Como aprender tudo o que desejar – Técnica Feynman em 5 passos

O método desenvolvido por Richard Feynman é o melhor método para autoaprendizagem.

Passo 1 – Escolha um assunto (ou conceito)

Richard Feynman em 1988.

A primeira etapa da Técnica Feynman é escrever o tópico escolhido no topo de uma página (pode usar um App de rabiscos do seu Smartphone (Google Keep, Evernote, etc). Em seguida, anote tudo o que sabe sobre o assunto, e atualize o rabisco sempre que aprender algo novo. A melhor forma de começar o primeiro passo é escrever com termos simples. Pense que você está explicando o assunto para uma criança, por exemplo. Ou seja: utilize vocabulário básico e faça conexões simples de entender. Jargões e termos complicados podem mascarar o seu nível de aprendizado – até para você mesmo. Escrevendo a ideia com linguagem clara, você se “força” a entender o bastante para conseguir simplificar as relações. Não tem problema se isso parece difícil. Tente identificar os pontos onde você falha na compreensão, isso enriquece o aprendizado.

Passo 2 – Ensine – ou finja ensinar – para uma criança

A ideia é realmente ensinar – não importa se você tenha um público, ou não. O importante é explicar o tópico em termos de fácil compreensão. Assim, você consolida o que aprendeu e visualiza com facilidade o que ainda não sabe com clareza.

Passo 3 – Identifique as lacunas (buracos) na própria compreensão

A partir da sua tentativa de explicação para uma outra pessoa, você vai perceber os buracos no próprio aprendizado, segundo a Técnica Feynman. Revisite esses pontos e volte às suas fontes de informação até que consiga explicar o conceito completamente.

Passo 4 – Revise, organize e simplifique

Revise seu trabalho até então enquanto simplifica ainda mais a linguagem (tenha certeza de estar utilizando suas próprias palavras e não jargões do material de estudo). Ilustre com exemplos e, se necessário, conecte conceitos e faça analogias para fortalecer sua compreensão. O objetivo é organizar todo o conteúdo em uma história simples que flui. Por fim, leia em voz alta e, se ainda parece confuso, pode ser uma indicação de que seu entendimento ainda não é completo. Se for o caso, estude novamente e volte a preencher as lacunas (buracos).

Passo  5 – Refaça todo o processo quantas vezes for necessário

O objetivo do método é dominar 100% do assunto, se você chegou em 99%, poderá melhorar e alcançar os 100%. Segundo Feynman, o mais importante é adotar a honestidade intelectual e tê-la como referência em tudo o que fizer durante a vida!

Fontes: www.napratica.org.br Eureka

Qual a origem do conhecimento? A resposta é { }

Como iniciamos o conhecimento de algo?

Começamos a conhecer algo partindo de um espaço de conhecimento que podemos simbolizar pelo conjunto vazio = { }, e seguimos para um estado posterior que nos levará ao conhecimento. É por meio da lógica matemática que compreenderemos essa trajetória, segue explicações complementares.

Um porto seguro para o pensamento 

Quando algo deixa de fazer sentido, temos uma nulidade, mas quando algo começa a fazer sentido, esse início precisa de um espaço existente que sirva como um precursor válido em nossa capacidade de conhecer. Caso não exista o espaço, o conhecimento não terá início.

É necessário uma lógica bem fundada (fundamentada) para validar às afirmações e conclusões

Se as informações de uma conclusão válida já estiverem contidas em suas premissas e se as premissas forem verdadeiras, a conclusão não poderá ser falsa. A verdade produz a verdade quando a inferência é válida. Mas isso não diz que um argumento seja válido sempre que suas conclusões e premissas forem verdadeiras. Também não diz que, se um argumento é válido, suas premissas e conclusões são verdadeiras. Podemos resumir essas ideias no seguinte princípio.

Condição necessária de valor verdadeiro para argumentos válidos

Se um argumento válido tem premissas verdadeiras, então sua conclusão é verdadeira. Caso um argumento tenha premissas verdadeiras e uma conclusão falsa, esse argumento é inválido. Como declarações verdadeiras não têm consequências falsas, uma regra de inferência sólida não nos permitirá passar da verdade para a falsidade. Caso contrário, as deduções seriam incapazes de fundamentar a verdade das conclusões na verdade de suas premissas.

Em resumo: se algo não puder ser contado é nulo e não pode fazer referência ao conhecimento. Segue explicação.

Vamos elaborar as possibilidades da contagem

  • Todo conjunto finito ou vazio \displaystyle \large \varnothing é contável;
  • Todo subconjunto de um conjunto contável é contável;
  • Toda imagem de um conjunto contável por um mapeamento é contável;
  • Todo produto finito de conjuntos contáveis é contável;
  • Toda união contável de conjuntos contáveis é contável;
  • O conjunto dos subconjuntos finitos de um conjunto contável é contável;
  • O conjunto das sequências finitas de um conjunto contável é contável.

Um sólido fundamento para nosso pensamento

  • O conjunto vazio { } ou \displaystyle \large \varnothing é um conjunto bem fundado;
  • Toda coleção de conjuntos bem fundados, é bem fundada;
  • Se todo elemento de X é bem fundado, então X é bem fundado;
  • Todo elemento de um conjunto bem fundado é bem fundado;
  • Todo subconjunto de um conjunto bem fundado é bem fundado;
  • Note que para uma estrutura binária finita ser bem fundada é necessário e suficiente que essa estrutura não contenha looping (laço), ou seja, um conjunto; por exemplo, em que seu subconjunto é ele mesmo.

Qual a razão do quadro (lousa) mostrado acima estar vazio?

Está vazio (desconsidere o apagador) em razão de ainda não haver conteúdo em seu interior, quando houver esse conteúdo, espaços serão ocupados, embora o vazio ainda esteja lá conforme as regras abstrativas:

  • U’ = { } O complementar do Conjunto Universo U é o Conjunto Vazio.
  • { }’ = U O complementar do Conjunto Vazio { } é o Conjunto Universo.

As configurações do conjunto vazio \displaystyle \large \varnothing

Unicidade

Uma consequência direta do axioma da extensão é: existe um único conjunto vazio \displaystyle \large \varnothing.

Propriedades gerais

Muitas propriedades sobre conjuntos são trivialmente satisfeitas pelo conjunto vazio. Por exemplo, para mostrar que um conjunto \displaystyle \large {\displaystyle B} é subconjunto de um conjunto \displaystyle \large {\displaystyle A}, é necessário mostrar que todo elemento de \displaystyle \large {\displaystyle B} é também um elemento de \displaystyle \large {\displaystyle A}. E, logicamente, para mostrar que \displaystyle \large {\displaystyle B} não é subconjunto de \displaystyle \large {\displaystyle A}, é preciso exibir um elemento de \displaystyle \large {\displaystyle B} que não seja elemento de \displaystyle \large {\displaystyle A}. Assim, em particular, como \displaystyle \varnothing não possui elementos, não é possível mostrar que \displaystyle \large \varnothing não é subconjunto de um conjunto dado \displaystyle \large {\displaystyle A}. Logo, somos obrigados a aceitar que \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing \subset A} qualquer que seja o conjunto \displaystyle \large {\displaystyle A}.

Tal como se argumenta em favor de que \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing \subset A} para todo conjunto \displaystyle \large {\displaystyle A}, mostra-se que o conjunto vazio é um conjunto aberto da reta. De fato, para mostrar que \displaystyle \large \varnothing é aberto precisa-se mostrar que todo ponto de \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing } é um ponto interior. Como \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing } não possui pontos, não possui também pontos que não são interiores e, assim, é, por impossibilidade de prova em contrário, um aberto da reta.

Em geral, para refutar que um conjunto \displaystyle \large {\displaystyle A} não possui uma propriedade \displaystyle \large {\displaystyle p} é necessário exibir um \displaystyle \large {\displaystyle x\in A} que invalida a propriedade, isto é, tal que \displaystyle \large {\displaystyle p(x)} é falsa. Assim, como \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing } não possui elementos, é comum não se poder mostrar que \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing } não possui uma dada propriedade \displaystyle \large {\displaystyle p}. Dizemos que tais propriedades são verdadeiras por vacuidade (isto é, por impossibilidade de mostrar-se o contrário).

Propriedades topológicas

O conjunto vazio é aberto

De fato, por definição de topologia; ou ainda, como argumentado acima, porque não contém pontos que não sejam interiores.

O conjunto vazio é fechado

Por definição de topologia, o espaço inteiro é sempre aberto. Deste modo, como complementar de aberto é fechado, segue que o vazio é fechado. Noutros termos, um conjunto é fechado quando contém todos os seus pontos de acumulação. Como \displaystyle \large \varnothing não possui pontos, não existem sequências de pontos \displaystyle \large {\displaystyle (x_{n})_{n\in \mathbb {N} }\subset \varnothing } e, assim, \displaystyle \large \varnothing não possui pontos de acumulação e é, portanto, fechado.

O conjunto vazio é compacto

Como todo conjunto finito é compacto, \displaystyle \large \varnothing é compacto. Mais trivialmente, como \displaystyle \large \varnothing está contido em todo conjunto, em particular nos abertos, qualquer coleção finita de abertos cobre \displaystyle \large \varnothing.

O conjunto vazio é conexo

Ora, para que \displaystyle \large \varnothing fosse desconexo, seria preciso que existissem dois abertos \displaystyle \large {\displaystyle U} e \displaystyle \large {\displaystyle V} não-vazios e disjuntos tais que \displaystyle \large {\displaystyle U\cup V=\varnothing } . Agora, a união de dois conjuntos não-vazios é sempre não-vazia e, portanto, \displaystyle \large {\displaystyle U\cup V\neq \varnothing } para quaisquer abertos não-vazios \displaystyle \large {\displaystyle U} e \displaystyle \large {\displaystyle V}.

Supremo e ínfimo

Uma vez que o conjunto vazio não possui elementos, quando considerado como um subconjunto de um conjunto ordenado, todo elemento do conjunto ordenado é uma cota superior e, também, uma cota inferior para o conjunto vazio. Por exemplo, quando considerado como um subconjunto de \displaystyle \large {\displaystyle \mathbb {R}}, munido da ordem usual, todo número real é tanto uma cota superior como uma cota inferior para o conjunto vazio.

Assim, na reta real estendida, temos:

\displaystyle \large \sup \varnothing=\min (\{-\infty,+\infty\} \cup \mathbb{R})=-\infty

e

\displaystyle \large \inf \varnothing=\max (\{-\infty,+\infty\} \cup \mathbb{R})=+\infty

Teoria das categorias

Dado um conjunto \displaystyle \large {\displaystyle A} qualquer, \displaystyle \large {\displaystyle \varnothing \times A=\varnothing } e, assim, existe uma única função \displaystyle \large {\displaystyle f:\varnothing \rightarrow A}, a função vazia. Como resultado, o conjunto vazio é o único objeto inicial na categoria dos conjuntos.

Podemos ainda fazer do conjunto vazio um espaço topológico, chamado espaço vazio, definindo sobre ele a seguinte topologia: \displaystyle \large {\displaystyle \tau =\{\varnothing \}}. Este espaço topológico é o único objeto inicial na categoria dos espaços topológicos.

Conclusão: para todo espaço gerado, o \displaystyle \large \varnothing se instala automaticamente; portanto, o \displaystyle \large \varnothing é um autovetor e autovalor para todos os espaços de conhecimento!

Está quase pronto o poste sobre Espaços de Conhecimento, para expandir os estudos da aplicação de espacialidade e subespacialidade, principalmente nos sistemas educacionais. {RC}.

Referências Bibliográficas

Criacionismo: A Origem das Espécies Religiosa

O criacionismo é uma farsa que alimenta a ignorância do povo dominado pelas religiões, a ciência está descobrindo cada vez mais evidências contrárias ao criacionismo, tanto dentro quanto fora de nosso planeta.

Discursus: A filosofia e seus meios

O criacionismo é a teoria da origem das espécies animais e vegetais defendida pelas religiões judaica, católica e muçulmana. De acordo as teses criacionistas, cada uma das espécies de seres vivos teria surgido do nada por intermédio de deus. Como justificativa do modo de aparecimento da vida na Terra, os fundamentalistas dessas religiões apelam para crença cega nos mitos e lendas sobre a criação narrados nos Gênesis.
No século XIX, essa doutrina encontrou sustentação por parte de cientistas antievolucionistas do porte do naturalista francês Georges Léopold Chrétien Frédéric Dagobert, o barão Cuvier (1769-1832), fundador da paleontologia, que considerava os fósseis de seres vivos instintos como remanescentes de eras antigas, interrompidas por catástrofes. Hipótese semelhante a de outro geólogo francês, seu discípulo, Alcide d’Orbigny (1802-1857), que identificou 28 ocorrências de desastres naturais que aniquilaram, no passado distante, a vida na superfície do planeta. Eles acreditavam que o dilúvio descrito na

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Pense com clareza – Lógica e simbologia matemática – Ebooks inclusos

Pensar com clareza não é fácil, a dificuldade principal reside em nossos vieses cognitivos pré-carregados com informações inválidas ou pouco compreendidas a respeito de qualquer assunto. Ex: Deus existe? A resposta não pode vir das religiões e muito menos de seus representantes (há pouca clareza em suas afirmações) então recorremos à cosmologia, física e ciências para darmo-nos a resposta correta: é uma indeterminação que em última análise pode ser resolvida com a anulação lógica da questão via aplicação da fórmula que desenvolvi para limpar nossas redes neurais: {Deus=Null}.

 
Quando tomamos contato com algum assunto a primeira impressão consiste na utilização do viés cognitivo, uma interpretação que podemos chamar hermenêutica ou senso comum, ao aprimorarmos o foco e conhecimento sobre determinado tema com a utilização de técnicas precisas e melhor elaboradas via aplicação de métodos analíticos: classificação, qualificação e disposição de dados; podemos chamar episteme.
 
Fiz uma compilação de dados que considero pertinentes aos temas postados e analisados neste blog, o primeiro passo é aprender a reconhecer e posteriormente usar a simbologia lógica e matemática ampla e complexa; segue a lista dos principais símbolos matemáticos e lógicos comumente usados nos assuntos epistemológicos.
 
Símbolos matemáticos
 
SímboloSignificadoSímboloSignificado
Conjunto de números Naturais𝛼− ΑAlfa
Conjunto de números Inteiros𝛽− ΒBeta
Conjunto de números Racionais𝛾− ΓGama
Conjunto de números Reais𝛿− ΔDelta
Conjunto de números Complexos𝜀−ΕÉpsilon
União de Conjuntos𝜁− ΖZeta
Intersecção de Conjuntos𝜂− ΗEta
Está contido𝜃− ΘTeta
Está contido ou É igual a𝜄− ΙIota
Não está contido𝜅− ΚCapa
Contém𝜆− ΛLambda
Contém ou É igual a𝜇− ΜMu
Não contém𝜈− ΝNi
Diferença de Conjuntos𝜉− ΞCsi
Pertence𝜊− ΟÓmicron
Não Pertence𝜋− ΠPi
[𝑎,𝑏]Intervalo Fechado𝜌− Ρ
]𝑎,𝑏[Intervalo Aberto𝜎− ΣSigma
{𝑎,𝑏,𝑐}Conjunto de Elementos𝜏− ΤTau
∅ ou { }Conjunto Vazio𝜐− ΥÍpsilon
+Adição𝜑− ΦFi
Subtração𝜒− ΧQui
÷Divisão𝜓− ΨPsi
×Multiplicação𝜔− ΩÓmega
±Mais ou Menos
<Menor queÂngulo
Menor ou igual queAmplitude
>Maior que°Grau
Maior ou igual queMinuto
Equivalente’’Segundo
Implica quePerpendicular a
=Igual aParalelo a
Diferente dem.d.c.Máximo Divisor Comum
Aproximadamente Igualm.m.c.Mínimo Múltiplo Comum
Idêntico asin()Seno
ΣSomatóriocos()Cosseno
ΠProdutotan()Tangente
Integralcot()Cotangente
Gradiente𝑣⃗Vetor
E (operador lógico)‖𝑣⃗‖Norma
Ou (operador lógico)|𝑥|Valor Absoluto (módulo)
Existelog𝑎()Logaritmo de base a
Não Existeln()Logaritmo Natural (de base e)
Para Todolog()Logaritmo Decimal (de base 10)
~Negação𝑓(𝑥)Função
¬Negação𝑓′(𝑥)Função Derivada (primeira derivada)
:Tal Que𝐷𝑓Domínio
Então𝐷′𝑓Contradomínio
Porque𝑓−1Função Inversa
c.q.d.Como Queríamos Demonstrar𝑓∘𝑔Função Composta (f após g)
Infinitolim ()Limite
Raiz Quadrada𝑥→𝑎x Tende para a
Raiz Cúbica𝜋Pi, 𝜋=3,14159265359…
!Fatorial𝑒Constante de Euler, 𝑒=2,7182…
%PercentagemΦNúmero de Ouro, Φ=1,6180…
Permilagem  (x 1000)𝑖Unidade Imaginária, 𝑖2=−1
Grau Fahrenheit𝑅𝑒(z)Parte Real de um Complexo
Grau Celcius𝐼𝑚(z)Parte Imaginária de um complexo
NullNulo Baixe este gabarito em => PDF

Como adquirimos conhecimento?

Por intermédio de duas situações

A priori: o conhecimento que não depende da experiência – em tese! Ex: 5 + 5 = 10, uma ideia, espaço e tempo, etc.

 
A posteriori: o conhecimento que depende da experiência – empírico! Ex: ao perguntar para alguém o que há dentro da caixa sobre a mesa, há duas respostas que dependem da experiência para que seja possível chegar a esse conhecimento: se a caixa for transparente, o sentido da visão será suficiente para essa conclusão, se a caixa não for transparente, é necessário abri-la para saber o que há dentro.
 
No entendimento de Kant: “no tempo, pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.” demonstrando que todo conhecimento inicia com a experiência, porém não é porque iniciou com a experiência que dela deva depender; “consideraremos, portanto, conhecimento “a priori”, todo aquele que seja adquirido independentemente de qualquer experiência. A ele se opõem os opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só o são “a posteriori” – quer dizer – por meio da experiência.”
 
Desta forma o conhecimento “a priori” faz parte da razão pura, é universal e necessário, por exemplo: o triângulo possui três lados.” Esta frase nos faz entender que em qualquer lugar do universo e sob quaisquer circunstâncias o triângulo possui três lados, assim como: todo corpo possui massa; ou seja, são casos universais e necessários, sendo o que são em qualquer lugar.
 
Já o conhecimento “a posteriori” é contingente (pode ou não pode ser), pois depende do fenômeno empírico para ser o que é, dependente da experiência e dela é originado, enquanto o conhecimento “a priori” é originado na experiência, mas não dependente dela.
 
Lembrando que os conhecimentos: “a priori” e “a posteriori” servem apenas para conhecimento das coisas que estão no âmbito da física e não metafísica, e ainda que não possamos conhecer as coisas como são em si, mas apenas como aparecem a nós.
 
Conclusão: jamais conheceremos o cosmos diretamente como realmente é, obteremos apenas versões aproximadas da realidade física.
 
Ebooks necessários para o aprimoramento do estudo da matemática básica e lógica
 
Universidade de Latvia
Introduction to Mathematical Logic
Hyper-textbook for students
by Vilnis Detlovs, Dr. math.,
and Karlis Podnieks, Dr. math.
Institution: University of Latvia
Department: Faculty of Computing, Institute of Mathematics and Computer Science. Obs: clique na imagem para acesso direto ao Ebook em Pdf.

Assuntos importantes que são tratados neste Ebook

WARNING!ATENÇÃO!
In this book, predicate language is used as a synonym of first order language formal theory.Neste livro, linguagem predicada é usada como sinônimo de linguagem de primeira ordem.
Formal theoryTeoria formal
As a synonym of formal system, deductive system.Como sinônimo de sistema formal, sistema dedutivo.
Constructive logicLógica Construtiva
As a synonym of intuitionistic logic.Como sinônimo de lógica intuicionista.
Algorithmically solvableSolvável por meio de algoritmos
As a synonym of recursively solvable.Como sinônimo de recursivamente solvável.
Algorithmically enumerableEnumerável por meio de algoritmos
As a synonym of recursively enumerable.Como sinônimo de numerável recursivamente.
Universidade de Latvia
What is Mathematics Gödel’s Theorem and Around
Hyper-textbook for students
by Karlis Podnieks, Professor
Obs: clique na imagem para acesso direto ao Ebook em Pdf.

Fonte Ebooks: Universidade Latvia
Créditos: Karlis Podnieks Oficina Kantiana

Como atingir a razão esclarecida sobre nossas crenças, valores e interpretações da realidade!

A interpretação dada pelas religiões ao cosmos, sem exceções, está equivocada. Este equívoco é a tentativa de apresentar um subterfúgio (fé?!), via imposição de uma fonte geradora de salvação (ficção – não realidade) ou salvador (fictício – irreal), cuja finalidade é induzir ao pensamento humano algo além da compreensão. Esse além (absurdo) é exatamente aonde o conhecimento não chegou, uma metafísica. Consulte Bem fundado!

Até mesmo dentro da física encontramos limites que não podem ser excedidos, ex: não sabemos o que há dentro dos buracos negros, não sabemos como é a física no interior de uma singularidade. A metafísica tenta explicar o que nem mesmo a física consegue, neste caso, é fácil cair nos paradoxos; entretanto, não significa que nosso pensamento esteja limitado, não está, o limite aqui é puramente interpretativo.

E se perguntarmos o que é o conhecimento? É a aproximação de nossas crenças, conceitos e proposições com as razões sobre o mundo ao nosso redor!

Neste momento chegamos na {0} origem de nossas dúvidas com relação ao que pode ser conhecido. No substantivo conhecimento temos dois elementos básicos: o sujeito (cognoscente) e o objeto (cognoscível); o cognoscente é o indivíduo capaz de adquirir conhecimento ou possui a capacidade de conhecer, o cognoscível é o que se pode conhecer.

E o que é uma verdade? É a junção de nossas crenças, proposições, opiniões, etc, com a realidade! Uma verdade é uma justificativa aceitável, uma prova, razão, como síntese podemos chamar de existência.

E ao perguntarmos: existe uma verdade absoluta, superior? A resposta é não! Não existe! É uma falácia; a razão é simples: existem conjugados verdadeiro/falso atribuídos a todos os existenciais.

Usamos a hermenêutica para interpretar/qualificar (múltiplas versões) do mundo ao nosso redor, mas é com o auxílio da episteme (conhecimento da natureza), que torna-se possível a compreensão elaborada das coisas. Para ir ao fundo, precisamos saber que a distinção: “a priori/a posteriori é epistemológica”, “analítica/sintética” é linguística e “necessário/contingente” é metafísica. Estas são as proposições apresentadas, vamos colocá-las em confronto com as religiões.

As religiões afirmam: existe uma verdade absoluta = Deus!

Afirmam que o cosmos teve origem ou princípio nessa ideia – afirmam ainda – essa verdade absoluta pode ser atingida lendo um livro chamado bíblia, por meio da fé (vendar os olhos e seguir o rumo dos acontecimentos). O que todas as religiões e seus praticantes não sabem é que a base desse conhecimento é apenas hermenêutica (versões da mesma interpretação – certo/errado, bem/mal, verdadeiro/falso), proposições cujas fontes ou origens são redundantes ou arbitrárias.

Mas isso é um equívoco monumental, é impossível existir uma verdade que se sobreponha em todas as outras – não há verdade máxima, nem verdade absoluta – por conseguinte, é impossível chegar a uma conclusão da existência de Deus!

No confronto do que sabemos ou podemos aprender, obtemos múltiplas respostas, múltiplas afirmações/negações = múltiplas interpretações!

Deus é uma ideia que foi posta em um livro: a bíblia e depois abduzida (imposta) na memória das pessoas no decorrer de milênios, cujo objetivo é induzir afirmações equivocadas a partir apenas de uma ideia (redundância/tautologia), na tentativa de conduzir às pessoas para uma condição moral arbitrária (servindo como fundamento para castas manterem a dominação sobre os menos favorecidos, ex: igrejas, seitas, credos, culturas, etc.) e contrárias à razão esclarecida. Como não existe uma verdade absoluta, o resultado é um inexistente =Sic: O fim das crenças em inexistentes é inevitável – redundante e sem meios de evoluir para uma condição posterior e natural, isso causa abusos doutrinários/opressores sobre aqueles cuja educação não foi capaz o suficiente de torná-los imunes a essa pseudoverdade! Escrevi uma fórmula para anular essa ideia e voltar o pensamento ao estado puro e livre: {Deus=Null ou Deus=} uma fórmula básica cujo objetivo é limpar a memória desse vírus que gera redundância, sofrimento, ignorância nas pessoas menos esclarecidas.

Referências: Wikipedia, dicionário online português

O Bom Livro de A. C. Grayling – uma bíblia sem Deus

O bom Livro
Clique na imagem para baixar no formato Epub (divulgação).

A. C. Grayling, professor de filosofia da Universidade de Londres, escreveu “O Bom Livro: Uma Bíblia Secular, pode ser baixado ao clicar na capa do mesmo ao lado, é uma coletânea de textos escritos pelos maiores pensadores e intelectuais da humanidade, tais como: Demóstenes, Confúcio, Aristóteles, Isaac Newton e, não podia faltar, Charles Darwin. Assim como na bíblia cristã, a obra de Grayling começa no Gênesis e segue para Lamentações e Provérbios, tudo organizado em capítulos e versos.

“A estrutura bíblica é convidativa e acessível. O leitor pode escolher trechos ou seções para ler separadamente”, diz o autor.

Porém, nas 591 páginas da obra de Grayling não há sequer uma menção à palavra “Deus” ou qualquer outra referência divina. O autor acredita que há pensamentos profundos e sérios sobre o bem nas grandes tradições não-religiosas que seriam mais humanos e vivíveis — sem estar sob o comando de uma autoridade.

OS 10 MANDAMENTOS ATEUS

1. Ame bem
2. Busque o bem em todas as coisas
3. Não faça mal aos outros
4. Pense por si mesmo
5. Assuma responsabilidade
6. Respeite a natureza
7. Faça o seu melhor
8. Seja informado
9. Seja bondoso
10. Seja corajoso – ao menos tente sinceramente

O bom livro foi escrito com base em mais de mil textos, de várias centenas de autores, e também coleções e tradições anônimas, dentre os mais usados:

Albulfazl, Ésquilo, Anacreonte, Antístenes, antologia grega, Aristóteles, Aurélio, Bacon, Baudelaire, Bayle, Bantham, Beyle, Boyle, Buonarotti, Carvaka, Catão, Catulo, Chaucer, Chesterfield, Cícero, Clemens, Condillac, Condorcet, Confúcio, Constant, Chowley, Cowper, Cui Hao, d’Alembert, Darwin, Demóstenes, d’Holbach, Diderot, Dryden, Du Fu, Emerson, Epiteto, Epicuro, Eurípides, folclore, Gellius, Godwin, Goethe, Grayling, Hafiz, Harrington, Hazlitt, Heródoto, Herrick, Hobbes, Homero, Horácio, Hume, Huxley, Jefferson, Jonson, Juvenal, Kant, Kautilya, Lao Zi, lendas, Libai, Liu Yuxi, Locke, Lovelace, Lucrécio, Lysias, Maquiavel, Marmontel, Marcial, Menandro, Mêncio, Mill, Milton, Montaigne, Montesquieu, Mozi, Névio, Nerval, Newton, Nietzsche, Ovídio, Paine, Pater, Petrarco, Platão, Plínio, Plutarco, Políbio, Propércio, Rimbaud, Rousseau, Rumi, Sainte-Beuve, Salústio, Safo, Schiller, Schopenhauer, Sêneca, Shaftesbury, Shangguan Yi, Shi Jing, Sófocles, Spinoza, Suetônio, Sully-Prudhomme, Sun Tzu, Swift, Tácito, Terêncio, Thomson, tradições, Tucídides, Tibulo, Turgot, Valery, Vergílio, Verlaine, Voltaire, Walpole, Wang Bo, Wang Wei, Xenofonte, Zhu Xi

Fonte: Lê Livros

Fonte: Galileo

Mia Couto – Repensar o pensamento

Mia Couto, romancista moçambicano, defende em sua conferência um pensamento que crie pontes e não fortalezas. Vivemos em um tempo de acesso a tudo, mas confundimos ideias novas e informação recente: “Cada vez mais repetimos o que já fomos.” Conferencista do Fronteiras do Pensamento realizado em 2012.

Fonte: Fronteiras do Pensamento

O Universo tem um Propósito?

Neil deGrasse Tyson é investigador associado do departamento de astrofísica no Museu Americano de História Natural, localizado em Nova Iorque Estados Unidos.


Concordo com as afirmações do cientista quando diz que temos 99,9999% de incertezas a respeito da vida e do universo, isso significa que toda a nossa afirmação sobre algo que conhecemos é insuficiente para concluir que existe uma finalidade para a vida e para o cosmos.

Fonte: Youtube

Saiba o que é o criacionismo e porque de sua negação

O criacionismo é a crença religiosa de que a humanidade, a vida, a terra e o universo são a criação de um agente sobrenatural. No entanto, o termo é mais comumente usado para se referir à rejeição, por motivação religiosa, de certos processos biológicos, particularmente a evolução. Desde o desenvolvimento da ciência evolutiva a partir do século XVIII, vários pontos de vista criados tiveram como objetivo conciliar a ciência com a narrativa de criação do Gênesis. Nessa época, aqueles que mantinham a opinião de que as espécies tinham sido criadas separadamente eram geralmente chamados de “defensores da criação”, mas foram ocasionalmente chamados “criacionistas” em correspondências privadas entre Charles Darwin e seus amigos. À medida que a controvérsia da criação versus evolução se desenvolveu, o termo “anti-evolucionistas” tornou-se mais comum, então, em 1929, nos Estados Unidos, o “criacionismo” tornou-se o primeiro termo especificamente associado com a oposição fundamentalista cristã para a evolução humana e a crença em uma Terra jovem, embora seu uso tenha sido contestado por outros grupos que acreditavam em vários outros conceitos de criação.

Nos vídeos a seguir, o Blogueiro Pírulla25 explica nos mínimos detalhes como essa ideia teve origem e a sua posterior refutação pelas descobertas da ciência.

Fonte: Wikipedia

Fonte: Pirulla25

O que é esclarecimento?

Iluminar é conhecer

Em linhas gerais, esclarecimento é estudo + observação, podemos compará-lo a um farol que guia os navios perto da costa, neste caso, quando o farol aponta o cone de luz para um determinado local iluminando-o, mostra o que antes estava oculto na penumbra.

É importante estarmos esclarecidos sobre os fatos à nossa volta e sobre muitas das questões que nos são apresentadas; informações que passam pelas páginas da internet, tv, rádio, etc. Ao tomar conhecimento sobre muitos assuntos eliminamos a dúvida e afastamos a crença em coisas que não existem. Podemos chamar isso de limpeza mental cujo conteúdo de nossa mente fica preenchido por informações precisas sobre os mais variados temas.

Hoje a internet nos proporciona um acesso direto às informações dos mais variados tipos, ao tomar contato com esse conteúdo procure sempre pelas fontes de determinado estudo ou questionamento, evitando interpretações errôneas.

{rcristo}

O que é esclarecimento – Immanuel Kant[1] (1784)

Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade[2] auto-imposta. Menoridade é a inabilidade de usar seu próprio entendimento sem qualquer guia. Esta menoridade é auto-imposta se sua causa assenta-se não na falta de entendimento, mas na indecisão e falta de coragem de usar seu próprio pensamento sem qualquer guia. Sapere aude! (Ouse conhecer!). “Ter a coragem de usar o seu próprio entendimento” é, portanto, o motto do Esclarecimento. Preguiça e covardia são as razões de a maior parte da humanidade, de bom grado, viver como menor durante toda a sua vida, mesmo depois de a natureza a muito tempo ter livrado-a de guias externos. Preguiça e covardia demonstram porque é tão fácil para alguns se manterem como tutores.

É muito confortável ser um menor. Se eu tenho um livro que pensa por mim, um pastor que age como se fosse minha consciência, um físico que prescreve a minha dieta e assim sucessivamente, não tenho então necessidade de empenhar-me por conta própria. Se eu posso pagar, não tenho necessidade de pensar. Muitos poderão discordar comigo nessa matéria: os próprios guardiães que se encarregam de cuidar para que a esmagadora maioria da humanidade – e, dentro dela, todo o sexo feminino – não alcance a maturidade, não apenas por ser desagradável, mas extremamente perigosa. Tais guardiães tornam estúpido seu gado doméstico e cuidadosamente se previnem para que suas dóceis criaturas não tomem caminho próprio sem seus arreios. Assim, eles mostram para seu gado o perigo que pode ameaçá-los caso pretendam andar por sua própria conta.

Na verdade, o perigo não é realmente tão grande quanto parece. Afinal, depois de tropeçar um pouco, todos aprendem a andar. Entretanto, exemplos de tropeços intimidam e geralmente desencorajam todas as novas tentativas. Portanto, é muito difícil para o indivíduo agir por sua própria conta e superar a menoridade, que se torna para ele quase uma segunda natureza. Assim, mesmo que esteja já amadurecido, o indivíduo é desde o início incapaz de usar seu entendimento por conta própria porque nunca se permitiu tentar fazer isso. Dogmas e fórmulas – estas ferramentas mecânicas para usos razoáveis (ou, pelo contrário, abusivos) das dádivas naturais dos indivíduos – são os grilhões de uma duradoura menoridade. O homem que se livra deles dá um salto incerto acima do abismo, mas este tipo de movimento livre não é comum. Eis a razão para o fato de que apenas poucos homens caminham decididamente e saem da menoridade, cultivando seus próprios pensamentos. No entanto, é praticamente certo que o público possa esclarecer-se. De fato, basta que a liberdade seja dada para que o esclarecimento torne-se praticamente inevitável.

Sempre haverá pensadores independentes, mesmo entre os auto-intitulados guardiães da multidão. Uma vez que tais homens livrem-se do jugo da menoridade, derramarão sobre si o espírito de uma apreciação razoável do valor humano e de seu dever de pensar por conta própria. É interessante observar que o público que se manteve anteriormente sob o jugo destes guardiães, quando é incitado à revolta por alguns deles – que são incapazes de qualquer esclarecimento –, força-os posteriormente a permanecerem submissos. Isso demonstra o quanto é perigoso implantar preconceitos: estes eventualmente voltam-se contra seus próprios autores ou contra os descendentes dos autores. Portanto, apenas lentamente o público deve alcançar esclarecimento. Uma revolução pode levar ao fim de um despotismo pessoal ou de uma avarenta e tirânica opressão, mas nunca leva a uma verdadeira reforma dos modos de pensar. Novos preconceitos tomarão o lugar dos antigos como guias de uma multidão irracional.

O esclarecimento requer nada além do que liberdade – e o mais puro de tudo isso é a liberdade de fazer uso público da razão em qualquer assunto. Por outro lado, o uso privado da razão freqüentemente pode ser restrito, mas isso não necessariamente retarda o processo de esclarecimento. Atualmente, ouço clamores de todos os lados: “Não questione!”. Os oficiais militares dizem: “Não questione, mexa-se!”. O coletor de impostos: “Não questione, pague!”. O pastor: “Não questione, creia!”. Somente um único soberano[3] em todo mundo pode dizer: “Questiona tanto quanto quiseres, e sobre o que quiseres, mas obedeça!”. Nós encontramos restrições à liberdade em todo lugar. Mas qual restrição é nociva ao esclarecimento? Qual restrição é livre de erros e qual antecede o esclarecimento? Eu respondo: o uso público da razão deve ser livre todo o tempo e somente isso pode levar esclarecimento à humanidade.

Por “uso público da razão” entendo o uso que um homem, como scholar[4], faz da razão diante de um público letrado. Eu chamo de “uso privado da razão” aquele uso que um homem faz da razão em um posto civil que lhe foi confiado. Em alguns negócios que afetam o interesse da comunidade, um certo mecanismo [governamental] é necessário, em relação ao qual alguns membros da comunidade permanecem passivos. Isto cria uma unanimidade artificial que servirá para o cumprimento dos objetivos públicos, ou ao menos para proteger tais objetivos da destruição. Aqui, questionar não é permitido: deve-se obedecer. Uma vez que um participante deste mecanismo se considera ao mesmo tempo parte de uma comunidade universal (uma sociedade mundial de cidadãos) – lembrando que ele pensa por sua própria conta como um scholar que racionalmente se dirige ao seu público através de seus escritos –, ele pode efetivamente questionar – mas nada sofrerão os assuntos com os quais ele está associado parcialmente como membro passivo[5]. Portanto, seria um completo infortúnio se um oficial militar (no cumprimento de seu dever ou sob ordens de seus superiores) quisesse questionar a adequação ou utilidade de suas ordens. Ele deve obedecer. No entanto, como um scholar, ele certamente não poderia evitar de reconhecer os erros no serviço militar e deve expor suas visões ao julgamento de seu público. Um cidadão não pode deixar de pagar os impostos que lhe são cobrados – e impertinentes críticas a esses impostos podem ser punidas (como um escândalo que pode provocar uma desobediência geral). Não obstante, tal homem não viola os deveres de um cidadão se, como um scholar, publicamente expressa suas objeções a respeito da inadequação ou possível injustiça de tais impostos.

Um pastor também é limitado a pregar para sua congregação de acordo com as doutrinas da igreja à qual serve, pois ele foi ordenado para isso. Mas como um scholar ele tem completa liberdade, na verdade, a obrigação, de comunicar a seu público todos os seus pensamentos cuidadosamente examinados e construídos a respeito dos erros nessa doutrina e expor suas proposições a respeito do progresso do dogma religioso e das instituições eclesiásticas – o que não é nada que possa sobrecarregar a sua consciência. No entanto, quando ensina seguindo seu ofício de representante da igreja, o pastor representa alguma coisa da qual ele não é livre para ensinar tanto quanto observar. Ele fala como alguém que é empregado para falar em nome e sob as ordens de alguém. O pastor dirá: “Nossa igreja ensina isso ou aquilo; estas são as provas que ela usa”. Nesse sentido, ele beneficia a sua congregação tanto quanto possível por apresentar doutrinas nas quais não acredita completamente, mas se compromete em ensiná-las pois não é completamente impossível que elas não possam conter alguma verdade oculta. Em todo caso, ele não encontrou nada nas doutrinas que contradiga o coração da religião. No entanto, se ele acredita que tais contradições existem, ele não estaria mais habilitado para administrar seu ofício com clareza de consciência. Ele teria que renunciar ao seu cargo.

Portanto, o uso que um scholar faz de sua razão diante da congregação que o emprega é somente um uso privado (para uma audiência doméstica), não importa o quão importante seja. Em vista disso, o pastor, como um pregador, não é livre e nem deve ser livre se ele está encarregado das ordens de alguém. Por outro lado, como um scholar que fala para seu público (o mundo) através de seus escritos, o ministro – no uso público de sua razão – goza de liberdade ilimitada para usar sua própria razão e para falar por si. Que os guardiães espirituais do povo devam tratar a si mesmos como menores é um absurdo que resultaria em perpétuos absurdos.

No entanto, deve uma sociedade de ministros, digo um Conselho Eclesiástico, ter o direito de se comprometer, por juramento, com uma doutrina inalterável de modo a assegurar-se como guia perpétuo acima de todos os seus membros e, através destes, acima do povo? Eu digo que isso é praticamente impossível. Tal contrato – concluído para privar a humanidade de qualquer novo esclarecimento – é simplesmente nulo ou vazio, mesmo que tenha sido confirmado por um poder soberano, parlamentos e pelos tratados mais solenes. Uma época não pode fazer um pacto que comprometa as idades futuras, não pode evitar que elas aumentem suas significantes inspirações, purifiquem-se de erros e gradativamente progridam no esclarecimento. Isso seria um crime contra a natureza humana, cujo destino assenta-se justamente em tal progresso. Portanto, as idades futuras têm pleno direito de repudiar tais decisões como desautorizadas e ultrajantes. A pedra de toque de todas essas decisões – que devem tornar-se leis para um povo – baseia-se nesta questão: Poderia um povo impor tal lei a si mesmo?

Pode ser possível introduzir no momento presente uma ordem provisória enquanto se espera uma ordem melhor. Entretanto, enquanto tal ordem provisória continuar, cada cidadão – e, acima de tudo, cada pastor atuando como scholar – deve ser livre para publicar suas críticas das falhas das instituições existentes. Isso deve continuar até que a compreensão pública dessas questões vá tão longe que – unindo a voz de muitos scholars, mas não necessariamente todos – as propostas de reforma possam ser trazidas diante do soberano para proteger aquelas congregações que tenham decidido, de acordo com suas melhores luzes, alterar a ordem religiosa, sem prejuízo, entretanto, para aquelas congregações que queiram sinceramente permanecer nas instituições antigas. Mas concordar com uma constituição religiosa perpétua não passível a ser publicamente questionada por ninguém seria, como foi, aniquilar um período para o progresso do aperfeiçoamento humano. Isso deve ser absolutamente proibido.

Um homem pode postergar seu próprio esclarecimento, mas somente por um período limitado. No entanto, suspender o esclarecimento de uma só vez, para si mesmo ou para seus descendentes, é violar e pisar nos sagrados direitos do homem. O que um povo não pode decidir por si mesmo, menos ainda pode ser decidido por um monarca, pois sua reputação como administrador consiste precisamente na maneira que une a vontade de todo o povo com a sua própria. Se o monarca percebe que toda verdade ou suposto progresso [religioso] permanece regulado ao nível da ordem civil, ele pode para o restante das coisas da fé deixar seus súditos livres para fazerem o que acharem necessário para a salvação de suas almas. Salvação não é assunto para monarca; é seu atributo impedir que todo homem seja compelido por outrem em matéria de fé, para que possa promover a sua própria salvação da melhor forma possível. De fato, seria prejudicial para a sua majestade que o monarca se imiscuísse nestes assuntos e vigiasse os escritos nos quais seus súditos expõem suas visões [religiosas], mesmo quando baseado na mais alta inspiração, pois assim expor-se-ia à reprovação: Caesar non est supra grammaticos [César não está acima dos gramáticos]. É ainda pior quando o monarca degrada seu poder soberano de modo a apoiar o despotismo espiritual de uns poucos tiranos no Estado em prejuízo do restante dos súditos.

Quando nós perguntamos “Vivemos agora numa época esclarecida?”. A resposta é “Não”, mas vivemos numa época de esclarecimento[6]. Tal como as coisas se apresentam agora, estamos longe de ver homens verdadeiramente capazes de usar sua própria razão em assuntos religiosos de forma confiante e correta sem guias externos. No entanto, temos óbvias indicações de que o campo de trabalho em direção à meta [da verdade religiosa] está sendo aberto agora. Mais ainda: os impeditivos contra o esclarecimento geral ou contra a saída de uma menoridade auto-imposta estão diminuindo gradativamente. Nesse sentido, esta é a idade do esclarecimento e o século de Frederico, o Grande.

Um príncipe não deve pensar que desqualifica a dignidade de seu estamento pelo fato de não considerar ser seu dever guiar seus súditos em assuntos religiosos; pelo contrário, ele deve deixá-los em completa liberdade. Se ele repudia a arrogante palavra tolerante, ele é em si mesmo esclarecido; ele merece ser louvado por um mundo gracioso e próspero, como um homem que primeiro soube libertar a humanidade da dependência (ao menos de guia) e deixar todos usarem sua própria razão em assuntos de consciência. Em seu reinado, pastores honrosos – atuantes como scholar, malgrado os deveres de ofício – podem publicar livre e abertamente suas idéias para o mundo avaliá-las, mesmo que desviem aqui ou ali da doutrina aceita. Isso é tanto mais verdadeiro para as pessoas que não estão sujeitas a juramento de ofício. Este espírito de liberdade está espalhando-se para além das fronteiras [da Prússia], mesmo onde tem tido que lutar contra os impeditivos externos estabelecidos por um governo que falha em compreender seu verdadeiro interesse. [Frederico II da Prússia] é um claro exemplo de que a necessidade de liberdade não provoca o menor estorvo à ordem pública ou à unidade da comunidade.

Quando deliberadamente não se mantém os homens no barbarismo, eles gradativamente superam tal condição por si mesmos. Eu tenho enfatizado o ponto principal do esclarecimento – o homem sair de sua auto-imposta menoridade – primeiramente em assuntos religiosos porque nossos administradores não têm interesse em se manter no papel de guardiães de seus súditos nas artes e nas ciências. Acima de tudo, menoridade em religião não é apenas nociva, mas desonrosa. Mas a disposição de um governo soberano em favorecer a liberdade nas artes e ciências vai mais além: o governante sabe que não há perigo em permitir que seus súditos façam uso público de sua razão e publiquem suas idéias a respeito da melhor constituição, assim como as suas cândidas críticas às leis básicas existentes. Nós já temos um flagrante exemplo [de tal liberdade], e nenhum monarca pode igualar-se àquele que nós veneramos.

Somente o homem esclarecido, que não teme as sombras e comanda um exército ao mesmo tempo bem disciplinado e numeroso como mantenedor da paz pública, pode dizer aquilo que [o soberano de] um estado livre não pode ousar dizer: “Questiona tanto quanto quiseres, e sobre o que quiseres, mas obedeça!”. Assim, nós observamos aqui, como em qualquer outro assunto humano (em que quase tudo é paradoxal), uma surpreendente e inesperada cadeia de acontecimentos: se um amplo grau de liberdade civil parece ser vantajoso para a liberdade intelectual das pessoas, isso ao mesmo tempo estabelece insuperáveis barreiras; entretanto, um grau menor de liberdade civil dá a oportunidade para o espírito expandir-se até o limite de sua capacidade. Por isso, a natureza tem cultivado cuidadosamente a semente dentro de uma casca dura – nomeadamente, o desejo de e a vocação para o livre pensamento. E quanto mais este livre pensamento gradativamente resiste aos modos de pensamento do povo, mais os homens tornam-se cada vez mais capazes de agir em liberdade. Enfim, o livre pensamento age até mesmo nos fundamentos de governo, e o Estado acha isso agradável para tratar o homem – que é agora mais do que uma máquina – de acordo com sua dignidade.

[1]Em alemão: “Was ist Aufklaerung?”. Optei pelo termo “Esclarecimento” e não “Iluminismo” ou “Iluminação” porque está mais próximo do sentido original, ou seja, esclarecer-se, ilustrar-se, por-se à luz do entendimento autônomo. (In: JACOB, Margaret C.. The Enlightment: A Brief History with Documents. Boston/New York: Bedford/St. Martin’s, 2001.pp.202-208. Notas e tradução do inglês são da inteira responsabilidade de Alexander Martins Vianna – Departamento de História, FEUDUC-RJ)

[2]O termo está no mesmo campo semântico de imaturidade, condição de menor, daquele que é dependente da tutela de outrem e que, nesse sentido, exerce sobre ele uma autoridade de pater, guia, condutor etc. (N.T.)

[3]Kant(1724-1804) refere-se a Frederico II(1712-1786), o Grande, rei da Prússia desde 1740. Foi celebrado nos meios intelectuais iluministas por ser um mecenas das artes e ciências, dialogando com muitos philosophes da França – a ponto de transformar o francês numa língua culta para comunicação em sua corte. Antes de iniciar a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), contava com grande simpatia de Voltaire (1694-1778).

[4]No sentido de erudito com profundo conhecimento de um assunto específico.

[5]Em seu livro “Modernidade e Identidade”(Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002), Anthony Giddens enfoca o indivíduo e os vários processos reflexivos de construção de identidade na sociedade moderna (sécs. XIX-XX), em que afirma que, até a década de 1950, era possível observar um indivíduo ainda pressionado entre formas pré-modernas (mais fixistas) de identidade e os novos valores, típicos da modernidade, ligados à velocidade e à liberdade de ação, escolha e autoconstituição. No entanto, Giddens lembra que a liberdade de autoconstituição reflexiva chocava-se com um leque preestabelecido de opções. Ele entende tal fenômeno como associado à especialização tecnológica do trabalho e à multiplicidade de papéis sociais, percebendo que a autonomia na modernidade é em larga medida constrangida pelo próprio processo de modernização da vida social, que torna todos impessoalmente reféns de sistemas-perito, que são os efetivos criadores/programadores das agendas de escolha ou leques de opções das multidões. Nesse sentido, aplicando tal análise às idéias de Kant sobre o “uso privado da razão”, observamos um limite à liberdade, pois, em face das especialidades existentes numa sociedade, haverá sempre “cidadão passivos” em relação a algum assunto. Logo, se uma sociedade em processo de esclarecimento pressupõe um tipo de liberdade ancorada na autonomia moral, tal liberdade é relativizada por contextos funcionais: Você tem liberdade de criticar as coisas em relação às quais tenha conseguido pleno esclarecimento, ou seja, aquelas em que Você seja scholar, caso contrário, o preconceito será o guia de seu julgamento.

[6]O processo está em andamento e não concluído, mesmo porque não há conclusão para o processo de “esclarecimento”. O homem está sempre em movimento de aperfeiçoamento de seu entendimento.

Fonte:Espaço acadêmico