronavírus

Créditos imagem: www.nejm.org
  • Proteínas Spike: São glicoproteínas em formato de coroa localizadas na membrana, essenciais para a infecção das células pulmonares humanas.
  • Membrana: Mais conhecida como capsídeo em vírus, é composta por capsômeros unidos com a função de proteger o conteúdo viral.
  • Envelope viral: Estruturas derivadas do capsídeo e tem como função o armazenamento de proteínas sintetizadas pelo vírus.
  • Nucleocapsídeo: São capsômeros unidos em torno do material genético preservando sua estrutura.
  • Genoma: RNA de fita simples e sentido positivo, responsável pelo armazenamento de informações genéticas com genes que indicam síntese de determinadas proteínas.

Genes codificantes

  • Genes ORF1a/b: Codifica poliproteínas do tipo replicase.
  • Gene S: Codifica produção das proteínas Spike.
  • Gene E: Codifica produção de proteínas que constituem o envelope viral.
  • Gene M: Codifica a produção dos capsômeros que envolvem o citosol.
  • Gene N: Codifica a produção dos capsômeros que envolver a fita de RNA.

Dinâmica molecular do vírion (nave viral infectante)

Uma vez dentro das vias respiratórias, o coronavírus utiliza de suas proteínas spike para a infecção das células do Sistema Respiratório. Essas proteínas possuem um domínio (SARS-CoV-2-CTD) que se liga ao receptor ACE2 das células humanas que é participante na conversão da angiotencina-2. Existem pesquisas que investigam a relação entre a expressão do Gene ACE2 e a suscetibilidade à desenvolver a doença COVID-19.

Estacionamento da nave coronavírus na superfície da célula em pré-fusão e pós-fusão

Propomos que existem duas vias para as mudanças conformacionais (configurações adaptativas) – afirma Chen – da Divisão de Medicina Molecular Infantil de Boston. “Uma é dependente de ACE2 e permite que o vírus entre em uma célula hospedeira. O segundo é independente de ACE2.” Como resultado da mudança espontânea de forma, as naves de coronavírus geralmente carregam as duas formas da proteína spike. A forma rígida expande seus braços a partir da superfície do vírus – quando pousar em uma superfície – por exemplo. Isso poderia explicar por que o vírus parece permanecer viável (infectável) em várias superfícies por horas ou dias.

Estacionamento e fusão da nave do coronavírus com a célula. Créditos: Boston Children’s Hospital

Uma vez ligado à membrana celular, o vírion pode fundir sua membrana à da célula hospedeira e liberar seu material genético no meio intracelular (citosol), dando início ao processo infeccioso em que a célula passa a produzir proteínas virais e atua na multiplicação do vírion.

Proteínas Spike em pré e pós fusão com a célula

Proteínas Spike com as configurações de pré e pós fusão: Créditos: Boston Children’s Hospital

Processo de infecção viral

  1. A proteínas spike reconhecem o receptor ACE2 (pré-fusão)
  2. Ligação entre o domínio SARS-CoV-2-CTD e o receptor ACE2
  3. Fusão das membranas e início do processo infeccioso (pós-fusão)

Processos da replicação viral

  1. Adsorção (Spike/receptor).
  2. Liberação genoma Viral p/ interior celular.
  3. Tradução de enzimas do complexo: Replicação/Transcrição (pol1ab).
  4. Transcrição do RNAm em segmentos de polaridade negativa (-).
  5. Transcrição do RNAm em segmentos de polaridade positiva (+).
  6. Tradução de proteínas estruturais.
  7. Replicação do RNA genômico.
  8. Composição do novo vírion.
  9. Liberação da partícula viral infectante.

A principal razão para o coronavírus SAR-COV-2 ser tão rápido em propagar a pandemia é que ele não precisa chegar ao núcleo celular, bastando apenas invadir uma de nossas células respiratórias – ganha tempo e cada vez mais recursos.

{RC}.

Gestantes infectadas pelo coronavírus podem passar o vírus para o bebê ainda no útero

As evidências atuais suportam que o maior risco de infecção para recém-nascidos ocorre quando a mãe tem o início da COVID-19 perto do momento do parto. Um relatório de vigilância do CDC incluiu 923 recém-nascidos nascidos de mulheres com COVID-19; entre esses recém-nascidos, 2,6% testaram positivo para SARS-CoV-2 após o nascimento. No entanto, entre um subconjunto de 328 bebês nascidos de mulheres com início documentado de infecção dentro de 14 dias antes do parto, 4,3% dos bebês testaram positivo para SARS-CoV-2. Um estudo internacional relatou 416 bebês nascidos principalmente de mulheres grávidas com COVID-19 sintomática no momento do parto e relatou que 13% dos recém-nascidos apresentaram resultado positivo dentro de 48 horas após o nascimento. Deve-se notar que não há uma distinção clara de risco entre infecção materna sintomática ou assintomática; em vez disso, o momento do início da infecção materna (e a capacidade de transmitir o vírus) só pode ser confirmado quando acompanhado pelo início dos sintomas.

Esteja ciente de que você vai contrair o coronavírus, mas isso não significa que ficará doente, desde que, tome as vacinas!

Se você tiver contato com o esgoto pode pegar coronavírus

Segundo um estudo publicado pelo The Lancet – Gastroenterology & Hepatology, entre 16 de janeiro e 15 de março de 2020, registramos 98 pacientes. Amostras respiratórias e fecais foram coletadas de 74 (76%) pacientes. Amostras fecais de 33 (45%) de 74 pacientes foram negativas para SARS CoV-2 RNA, enquanto seus tratos respiratórios permaneceram positivos por uma média de 15,4 dias (SD 6,7) desde o início dos primeiros sintomas. Dos 41 (55%) dos 74 pacientes com amostras fecais positivas para RNA de SARS-CoV-2, as amostras respiratórias permaneceram positivas para RNA de SARS-CoV-2 por uma média de 16,7 dias (SD 6,7) e as amostras fecais permaneceram positivas por uma média de 27,9 dias (10,7) após o início dos primeiros sintomas (ou seja, por uma média de 11,2 dias [9,2] a mais do que para amostras respiratórias). O curso completo da doença dos 41 pacientes com amostras fecais positivas para RNA SARS-CoV-2 é mostrado na figura. Notavelmente, o paciente 1 teve amostras fecais positivas por 33 dias continuamente após as amostras respiratórias se tornarem negativas, e o paciente 4 testou positivo para RNA de SARS-CoV-2 em sua amostra fecal por 47 dias após o início dos primeiros sintomas (apêndice pp 4-5).

Coronavírus nos esgotos de Curitiba 2022

Créditos: Rede Monitoramento Covid Esgotos Curitiba. Clique na imagem para ler o relatório 04/01/2022.

A ciência busca soluções para os problemas existenciais

Confie na ciência e não se preocupe, tome todas as vacinas que puder dentro das recomendações sanitárias do seu país. As vacinas (todas elas, inclusive para as crianças), preparam seu organismo para receber o vírus e não causam danos ao seu organismo caso seja exposto ao vírus. As vacinas facilitam a geração de anticorpos que combatem o vírus – é melhor ter 1 bilhão de vírus dentro de você do que 100 bilhões não acha?! -, neste caso seu organismo pode entrar em falência rapidamente se você não tomar as vacinas.

Obs: existe algum remédio contra o coronavírus? A resposta é: NÃO! Somente as vacinas são recomendas e, mesmo assim, o vírus ainda poderá te contagiar! Não há como se esconder das velozes naves do coronavírus!

Estatísticas atualizadas Brasil e Planeta Terra

Créditos Github: Clique na imagem para acessar os dados em tempo real.
Créditos JHU CSSE COVID: Clique na imagem para atualizar os dados.

Referências Bibliográficas

Nobel de física 2021 premia pesquisadores das mudanças climáticas e sistemas complexos

Em 2015 a maioria dos cientistas já tinha confirmado com 100% de adesão que as mudanças climáticas eram antropogênicas, este mês de outubro/2021, a Academia Sueca de Ciências premiou com o Nobel de física 3 cientistas cujas pesquisas confirmam que estamos mudando o clima do planeta. Segue comentários de nossos cientistas: Sociedade Brasileira de Física.

Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi – Crédito: Niklas Elmehed / Nobel

Pesquisadores das mudanças climáticas ganham Nobel de física 2021

O Prêmio Nobel de Física de 2021 reconheceu contribuições fundamentais para a compreensão dos sistemas complexos. Metade do prêmio foi dado a Syukuro Manabe e Klaus Hasselmannn  “por sua modelagem física do clima da Terra, quantificando sua variabilidade e prevendo com confiança o aquecimento global“. A outra metade ficou com Giorgio Parisi, “por sua descoberta da interação entre desordem e flutuações nos sistemas físicos, na escala atômica à planetária“.

A física do aquecimento global

A oceanógrafa física Ilana Wainer, da Universidade de São Paulo, que estuda o clima realizando experimentos com modelos numéricos de alta complexidade, explica a importância das contribuições de Manabe.

Suki Manabe, como é conhecido no meio acadêmico, foi um dos pioneiros no aprimoramento de modelos numéricos para entender a física do clima. Seus trabalhos serviram de base ao desenvolvimento dos modelos acoplados do sistema terrestre que usamos hoje no IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Eles estabeleceram princípios físicos fundamentais para entender e tentar prever as mudanças do clima nesse intrincado sistema terrestre que habitamos.

Especificamente, seus modelos permitiram testar a relação entre o aumento da concentração de CO2 na atmosfera e o incremento da temperatura. Quando os níveis de CO2 sobem, a temperatura se eleva na baixa atmosfera, mas diminui na alta atmosfera. Os experimentos numéricos feitos por Manabe permitiram estabelecer já na década de 1960 a importância de se reduzirem as emissões de CO2. Isso foi fundamental para permitir o avanço no entendimento das mudanças climáticas (altamente complexas), baseado em princípios sólidos da ciência.

Já o oceanógrafo Klaus Hasselmann descobriu como incorporar nos modelos de previsão climática às mudanças aleatórias que ocorrem a todo momento em variáveis atmosféricas, explica reportagem da revista Pesquisa Fapesp. Inspirado na teoria do movimento browniano, desenvolvida por Albert Einstein em 1905, Hasselmann criou um modelo climático que levava em conta essas variações. Também desenvolveu métodos para identificar o impacto humano no sistema climático.

A física dos materiais desordenados e outros sistemas complexos

A contribuição fundamental de Giorgio Parisi pela qual lhe foi atribuído o prêmio Nobel foi compreender e descrever matematicamente como uma ordem oculta emerge em sistemas desordenados como os vidros”, afirma físico brasileiro Lucas Nicolao, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que de 2010 a 2012 realizou um estágio de pós-doutorado com Parisi. Nicolao explica como a matéria em forma de vidro pode ser entendida.

Líquidos são caracterizados pela sua estrutura desordenada, compostos por um número muito grande de átomos ou moléculas se agitando, colidindo entre si e se difundindo através do líquido. Uma vez resfriado, esse estado da matéria (fase) sofre uma transição para um sólido cristalino, caracterizado pela sua estrutura ordenada – os átomos ou moléculas se organizam em uma estrutura periódica no espaço. Esses estados da matéria possuem propriedades emergentes (macroscópicas) muito diferentes, como sua habilidade de se deformar e sua rigidez. Alguns líquidos, quando resfriados muito rapidamente, não conseguem formar um cristal e formam um vidro – um estado caracterizado microscopicamente pela mesma estrutura desordenada de um líquido, porém rígido, com seus átomos ou moléculas difundindo lentamente em escalas de tempo astronômicas.

Spins são momentos magnéticos intrínsecos dos átomos, que em um material magnético usual, como um ímã, tendem a se alinhar na mesma direção, produzindo uma estrutura ordenada que concede ao ímã sua propriedade magnética macroscópica. Essa propriedade é perdida em altas temperaturas, onde spins individuais se agitam apontando em qualquer direção. Um vidro de spin é um material magnético não usual onde as interações entre spins são aleatórias – um spin tende a se alinhar com um spin vizinho, mas se anti-alinhar com outro. A presença dessas interações conflitantes leva ao fenômeno da frustração, em que um spin não consegue adotar uma direção que satisfaça simultaneamente todas interações entre seus spins vizinhos.

A teoria que Parisi desenvolveu na década de 1980 mostrou que, diferente da fase desordenada em altas temperaturas, regiões distantes do vidro de spin apresentam estruturas ou estados desordenados que não são estatisticamente equivalentes entre si. Isso porque são muitos os estados desordenados estáveis e é difícil ocorrer uma transição entre eles, o que também confere a esse material uma dinâmica lenta. Mais tarde essa teoria, chamada de quebra de simetria de réplicas, foi estendida para o estudo de vidros, materiais granulares como areia, e outros materiais desordenados.

Em todos esses casos, a presença de interações bastante simples, por vezes conflitantes, entre muitos elementos (microscópicos) leva ao surgimento de propriedades coletivas emergentes (macroscópicas) imprevisíveis. Por isso, logo essa teoria se consolidou como uma ferramenta versátil para estudar diversos fenômenos aparentemente aleatórios e ofereceu um cenário paradigmático para sistemas complexos, permitindo importantes avanços na neurociência, ciência da computação, ecologia, economia, redes sociais, entre outras áreas.

Créditos: Sociedade Brasileira de Física

Cloroquina ou Hidroxicloroquina não são recomendáveis para o tratamento da doença COVID-19 (SBI-AMB-OMS)


AMB (Associação Médica Brasileira), divulgação.

A ciência ainda não chegou ao consenso sobre o uso das macromoléculas: Cloroquina ou Hidroxicloroquina para tratar a COVID-19. A recomendação dos cientistas da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia) bem como da AMB (Associação Médica Brasileira) e OMS (Organização Mundial da Saúde), é não usar remédios que não tenham a devida comprovação científica com relação principalmente à segurança no uso dos medicamentos.

Nota de esclarecimento sobre o coronavírus (Sars-Cov2)

Ilustração coronavírus – Imagem: Corona Borealis Studio/Shutterstock.com

Nome do vírus: Sars-Cov-2
Nome da doença causada pelo vírus: COVID-19
Forma principal de infecção pelo vírus: Via Respiratória
Forma de replicação do vírus ao entrar na célula: dentro da célula o vírus Sars-Cov2 não precisa chegar ao núcleo celular, ele pode acessar diretamente partes da célula chamadas ribossomos. Os ribossomos usam a informação genética do vírus para fazer proteínas virais, como as encontradas na superfície externa do vírus chamadas de Spikes (espigões, picos ou espinhos). Essa é a principal diferença do coronavírus em relação ao Influenza H1N1.

Sociedade Brasileira de Imunologia desaconselha uso da cloroquina/hidroxicloroquina Clique e leia o parecer na íntegra!

Ainda é precoce a recomendação do uso deste medicamento na Covid-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina, disse a SBI.
A entidade alega que o medicamento causa efeitos graves em pacientes da Covid-19, com base em estudo recente que avaliou 1.438 pacientes com coronavírus em 25 hospitais diferentes e “mostrou que os pacientes que receberam hidroxicloroquina e azitromicina apresentaram uma maior incidência de falência cardíaca quando comparado ao grupo sem tratamento”.

Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI)

Com relação aos estudos que comprovaram a eficácia da cloroquina em diminuir a carga viral de pacientes testados positivamente, a entidade respondeu informando que estudos em grupos pequenos não tem relevância para comprovar resultado definitivo.

A entidade foi incisiva ao afirmar que não é contra a busca por um tratamento e uma cura para a doença, mas que isso não pode acontecer sem base científica. “Nenhum cientista é contra qualquer tipo de tratamento, somos todos a favor de encontrar o melhor tratamento possível, mas sempre com bases em evidências científicas sólidas”.
Ainda no documento, a SBI analisa que a cloroquina se tornou objeto político, fazendo alusão aos discursos do Presidente da República, que defende o uso do remédio mesmo indo contra os cientistas. “A conotação que a Covid-19 é uma doença de fácil tratamento, vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia. Este posicionamento não apenas carece de evidência científica, além de ser perigoso, pois tomou um aspecto político inesperado”, disse a entidade.

A SBI não pede que a cloroquina seja retirada das opções de tratamento, mas que as conclusões de pesquisas sólidas sejam aguardadas e que haja um posicionamento de estudo da OMS sobre a eficácia do remédio. “A SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da Covid-19”, aconselhou.

Como alternativa, a única forma de contenção do vírus aconselhada pela SBI é o isolamento social, que se mostrou o método mais bem avaliado por cientistas em todo o mundo. “Até que tenhamos vacinas efetivas e melhores possibilidades terapêuticas comprovadas para o tratamento dessa doença, o isolamento social para conter a disseminação do SARS-CoV-2 ainda é a melhor alternativa neste momento”.

O coronavírus é a prova de que o nosso sistema de crenças sem ciência acabou!

Reinaldo Cristo {RC}.

Créditos: amb.org.br, Amazonas Atual, SBI, OMS

Pare de acreditar em inexistentes – Coronavírus é a prova de que o nosso sistema de crenças (sem ciência) acabou!

A ciência é nossa única alternativa para continuarmos sobrevivendo em nosso próprio planeta.

Assista ao desabafo do professor de biologia Samuel Cunha, morador de Curitiba – Pr, sobre a importância do investimento em educação e principalmente na ciência. O professor Cunha tem um canal no YouTube, siga o canal e aprenda muito com suas vídeo aulas de Biologia e Virologia.

O Coronavírus é a prova de que nenhum sistema de crenças poderá parar a disseminação do vírus, nem trazer curas; ao contrário, colocará em perigo a população não importa em qual país você more.

A ciência tem a última palavra em tudo o que podemos imaginar, medir, usar, estudar, descobrir, criar, evoluir, e até mesmo: pensar, etc. A filosofia é importante para podermos fazer as perguntas, mas é a ciência que têm as provas e respostas; a religião e crenças no geral, induzem ao autoengano das pessoas menos esclarecidas e colocam a sobrevivência do ser humano em xeque!

Abandone seu sistema de crenças (com relação principalmente às religiões, seitas, crendices populares, superstições, etc.), pare de acreditar em inexistentes que nada podem fazer por você, pela sua vida e principalmente pelo futuro da humanidade.

Na falta da ciência, a extinção do ser humano é inevitável. {RC}.

Créditos vídeo: Professor Samuel Cunha.

Coronavírus (conheça em detalhes) – informações científicas sobre o vírus

Em pleno século 21 o hábito inconsequente do ser humano está colocando a humanidade em perigo de extinção, só para citar alguns exemplos de péssimos hábitos:

Diante de um fenômeno natural com essas dimensões a atitude mais sensata é confiarmos nos avanços e recomendações da ciência e na cooperação entre os países para resolvermos o mais rápido possível essa crise de saúde pública mundial!

Clique nos mapas estáticos abaixo para acesso ao gráfico atualizado em outra aba do seu navegador

Gráficos atualizados pela Universidade Johns Hopkins

Mapa de infectados pelo coronavírus 10.256.251 em 29/06/2020 em aumento acelerado.

Resumo de infectados, mortos e países atingidos.

Atualizado em 29/06/2020 20:30.

Percentual de letalidade da doença COVID-19 no momento está em 5% (divisão de mortos pelo número de infectados x 100). Ainda não há dados mais precisos.

COVID-19 no Brasil

Clique no mapa para dados atualizados.

Como os testes são realizados

São basicamente dois testes: Molecular para pacientes infectados pelo Sars-CoV-2 e Sorológico.

O que são vírus?

Vírus (do latim vírus, “veneno” ou “toxina”) são pequenos seres infecciosos, a maioria com 20-300 nm de diâmetro, apesar de existir vírus ɡiɡantes de (0.6-1.5 µm), que apresentam genoma constituído de uma ou várias moléculas de ácido nucleico (DNA ou RNA), às quais possuem a forma de fita simples ou dupla. Os ácidos nucleicos dos vírus geralmente apresentam-se revestidos por um envoltório proteico formado por uma ou várias proteínas, que pode ainda ser revestido por um complexo envelope formado por uma bicamada lipídica. É na camada mais externa do vírus Peplômeros (espículas), onde reside as chaves programadas pelo vírus em sua evolução que permitirá ao vírus ligar-se à célula no momento da invasão.

Estrutura

Dentre os vários grupos de vírus não há um padrão único da estrutura viral. A estrutura mais simples consiste de uma molécula de ácido nucleico coberta por moléculas de proteínas idênticas. Os vírus mais complexos podem conter várias moléculas de ácido nucleico assim como diversas proteínas associadas, envoltório proteico com formato definido, além de complexo envelope externo com espículas. A maioria dos vírus apresentam conformação helicoidal ou isométrica. Dentre os vírus isométricos, o formato mais comum é o de simetria icosaédrica.

Medidas usadas em Virologia

Partícula viral

Créditos: Scientificanimations.com representação em 3D do Coronavírus.

Os vírus são formados por um agregado de moléculas mantidas unidas por forças intermoleculares, formando uma estrutura denominada partícula viral. Uma partícula viral completa é denominada vírion (Vírus é o virion em atividade). Este é constituído por diversos componentes estruturais (ver tabela abaixo para mais detalhes).

  1. Ácido nucleico: molécula de DNA ou RNA que constitui o genoma viral.
  2. Capsídeo: envoltório proteico que envolve o material genético dos vírus.
  3. Nucleocapsídeo: estrutura formada pelo capsídeo associado ao ácido nucleico que ele engloba (Os capsídeos formados pelos ácidos nucleicos são englobados a partir de enzimas).
  4. Capsômeros: subunidades proteicas (monômeros) que agregadas constituem o capsídeo.
  5. Envelope: membrana rica em lipídios que envolve a partícula viral externamente. Deriva de estruturas celulares, como membrana plasmática e organelas.
  6. Peplômeros (espículas): estruturas proeminentes, geralmente constituídas de glicoproteínas e lipídios, que são encontradas ancoradas ao envelope, expostas na superfície.

Morfologia

Abaixo estão listadas as estruturas de vírions mais comuns:

Vírus icosaédricos não envelopados

Vírus icosaédricos não envelopados estão entre os mais comuns. Eles possuem genomas constituídos por dsDNA, ssDNA, dsRNA ou (+)ssRNA. São capazes de infectar organismos de todos os grupos de seres vivos, com exceção de Archaea. Possuem diâmetro que varia de 18 a 60 ηm, correspondendo aos menores vírus conhecidos.

Fonte: Phanie / Alamy Stock Photo
Papilomavírus humano (HPV) de alto risco (microfotografia).

Vírus icosaédricos envelopados

Vírus icosaédricos envelopados possuem material genético formado por dsDNA, dsRNA, ou (+)ssRNA. As partículas virais destes vírus possuem diâmetro que varia de 42 a 200 ηm. Vírions icosaédricos envelopados são pouco comuns entre os vírus de animais, sendo observados principalmente nas famílias Arteriviridae, Flaviviridae, Herpesviridae ou Togaviridae. Nenhum vírus de plantas conhecido possui esta estrutura de partícula viral.

Microfotografia eletrônica de um vírion de SARS-CoV-2.

Conheça as principais características dos vírus

Obs: A malária não é causada por vírus, essa doença é transmitida aos humanos pelo mosquito Anopheles que transfere o parasita Plasmodium causador da doença.

VÍRUS – MICROBIOLOGIA – AULA – Biologia com Samuel Cunha

Aula introdutória sobre vírus – microbiologia.

Saiba como o coronavírus infecta uma célula

A animação abaixo mostra como o coronavírus infecta uma célula com o uso de chaves proteicas sintetizadas na evolução do vírus para que consiga adentrar a célula.

Biologia: A animação mostra uma partícula do Vírion Sars-CoV2 infectando uma célula.

Como começa o contágio pelo coronavírus?

O Coronavírus Sars-Cov2 é extremamente infeccioso, uma das razões para isso está em sua capacidade de se replicar usando apenas a maquinaria intracelular, os ribossomos.

O vírus fica no ar dentro de aerossóis ou nas superfícies em geral, ao entrar no organismo principalmente pela respiração, o Coronavírus procura uma porta de entrada nas células.
No caso do novo coronavírus (Sars-Cov2), a proteína do vírus, denominada Spike ou, simplesmente, S, reconhece uma proteína chamada Enzima Conversora de Angiotensina do tipo 2 (ACE-2), presente nas células do trato respiratório, que serve como um receptor para o vírus. Por meio desse receptor ele invade a célula.
O receptor tipo 2 (ACE-2) ativa a entrada do vírus em nossas células.
A superfície do vírus é coberta de estruturas que lembram espinhos de proteína e ajudam o parasita a ligar-se às células do hospedeiro. Se o espinho não “combinar” com os receptores das células, ele não consegue penetrar na célula e reproduzir-se, e a infecção é malsucedida. Era o que acontecia com os humanos em relação ao coronavírus até então. Mas as mutações mudaram as proteínas dos espinhos, que acabaram tornando-se compatíveis com as nossas células. A célula, então, recebe o vírus de forma transparente.
Dentro da célula o vírus se abre e começa a replicação pela injeção do seu material genético: Ácido Ribonucleico (RNA).
Dentro da célula o vírus Sars-Cov2 não precisa chegar até o núcleo celular, ele pode acessar diretamente partes da célula chamadas de ribossomos. Os ribossomos usam a informação genética do vírus para fazer proteínas virais, como as encontradas na superfície externa do vírus chamadas de Spikes (espigões, picos ou espinhos).
Uma estrutura de bolsas (complexo de Golgi) da célula carrega essas proteínas em vesículas (uma pequena estrutura dentro de uma célula, que consiste num fluido incluso por uma bi-capa lipídica), que se fundem com a camada exterior da célula, a membrana celular. Todas as partes necessárias para criar um novo vírus se juntam logo abaixo da membrana celular; então, um novo vírus começa a brotar da membrana.
Ao atravessar as últimas camadas de Golgi, o vírus está compilado e pronto para sair da célula.
O vírus pronto rompe a célula e todo o processo recomeça. É justamente esse rompimento da célula que provoca a doença Covid-19.
Ao final do processo de replicação, ácidos ribonucleicos e proteínas são juntadas dentro da célula, formando novas partículas virais, que acabam saindo da célula e repetindo o processo.

A estrutura das células

Esta animação mostra a função de células animais e vegetais, incluindo organelas como o núcleo, nucléolo, DNA (cromossomos), ribossomos, mitocôndrias, etc. Também aborda as moléculas de ATP, citoesqueleto, citoplasma, microtúbulos, proteínas, cloroplastos, clorofila, parede celular, membrana celular, cílios, flagelos, etc.

Biologia: Estrutura Celular.

Funcionamento da replicação DNA no interior da célula

Esta animação 3D mostra como o DNA é copiado em uma célula, como as duas cadeias da hélice do DNA são descompiladas e copiadas para produzir duas moléculas de DNA idênticas.

Biologia: Replicação do DNA.

O mecanismo de Transcrição Genética

A transcrição é a primeira de várias etapas da expressão genética baseada em DNA (gene é uma parte curta do DNA que sofre expressão), na qual um segmento específico de DNA é copiado no RNA (especialmente RNAm) pela enzima RNA polimerase. Tanto o DNA quanto o RNA são ácidos nucleicos, que usam pares de bases de nucleotídeos como uma linguagem complementar. Durante a transcrição, uma sequência de DNA é lida por uma RNA polimerase, que produz uma cadeia de RNA antiparalela complementar chamada transcrição primária. Consulte Biologia Molecular USP.

O processamento genético no interior da célula

Biologia: Maquinaria intracelular.

Do DNA às Proteínas

Esta animação em 3D demonstra como as proteínas são produzidas na célula a partir da informação no código genético.

Biologia: Montagem da Proteína no interior de uma célula.

Funcionamento das Enzimas

A todo segundo, em toda célula viva, milhares de reações químicas estão ocorrendo. Essas reações constituem as tarefas essenciais para a vida tais quais o metabolismo, a síntese proteica, renovação e crescimento celulares. Aprenda como as proteínas chamadas de enzimas trabalham para manter a velocidade dessas reações num patamar capaz de manter a vida. Baseado em estruturas atômicas do acervo do PDB, observe o mecanismo da aconitase, uma enzima do ciclo do ácido cítrico, a fim de entender como as enzimas utilizam seus resíduos de aminoácidos para catalisar a reação.

Biologia: Funcionamento das Enzimas.

Estrutura e função dos Ribossomos

Ribossomos são estruturas celulares, presentes em células procarióticas e eucarióticasresponsáveis pela síntese de proteínas. Essas estruturas são formadas por duas subunidades, um maior e uma menor, constituídas por moléculas de RNA (ácido ribonucleico) e proteínas.

As células podem apresentar dois tipos de ribossomos, os ligados e os livres. Apresentaremos aqui um pouco mais sobre essa organela, sua estrutura, classificação e sua importância, descrevendo brevemente o processo de síntese de proteínas.

Biologia: Funcionamento dos Ribossomos.

O vírus é um ser vivo?

Estudo da Universidade de Illinois traçou a história evolutiva dos vírus, mostrando evidências de que eles são seres vivos. Foram analisadas dobras de mais de 5 mil organismos, entre eles, 3,5 mil vírus. Essas dobras são estruturas de proteína que ficam inscritas no genoma de células quaisquer e dos próprios vírus, 442 dobras são comuns entre vírus e células, e apenas 66 são exclusivas dos vírus. Isso significa que, evolutivamente, os vírus compartilhavam material genético com as células, mas em algum momento se tornaram entidades diferentes.

Muitos organismos necessitam de outros para viver, incluindo bactérias que vivem no interior de células e fungos que se envolvem em relacionamentos parasitas obrigatórios – eles dependem de seus hospedeiros para completar seu ciclo de vida. “E é isso que os vírus fazem”.

Biologia: Reconstrução por microscopia eletrônica de Cryo do Faustovirus, de EMD-8144

A descoberta dos mimivírus gigantes no início dos anos 2000 desafiou ideias tradicionais sobre a natureza do vírus, afirma o pesquisador Gustavo Caetano-Anollés. “Estes vírus gigantes não são como o minúsculo ebola, que tem apenas sete genes. Alguns são tão grandes fisicamente e com genomas tão complexos ou maiores do que as bactérias”

Alguns vírus gigantes também têm inclusive genes de proteínas que são essenciais para a tradução genética, o processo pelo qual as células leem sequências de genes para construir proteínas. A falta deste mecanismo de tradução nos vírus já foi citado como justificativa para classificá-los como não vivos. “Isto não faz mais sentido. Os vírus agora merecem um lugar na árvore da vida. Obviamente, há muito mais sobre eles do que nós pensávamos”, finaliza o pesquisador Gustavo Caetano-Anollés.

Leia a respeito dos vírus gigantes encontrados no Brasil: Novos vírus gigantes brasileiros são identificados.

Qual a diferença entre Vírus e Vírion?

Compostos majoritariamente por um material genético (DNA, RNA ou ambos) envolvido por uma camada de proteínas, os vírus são seres muito estudados, mas pouco conhecidos por completo por uma série de fatores. Alguns são inofensivos para o homem, como os vírus de plantas, e outros são nocivos, variando o nível de periculosidade de espécie para espécie.

É muito importante não confundir o vírus com uma bactéria. As bactérias são organismos unicelulares, e os vírus se caracterizam justamente por não possuírem uma única célula. Por causa da ausência de uma estrutura celular, o vírus se torna um parasita obrigatório, necessitando adentrar em uma célula de um organismo procarionte para poder se reproduzir em um ciclo lítico ou ciclo lisogênico.

Quando falamos nesses seres é normal ocorrer a confusão de termos, como o vírus e vírion; mas saiba que não estamos falando exatamente da mesma coisa. O vírion nada mais é do que uma partícula de vírus que se encontra fora de uma célula hospedeira.

É basicamente a mesma relação de meteoro e meteorito. Quando está no espaço o meteoro é assim chamado, mas quando o mesmo penetra a atmosfera terrestre, entrando em nosso planeta, o corpo passa a ser chamado de meteorito. A relação é similar ao vírus e vírion. Fora da célula é vírion, dentro da célula hospedeira é um vírus.

Para um leigo ou uma pessoa doente esse tipo de diferenciação entre vírus e vírion é irrelevante; porém, dentro do campo científico, é fundamental usar termos diferentes nas duas condições para poder otimizar a qualidade da análise sobre o vírus. Desse modo, quando falarem em vírion, o cientista já terá noção que o vírus não está na célula, facilitando em muito o desempenho do seu trabalho em laboratório.

Coronavírus

Acima vemos uma imagem de computador criada pela Nexu Science Communication em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra um modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus que é o tipo de vírus vinculado à doença COVID-19, mais conhecido como coronavírus vinculado ao surto de Wuhan, compartilhado com a Reuters em 18 de fevereiro de 2020.

Os coronavírus são comuns em várias espécies animais. O nome não se refere a um vírus específico, mas a um grupo de vírus que têm características em comum e foram responsáveis por várias crises de saúde pública nas últimas décadas – o surto chinês atual é o exemplo mais urgente. Doenças epidêmicas virais como estas costumam ser zoonoses, isto é: os agentes causadores – como vírus, bactérias, protozoários, fungos, etc. – originalmente parasitavam outros animais. O advento da pecuária há aproximadamente 10 mil anos aumentou a proximidade física entre seres humanos e os animais que nos forneciam comida, leite, ovos, etc. Vacas, cães e galinhas carregam seus próprios micróbios, que frequentemente aprendem a infectar também o Homo sapiens (nós). De 1.415 patógenos conhecidos, 61% foram emprestados de outras espécies.
Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam doença respiratória variando em gravidade desde um resfriado comum até pneumonia fatal. Esses coronavírus que causam infecções respiratórias graves são transmitidos por animais para os seres humanos (patógenos zoonóticos). Zoonoses são doenças infecciosas capazes de ser naturalmente transmitidas entre animais e seres humanos.

Laboratório FIOCRUZ fotografa o Vírion SARS-CoV2 entrando na célula

Fonte: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz.
Infográfico: Jefferson Mendes

Imagem de microscopia eletrônica de transmissão produzida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostra, em detalhe, o momento exato em que uma célula é infectada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Para o registro da imagem, foi usada a infecção em células de linhagem Vero, frequentemente utilizada para ensaios in vitro.

Em outro registro, é possível identificar diversas partículas do novo coronavírus tentando infectar o citoplasma da célula, onde pode ser visualizado o núcleo, responsável por guardar o material genético da célula. Em uma terceira imagem, partículas virais podem ser observadas dentro do interior da célula.

O registro, inédito no Brasil, foi obtido durante estudo que investiga a replicação viral do Sars-CoV-2, conduzido pelos pesquisadores Débora Barreto e Marcos Alexandre Silva, do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, e Fernando Mota, Cristiana Garcia, Milene Miranda e Aline Matos, do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo.

Fonte: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz.
Infográfico: Jefferson Mendes

Conheça o vírus SARS-COV2 (coronavírus causador da doença COVID-19)

Esta ilustração, criada no Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), revela morfologia ultraestrutural exibida pelo coronavírus. Observe os picos que adornam a superfície externa do vírus, que conferem a aparência de uma coroa ao redor do vírion, quando vistos eletronicamente por microscopia. Um novo coronavírus, denominado síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2), foi identificado como a causa de um surto de doença respiratória detectado pela primeira vez em Wuhan, China em 2019. A doença causada por esse vírus foi denominada doença por coronavírus 2019 (COVID-19).

O vírus SARS-CoV foi identificado em 2002 como a causa de um surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS – Severe Acute Respiratory Syndrome – síndrome respiratória aguda grave). A doença SARS foi detectada pela primeira vez no fim de 2002 na China. Entre 2002 e 2003, um surto da doença resultou em mais de 8000 casos e cerca de 800 mortes em todo o mundo. Desde 2004 que não há registros de novos casos da doença.

O vírus MERS-CoV foi identificado em 2012 como a causa da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS – Middle East Respiratory Syndrome – síndrome respiratória do Oriente Médio). Em 16 de abril de 2014, casos de Mers-CoV foram relatados em vários países, como Arábia Saudita, Malásia, Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Tunísia e Filipinas. O número de casos da doença chegou a 238, com 92 mortes. A transmissão do MERS-CoV aconteceu de camelos e dromedários para o ser humano.

SARS-CoV2 é um coronavírus novo que foi identificado pela primeira vez em Wuhan, China, no final de 2019, como a causa da doença por coronavírus de 2019 (COVID-19) e se espalhou pelo mundo todo.

A doença COVID-19

COVID-19 é uma doença respiratória aguda que pode ser grave, é causada por um coronavírus recentemente identificado, oficialmente chamado SARS-CoV2. Clique em: SARS-CoV-2/nCoV-19-02S/human/2020/VNM, complete genome. Acesse o banco de dados do genoma completo do vírus para estudo.

Possível origem do Vírus SARS-CoV2

Conforme artigo publicado em 02 de março de 2020, revisado por pares, os pesquisadores: Yi Fan, Kai Zhao, Zheng-Li Shi, Peng Zhou. Identificaram a origem do vírus como sendo o morcego frutífero. Baixe o artigo: Bat coronavírus em China.

Os morcegos, porém, são repositórios pululantes (rápida proliferação) de vírus. Ebola, Nipah, Melaka, MERS e SARS todos pegam carona neles sem afetá-los. Ainda não há provas, mas é bem provável que o coronavírus atual também tenha chegado à nossa espécie pegando carona em morcegos. Isso é possível porque o sistema imunológico desses animais tolera tais agentes infecciosos com bem mais parcimônia que o nosso e o dos demais mamíferos.

Bat Coronaviruses in China (coronavírus de morcego na China)

Resumo do artigo: Nas últimas duas décadas, três coronavírus zoonóticos foram identificados como os causa de surtos de doenças em larga escala – Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), Oriente Médio Síndrome Respiratória (MERS) e Síndrome de Diarréia Aguda Suína (SADS). SARS e MERS surgiram em 2003 e 2012, respectivamente, e causaram uma pandemia mundial que reivindicou milhares de vidas humanas, enquanto a SADS atingiu a indústria suína em 2017. Eles têm características comuns, como todos eles são altamente patogênicos para seres humanos ou animais, seus agentes se originam de morcegos e dois deles se originaram na China. Assim, é altamente provável que futuros coronavírus com surtos do tipo SARS ou MERS terão origem em morcegos, e há uma probabilidade maior de que isso ocorra na China. Portanto, a investigação de coronavírus de morcego se torna uma questão urgente para a detecção precoce e sinais de alerta, que por sua vez minimizam o impacto de futuros surtos na China. O objetivo da revisão é resumir o conhecimento atual sobre diversidade viral, hospedeiros de reservatórios e as distribuições geográficas de coronavírus de morcego na China e, eventualmente, pretendemos prever hotspots (focos) e seu potencial de transmissão entre espécies. Palavras-chave: coronavírus; bastão; epidemiologia; espécies cruzadas; zoonose.

Quinze anos após o primeiro coronavírus humano altamente patogênico que causou um grave surto de coronavírus da síndrome respiratória (SARS-CoV), outra síndrome grave de diarreia aguda (SADS-CoV) devastou a produção de gado, causando doenças fatais em porcos. Ambos surtos começaram na China e foram causados ​​por coronavírus com origem no morcego. Isso aumentou a urgência de estudar os coronavírus de morcegos na China para entender seu potencial de causar outros surtos de vírus. Nesta revisão, coletamos informações de estudos epidemiológicos anteriores sobre coronavírus de morcego na China, incluindo as espécies de vírus identificadas, suas espécies hospedeiras e suas distribuições geográficas. Também discutimos as perspectivas futuras de transmissão e disseminação entre espécies de coronavírus de morcegos na China.

Taxonomia dos Coronavírus

Os coronavírus (CoVs) pertencem à subfamília Orthocoronavirinae da família Coronaviridae e a ordem Nidovirales. Os CoVs possuem uma partícula viral do tipo envelope. O genoma do CoV é um RNA de fita única de sentido positivo (+ssRNA), com tamanho de 27 a 32 Kb, que é o segundo maior de todos os genomas do vírus RNA. Comparado com outros vírus de RNA, acredita-se que o tamanho do genoma expandido de CoVs esteja associado com maior fidelidade de replicação, após aquisição de genes que codificam enzimas de processamento de RNA. A expansão do genoma facilita ainda mais a aquisição de genes que codificam proteínas acessórias que são benéficas para os CoVs se adaptarem a um hospedeiro específico. Como resultado, alterações no genoma causadas pela recombinação, intercâmbio de genes e inserção ou exclusão de genes são comuns entre CoVs. A subfamília CoV está se expandindo rapidamente, devido à aplicação do sequenciamento de próxima geração que aumentou a detecção e identificação de novas espécies de CoVs. Como resultado, a taxonomia de CoV está mudando constantemente.

Como ocorre o contágio pelo Coronavírus?

A principal forma de contágio é o contato com pessoas infectadas, por meio direto: aperto de mão, ficar próximo da pessoa e principalmente respirar o mesmo ar em volta da pessoa, respirar o ar dentro de um ambiente compartilhado por uma ou mais pessoas infectadas. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão também pode ocorrer pelo ar (aerossóis contendo o vírus) ou por contato com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro. Além disso, encostar em objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com boca, nariz ou olhos.

Base estrutural para o reconhecimento de SARS-CoV-2 por ACE2 humano de comprimento total

Os cientistas estão correndo para aprender os segredos da síndrome respiratória aguda grave – coronavírus 2 (SARS-CoV-2), que é a causa da doença pandêmica COVID-19. O primeiro passo na entrada viral é a ligação da proteína do pico trimérico viral à enzima 2 de conversão da angiotensina no receptor humano (ACE2).

O estudo, publicado nesta na revista Science, mergulha em escalas de 2,9 ângstrom (unidade equivalente a um décimo de bilionésimo de metro) para estudar a ACE2, uma proteína humana fundamental para que o novo coronavírus possa causar uma infecção. Estrutura geral do complexo RBD-ACE2-B0AT1.

Até agora sabia-se que o novo coronavírus usa uma proteína em forma de agulha que se acopla à ACE2 como uma chave na fechadura. Essa união abre literalmente a porta da célula humana para que o vírus introduza nela seu material genético. A maquinaria celular humana confunde esse material – RNA viral – com RNA próprio, e começa a seguir as instruções que ele contém para fabricar proteínas virais. Em questão de horas, há milhões de cópias de RNA viral, a partir dos quais são feitas cópias do vírus, que estouram a célula e começam a infectar outras.

Sintomas da infecção

Os sintomas costumam surgir cerca de cinco dias (mas em qualquer intervalo de dois a catorze dias) depois que as pessoas são infectadas. A maioria das pessoas tem febre, calafrios, dores musculares e tosse. Cerca de um terço tem diarreia, vômito e dor abdominal.

Diagnóstico

  • Avaliação médica
  • Exames para identificar o vírus

Tratamento

  • Não há tratamento específico para a COVID-19, ainda não há vacinas no presente momento.
  • Paracetamol ou um medicamento anti-inflamatório não esteroide (AINE), como ibuprofeno, são administrados para aliviar a febre e dores musculares.
  • Isolamento após diagnóstico positivo de que a pessoa está com a doença.
  • Se necessário, oxigênio.
  • Às vezes é necessário um ventilador para ajudar na respiração.
  • Em casos mais graves com dificuldade para respirar uma UTI é necessária.

Precauções durante o tratamento

São tomadas precauções para prevenir a disseminação do vírus. Por exemplo, a pessoa é isolada em um quarto com um sistema de ventilação que limita a transmissão de patógenos no ar. As pessoas que entram no quarto precisam usar uma máscara especial, proteção ocular, jaleco, touca e luvas. As portas para o quarto devem ser mantidas fechadas, exceto quando as pessoas entrarem ou saírem do quarto, e elas devem entrar e sair o mínimo possível.

Código fonte (genoma) do SARS-CoV-2 completo para download

Clique nos links abaixo e terá acesso completo aos códigos e ferramentas.

Obs: se você quiser fabricar um vírus fique à vontade, mas não esqueça de fazer a vacina e divulgá-la, antes que seja tarde demais. {RC}.

Fontes: referências bibliográficas.

The Future of Humanity (O futuro da Humanidade) – Com Yuval Noah Harari

Obs: caso a legenda em português não apareça, clique no ícone legenda na área inferior do vídeo para ativá-la, em seguida clique na engrenagem: escolha a opção Legendas e Português(Brasil).

Ao longo da história houve muitas revoluções: na tecnologia, economia, sociedade, política. Mas uma coisa sempre permaneceu constante: a própria humanidade. Ainda temos os mesmos corpos, cérebros e as mesmas mentes que nossos antepassados na China antiga ou na Idade da Pedra. Nossas ferramentas e instituições são muito diferentes das do tempo de Confúcio, mas as estruturas profundas do corpo humano e da mente permanecem as mesmas. No entanto, a próxima grande revolução da história mudará isso. No século XXI, haverá constantes inovações na tecnologia, economia, política. Mas, pela primeira vez na história, a própria humanidade também sofrerá uma revolução radical, não somente em nossa sociedade e economia, mas nossos corpos e mentes serão transformados por novas tecnologias como engenharia genética, nanotecnologia, realidade virtual, realidade expandida e interfaces cérebro-computador. Yuval Noah Harari tem um doutorado em História pela Universidade de Oxford e agora leciona no Departamento de História na Universidade Hebraica em Jerusalém, especializada em História Mundial. Autor do livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, publicada em 2014, ficou na lista de best-sellers do Sunday Times por mais de seis meses em brochura, foi um dos mais vendidos do New York Times e publicado em quase 40 idiomas no planeta.

Comentários sobre o autor e seus livros no Blog: Fernando Nogueira Costa.

Fontes: The Royal Institution

Resumo sobre o funcionamento da biologia celular

AS ORGANELAS E ESTRUTURAS CELULARES

As células apresentam três componentes fundamentais:

  • Membrana plasmática: película que delimita o conteúdo celular e controla o trânsito de substâncias que entram e saem da célula.
  • Material genético: moléculas de DNA, onde estão inscritas as informações biológicas/genéticas. 
  • Citoplasma: porção gelatinosa onde ocorre a maioria das reações metabólicas.

Existem dois tipos celulares básicos, as células eucariontes e as procariontes:

Células procarióticas: são as células das bactérias e arqueas. Em termos de complexidade, são as mais simples. Não possuem envelope nuclear e, normalmente, também não possuem organelas membranosas no citoplasma. Vamos admitir que as entidades mais complexas são aquelas possuidoras de mais componentes.

Estrutura do flagelo de uma bactéria Gram-negativa

 

Células eucarióticas: células mais complexas, possuidoras de envelope nuclear e várias outras organelas membranosas.

Envelope nuclear: também chamado carioteca. Consiste de uma membrana dupla, contendo poros e contínua com o retículo endoplasmático. Em outras palavras, um mesmo sistema membranoso forma a carioteca e o retículo endoplasmático.

Dentro do envelope nuclear se encontram, dentre outros componentes:

  • Nucléolo: estrutura contendo diversas macromoléculas, dentre as quais, componentes dos ribossomos e outras, que auxiliam na montagem dos ribossomos. Em outras palavras, é o sítio onde os ribossomos maturam.
  • Cromatina: moléculas de DNA associadas a diversas proteínas. A cromatina é o conjunto dos cromossomos.

Estrutura da célula animal

Estrutura da célula vegetal

Nessas células, o citoplasma é a porção localizada entre o envelope nuclear e a membrana plasmática. É constituído de:

  • Organelas membranosas e não membranosas. No segundo caso, podemos dizer que as organelas não membranosas são estruturas citoplasmáticas como os ribossomos e o citoesqueleto.
    • Cinesinas: As cinesinas são motores protéicos que têm a capacidade de se locomover usando microtúbulos como trilhos. Elas foram identificadas pela primeira vez nos axônios gigantes de lulas, transportando organelas membranosas. As proteínas dessa superfamília têm como único elemento unificador o domínio motor, que tem a capacidade de atrelar a hidrólise de ATP a modificações espaciais em sua estrutura.

Um dímero de sinesina liga-se ao microtúbulo e movimenta-se ao longo deste carregando uma proteína.

  • Citosol: solução contendo diversos solutos, como moléculas orgânicas, compostos iônicos e etc.

O citosol é uma solução saturada contendo diferentes tipos de moléculas, ocupa a maior parte do volume das células.

ORGANELAS E ESTRUTURAS CITOPLASMÁTICAS

Antes de listarmos as principais organelas e suas funções principais, é bom notar que, se imaginarmos as células como megafábricas, inferimos que essas megafábricas têm diversas máquinas e setores, como as linhas de produção de diversos produtos, controle de qualidade, reciclagem, eliminação dos dejetos e assim por diante. Na megafábrica celular, esses setores, com suas máquinas, podem ser representados pelas organelas.

Ribossomos

  • Organelas não membranosas responsáveis pela síntese de proteínas.
  • Presentes dispersas no citoplasma ou então aderidas à superfície de outra organela, o retículo endoplasmático granular.
  • Possuem duas subunidades, uma maior e uma menor, ambas constituídos por rRNA e proteínas.
  • Presentes nas células eucariontes e procariontes.

Os ribossomos usam uma fita de RNA mensageiro (RNAm) para sintetizarem fitas de RNA complementares, usando os aminoácidos transportados pela RNAt e vão se movendo ao longo dessa fita encaixando de 3 em 3 bases nitrogenadas, até encontrar um códon de parada.

 

Retículo endoplasmático: rede de túbulos, bolsas e cisternas membranosas que se estende pelo interior da célula. Cisternas são vesículas ou bolsas membranosas de formato achatado.

Retículo endoplasmático granular – REG

  • Apresentam ribossomos aderidos em sua superfície (os grânulos).
  • Envolvidos na síntese, transporte e modificação química de proteínas cujos principais destinos são os lisossomos, a membrana plasmática e a secreção celular. Essas proteínas começam a ser sintetizadas no citosol, porém, possuem uma sequência sinal de aminoácidos que fazem com que sua síntese continue no REG.

Retículo endoplasmático liso – REL

  • Não apresentam ribossomos.
  • Envolvidos na síntese de ácidos graxos, fosfolipídios e esteróides.
  • Possuem enzimas capazes de modificar e inativar substâncias tóxicas, drogas e álcool.
  • Nas células musculares essas organelas são chamadas de retículo sarcoplasmático e armazenam Ca+2 para a contração muscular.

Complexo de Golgi: conjunto de 6-20 cisternas empilhadas localizado próximo ao REG.

  • Modificação química e direcionamento de proteínas provenientes do REG aos seus destinos adequados (lisossomos, membranas e secreção).
  • Responsáveis pelo processo de secreção celular e renovação da membrana plasmática.
  • Produzem os lisossomos, os acrossomos dos espermatozóides e os vacúolos das células vegetais.
  • Também estão envolvidos na síntese de certos glicídios.

Sistema de endomembranas celular. O complexo Golgiense é representado como dobras na cor verde (visto na imagem acima).

Lisossomos: vesículas cujo interior têm enzimas digestórias e é mantido ácido (pH ~ 4,8) por bombas de H+ e Cl, responsáveis pelo processo de digestão intracelular. São originados a partir do complexo de Golgi.

  • Heterofagia: digestão de material capturado do meio externo via endocitose.
  • Autofagia: digestão de estruturas celulares degradadas ou em situações de carência nutricional, com o intuito de reutilizar/reaproveitar seus componentes. Nas células vegetais esse processo ocorre no vacúolo.

Os processos de digestão intracelular podem ser sucedidos pela clasmocitose ou defecação celular, que por sua vez se dá por exocitose.

  • Lisossomo primário: vesícula que brota do complexo de Golgi. Contém as enzimas digestórias, mas não está digerindo nada.
  • Lisossomo secundário: está digerindo algo. Resulta da fusão entre lisossomos primários e vacúolos contendo algo a ser digerido.

Peroxissomos: vesículas contendo diversas enzimas envolvidas em processos oxidativos.

  • Oxidação de ácidos graxos. Consiste na quebra parcial de ácidos graxos grandes, para que sejam utilizadas em processos do metabolismo energético.
  • Inativação de substâncias tóxicas (inclusive o álcool).
  • Essas reações envolvem a geração de espécies reativas de O2 (ROS – reactive oxygen species, também chamadas de radicais livres de oxigênio), moléculas de O2 com um elétron a mais, altamente reativas e que podem, por  isso, causar danos às células. Para eliminá-las, os peroxissomos as utilizam para gerar H2O2, que depois é degradado em H2O e O2.
  • Participam da formação da bile pelo fígado.
  • Acredita-se que essas organelas surjam como vesículas que brotam do retículo endoplasmático.

Citoesqueleto: consiste em uma rede extensa de filamentos e microtúbulos proteicos que se estende por toda a célula e tem as funções de definir e organizar a sua estrutura interna, atuar na adesão entre as células e as células e o meio extracelular, possibilita os movimentos celulares (como o movimento ameboide, contração e etc.) e o movimento de estruturas dentro das células como a ciclose.

  • Microtúbulos: túbulos constituídos da proteína tubulina. Têm as funções de dar suporte a célula, no sentido de determinar sua estrutura e a disposição de estruturas internas. Também estão envolvidos no processo de divisão celular (formação do fuso mitótico e citocinese centrípeta) e formação dos centríolos, cílios e flagelos. Podem fazer o papel de “trilhos”, sobre os quais as vesículas podem se deslocar.

Diagrama de um neurônio

  • Filamentos de actina: atuam em conjunto com filamentos de miosina, deslizando sobre eles de forma a promover a contração e distensão da célula ou de partes dela. Envolvidos na contração de células musculares, na ciclose (geração de correntes citoplasmáticas capazes de mover estruturas no interior da célula) e no movimento amebóide (que se dá a partir de projeções citoplasmáticas chamadas pseudópodes). Também fornecem suporte estrutural às células.
  • Filamentos intermediários: possuem diâmetro intermediário entre os microtúbulos e filamentos de actina. Dão suporte mecânico a membrana plasmática nos locais onde ela forma junções com células vizinhas ou com a matriz extracelular (desmossomos e hemidesmossomos). Também constituem a lâmina nuclear, que dá suporte a carioteca.

Centrossomos: os centrossomos ou centros organizadores de microtúbulos são organelas não membranosas, constituídas de uma matriz de fibras de proteínas de onde partem microtúbulos. Dentre suas funções, participam do processo de divisão celular, pois formam uma rede de microtúbulos que movimenta cromossomos, o chamado fuso mitótico. Geralmente há um por célula, localizado próximo do núcleo. Nas células animais, os centrossomos possuem um par de centríolos.

Centríolos: cada centríolo é uma estrutura tubular composta por nove trios de microtúbulos. As células eucariontes animais apresentam os centríolos em duplas, com os dois dispostos perpendicularmente no centrossomo.  Acredita-se que os centríolos estejam envolvidos no processo de divisão celular e na formação de cílios e flagelos. É importante notar que nem todas as células eucarióticas apresentam centríolos, destacadamente, as dos vegetais superiores (gimnospermas e angiospermas).

Cílios: diversos prolongamentos citoplasmáticos envolvidos na locomoção, captura de alimentos ou até mesmo na remoção de partículas de sujeira das vias aéreas e deslocamento dos óvulos (na verdade, ovócitos II) ao longo das tubas uterinas. Consistem em um par central de microtúbulos rodeado por nove pares incompletos de microtúbulos, sendo esse conjunto envolto pela membrana plasmática. Originam-se a partir de centríolos que migram para a periferia da célula.

Flagelos: semelhantes aos cílios só que mais longos e presentes em menor número. As células procariontes também apresentam flagelos, porém, de estrutura distinta, no qual o filamento é um tubo de proteínas possuindo, em sua base, um motor proteico capaz de movimentá-lo.

A figura acima mostra a estrutura dos centríolos, cílios e flagelos. Os círculos verdes na parte superior e os azuis, na parte inferior, representam microtúbulos.

Mitocôndrias

  • São as principais responsáveis pela síntese de ATP na célula.
  • Possuem duas membranas, material genético e ribossomos próprios. Sendo esses ribossomos mais semelhantes aos ribossomos das células procariontes.
  • Podem se duplicar (com o auxílio do retículo endoplasmático).
  • Devido às características supracitadas, que tornam as mitocôndrias semelhantes aos organismos procariontes, acredita-se que essas organelas tenham origem endossimbiótica, ou seja, são, na verdade, descendentes de organismos procariontes que foram fagocitados no passado distante, mas não foram digeridos. Permaneceram nas células visto que conferem vantagens adaptativas devido ao fato de produzirem ATP de maneira bastante eficiente. A membrana interna da mitocôndria poderia ser a membrana do procarionte e a membrana externa, a de um fagossomo.

Diagrama de uma mitocôndria humana

 

As organelas a seguir estão presentes apenas nas células vegetais, porém, note que isso não significa que as células vegetais sejam necessariamente mais complexas que as células animais. Ocorre que algumas estruturas das células animais normalmente não são destacadas no ensino médio. Cabe também ressaltar que as células eucariontes mais complexas são as dos protoctistas (protozoários e outros).

Cloroplastos

  • Plastos são organelas possuidoras de duas membranas, presentes apenas nas células vegetais, que se desenvolvem e se especializam para exercer funções específicas:
  • Leucoplastos: armazenam substâncias, como o amido, proteínas ou lipídios, dependendo do tipo de leucoplasto.
  • Cromoplastos: são os que armazenam pigmentos, como os cloroplastos, possuidores de clorofila, pigmento responsável pela captação da energia luminosa no processo de fotossíntese.
  • Presentes nas células das plantas e das algas. Responsáveis pelo processo fotossintético.
  • Têm várias características similares às das mitocôndrias: também possuem duas membranas, material genético e ribossomos próprios e também são capazes de se duplicar. Por isso, acredita-se que os cloroplastos também tenhamorigem endossimbiótica.

Vacúolos das células vegetais (muitas vezes chamados apenas de vacúolos): são grandes bolsas membranosas, presentes apenas nas células vegetais, que podem ocupar até 80 % do volume da célula. As membranas dos vacúolos são chamadas  tonoplastos.

  • Podem armazenar substâncias potencialmente tóxicas.
  • Pode-se pensar nos vacúolos como sendo lisossomos secundários especializados gigantes, pois também têm o interior mantido ácido, contêm enzimas digestórias e efetuam digestão intracelular.

Parede celular: camada externa à membrana plasmática que mantém a forma da célula e pode protegê-la contra danos, inclusive o rompimento devido à turgidez. Constituída de celulose, proteínas e outros polissacarídeos.

Veja também

http://ed.ted.com/lessons/the-operating-system-of-life-george-zaidan-and-charles-morton
http://ed.ted.com/lessons/how-we-think-complex-cells-evolved-adam-jacobson
(Têm legendas em língua portuguesa).

REFERÊNCIAS

Alberts et al. Molecular Biology of the Cell. 5th Ed. Garland Science. 2008.
Amabis & Martho. Biologia das Células. Moderna. 2004.
Campbell et al. Biology. 7th Ed. Benjamin-Cummings. 2005.
Catani et al. Ser Protagonista Biologia – Volume 1. Edições SM.
Freixo. Centrosome biogenesis and number: mechanisms of control – Determination of SAK/PLK4 interactors. Dissertação de Mestrado. Universidade de Lisboa. 2009.
Friedman et al. ER tubules mark sites of mitochondrial division. Science. 334:358-62, 2011.
Lehninger et al. Principles of Biochemistry. 4th Ed. WH Freeman. 2004.
Lodish et al. Molecular Cell Biology. 5th Ed. WH Freeman. 2003.
Tabak et al. Peroxisomes: Minted by the ER. Current Opinion in Cell Biology. 2008, 20:393–400.

Créditos: Maximiliano Mendes

Fontes:

https://en.wikipedia.org/wiki/Reactive_oxygen_species
https://en.wikipedia.org/wiki/Beta_oxidation#Oxidation_in_peroxisomes

Transcendent Man (O homem transcendente) – Ray Kurzweil – Documentário Completo

Raymond Kurzweil, mais conhecido como Ray, é um inventor e cientista dos Estados Unidos. Em 1968, ainda estudante do MIT, Kurzweil fundou uma empresa que usava um programa de computador para combinar estudantes de ensino médio com universidades. Ele comparava milhares de critérios sobre cada instituição de ensino com respostas de questionários respondidos pelo próprio estudante. Aos vinte anos, vendeu sua empresa para a Harcourt, Brace & World por cem mil dólares mais royalties. Raymond recebeu BS em ciência da computação e literatura em 1970.

Ray, tem planos ousados de viver para sempre e segue uma dieta radical tomando 200 comprimidos com suplementos alimentares todos os dias. Atualmente sua principal atividade é reuniões, palestras e pesquisas sobre o momento onde atingiremos a singularidade em nosso avanço tecnológico.

Segue e-books recomendados

The Age of Spiritual Machines
The Singularity Is Near
Transcend
How to Create a Mind

Obs: leitor de Epub Mac/PC- Adobe Digital Editions

No dispositivo móvel recomendo: Readera Epub PDF Leitor

Créditos: Consciência Universal

LINGUAGEM CONSEGUE DIAGNOSTICAR PARKINSON, ELA E ESQUIZOFRENIA ANTES DE TESTES LABORATORIAIS.

O uso da IA (inteligência artificial), com avançados métodos de diagnóstico médico identificará problemas de saúde via comunicação falada. Ao falarmos com esses dispositivos um pré-diagnóstico de doenças relacionadas estará disponível em breve…

Vários estudos recentes revelam que o que você diz e como você diz fornece pistas sobre doenças

Thomas Fuchs Thomas Fuchs

Futuros médicos podem pedir a nos para dizer mais do que “Ahhh”. Vários grupos de neurocientistas, psiquiatras e cientistas da computação estão investigando agora a medida em que o uso da linguagem do paciente pode fornecer pistas do diagnóstico antes de um único teste de laboratório ser executado. Aumento do poder de computação e novos métodos para medir a relação entre o comportamento e atividade cerebral têm avançado com tais esforços. E embora os testes com base na palavra falada possam não ser tão precisos como seqüenciamento de genes ou exames de ressonância magnética, para doenças que faltam indicadores biológicos claros, a mineração da linguagem poderia ajudar a preencher esta lacuna.

– Psicose

Os psiquiatras da Universidade de Columbia entrevistaram 34 jovens adultos em risco de psicose, um sinal comum de…

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Vírus HIV pode ter partido de Kinshasa (RDC África)

Vírus HIV

A pandemia do HIV hoje deve ter começado sua expansão global a partir de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), de acordo com um novo estudo publicado na Science. (divulgação).

Uma equipe internacional de cientistas, das Universidades de Oxford e Leuven, reconstruiu a história genética do HIV-1 grupo M pandêmica, o evento viu o HIV se espalhar pelo continente Africano e ao redor do mundo e concluiu que se originou em Kinshasa. A análise da equipe sugere que o ancestral comum do grupo M é altamente provável de ter surgido em Kinshasa por volta de 1920 (com 95% das datas estimadas entre 1909 e 1930).

O vírus HIV é conhecido por ter sido transmitido a partir de primatas e macacos para seres humanos – pelo menos 13 vezes – mas apenas um destes acontecimentos de transmissão originou uma pandemia humana. Foi somente com o evento que levou ao HIV-1 grupo M fez a pandemia ocorrer, resultando em quase 75 milhões de infecções até o momento. A análise da equipe sugere que, entre os anos 1920 e 1950, uma tempestade perfeita de fatores: incluindo o crescimento urbano, fortes ligações ferroviárias durante o domínio colonial belga, e alterações no comércio do sexo, combinaram para facilitar o HIV emergir em Kinshasa e se espalhar pelo globo.

Um relatório da pesquisa foi publicado na revista Science desta semana

Até agora, a maioria dos estudos têm tido uma abordagem genética fragmentada da história do HIV, olhando particularmente os genomas do HIV em locais específicos – disse o professor Oliver Pybus do Departamento da Universidade de Oxford de Zoologia -, um autor sênior desta pesquisa. Pela primeira vez nós analisamos toda a evidência disponível, utilizando as mais recentes técnicas filogeográficas, que nos permitem estimar estatisticamente, de onde um vírus vem. Isto significa que podemos dizer com um alto grau de certeza onde e quando a pandemia do HIV se originou. Parece uma combinação de fatores em Kinshasa, no início do século 20 que criou uma “tempestade perfeita” para o surgimento do HIV, levando a uma epidemia generalizada com impulso irrefreável que desenrolou em toda a África subsaariana.

Nosso estudo exigiu o desenvolvimento de um quadro estatístico para reconstruir a propagação do vírus através do espaço e tempo de suas sequencias do genoma”, disse o professor Philippe Lemey da Universidade do Instituto Rega de Leuven, outro autor sênior da pesquisa. “Uma vez que as origens espaços-temporais da pandemia fossem claras, pudemos comparar com os dados históricos e tornou-se evidente que a disseminação precoce do HIV-1 a partir de Kinshasa para outros centros populacionais seguiram padrões previsíveis.

RDC

Localização da República Democrática do Congo. (divulgação).

Um dos fatores analisados pela equipe sugere que a chave para as origens da epidemia do HIV eram ligações de transportes da RDC, em especial os seus caminhos ferroviários, que fez Kinshasa um dos melhores centros de conexão para todas as cidades da África Central.

Os dados de arquivos coloniais nos dizem que até o final de 1940 mais de um milhão de pessoas viajaram por Kinshasa nas estradas de ferro a cada ano, disse o Dr. Nuno Faria, do Departamento de Zoologia, primeiro autor do estudo da Universidade de Oxford. Nossos dados genéticos nos dizem que o HIV rapidamente se espalhou pela República Democrática do Congo (um país do tamanho da Europa Ocidental), viajando com as pessoas ao longo de ferrovias e hidrovias para chegar a Mbuji-Mayi e Lubumbashi, no extremo sul e Kisangani, no extremo Norte até o final da década de 1930 e início dos anos 1950. Isso ajudou a estabelecer focos secundários precoces de transmissão do HIV-1 em regiões que estavam bem ligadas a países da África Austral e Oriental. Nós pensamos na possibilidade das mudanças sociais em torno da independência, em 1960, viram o vírus se dividir a partir de pequenos grupos de pessoas infectadas para infectar a população em geral e, eventualmente, o mundo.

Foi sugerido que o crescimento demográfico ou diferenças genéticas entre HIV-1 grupo M e outras cepas podem ser fatores importantes no estabelecimento da pandemia do HIV. No entanto evidências da equipe sugerem que, ao lado do transporte, mudanças sociais, tais como mudanças de comportamento dos profissionais do sexo e iniciativas de saúde pública contra outras doenças que levaram ao uso inseguro de agulhas, pode ter contribuído, para transformar o HIV em uma epidemia de máxima transmissão, apoiada nas ideias originalmente apresentadas pelo coautor do estudo Jacques Pepin da Universidade de Sherbrooke, no Canadá.

O Professor Oliver Pybus disse: nossa pesquisa sugere que procurando o animal original para transmissão humana do vírus (provavelmente através da caça ou a manipulação de carne na mata), houve apenas uma pequena “janela” durante a era colonial belga, desta estirpe particular de HIV, ter surgido e se espalhar em uma pandemia. Entretanto, foram os sistemas de transporte dos anos 1960, como as ferrovias, permitiram ao vírus se espalhar para grandes distâncias metropolitanas e se transformar em uma pandemia.

A equipe diz que mais pesquisas serão necessárias para compreender o papel que diferentes fatores sociais podem ter desempenhado nas origens da pandemia do HIV; em especial, a investigação sobre espécimes nos arquivamentos para estudar as origens e evoluções do HIV e pesquisas sobre a relação entre a transmissão da hepatite C e o uso de agulhas inseguras como parte de iniciativas de saúde pública, possibilitando mais pistas sobre as condições que facilitaram espalhar amplamente o HIV.

Fonte: Universidade de Oxford