Conceitos básicos em matemática (noção de primitivas)

Na foto da Big Lousa (grande quadro em sala de aula), podemos perceber a matemática expressada em toda a sua magnitude. Créditos foto (internet).

O que é Matemática?

É a ciência do raciocínio lógico e abstrato, que estuda quantidades, medidas, espaços, estruturas, variações e estatísticas. Também é a ciência mais importante em razão de ser a fundamentação do conhecimento. Toda base tecnológica é fundamentada em matemática, caso sua aprendizagem seja deficitária ficaria muito difícil avançar na aquisição de conhecimento, compreendendo todas as áreas estudadas.

Conceitos básicos

A matemática não existe na natureza, é uma tremenda invenção do pensamento, um produto da cultura que foi amplamente inspirado pela natureza, especialmente durante a gestação da matemática na Suméria. Em contraste com a realidade e em contraste com os fenômenos naturais, a matemática é puramente conceitual. Certos objetos da natureza e certos fenômenos naturais, como o horizonte, favos de mel hexagonais, ritmos naturais, objetos em número ou ondas na superfície da água, podem sugerir que a matemática existe na natureza. De fato, esses objetos e esses fenômenos, chamados de naturais, são irregulares, imperfeitos e não devem ser confundidos com objetos matemáticos perfeitos e que obedecem às leis estritas: a matemática simplifica construindo conjuntos de objetos matemáticos, os quais têm as mesmas propriedades. (1)

Realidade e natureza

Por exemplo, a matemática defende que todos os indivíduos, que fazem parte de uma população de bactérias, são semelhantes; enquanto cada bactéria está em sua condição adequada, a qual difere da seguinte (condição fisiológica, interação com seu ambiente próximo, possível interdependência); mas sem essas simplificações da realidade, o estudo de bactérias seria impossível e o Universo seria ininteligível para nós. (1)


Este é um restabelecimento do antigo princípio latino Pars Pro Toto (verdadeiro para a parte significa verdadeiro para o todo). No entanto, o princípio do PPT é verdadeiro em matemática: em um conjunto matemático, todos os elementos são isomórficos (idênticos) e isonômicos (obedecem às mesmas leis), a menos que o conjunto seja particionado de alguma maneira. (1)


Por não existir na natureza, a matemática tem uma integridade interessante: ao contrário da política, economia, arte e filosofia, não há matemática de esquerda ou de direita; não há matemática aliada ao marxismo, nem fiel a nenhuma religião em particular; e também não favorece nenhuma cultura, espécies ou espécie em particular. Por sua própria essência, a matemática proíbe pontos de vista ideológicos, atitudes intelectuais, preconceitos ou convicções predeterminadas. Em sua aparente frieza, a matemática é vertical, mas não neutra, porque fica na linha de frente na luta contra o analfabetismo (sem conhecimento mínimo) e o obscurantismo (crença em inexistentes), na medida em que é uma maneira verdadeiramente excepcional de entender e inventar coisas. (1)

A origem da matemática

Algumas formas matemáticas muito básicas emergem no início do neolítico, AEC 7000 anos atrás; suas origens, em várias culturas, são diversas, poligênicas. No Curdistão iraquiano, estratos arqueológicos desse período retornaram pequenas cerâmicas esféricas, cilíndricas ou cônicas, chamadas de cálculos, destinadas a manter contas. Os cálculos parecem ser os arquivos contábeis mais antigos. Assim, eles deram origem a um sistema com um futuro promissor: administração. Deveria ser visto como um passo em direção à abstração, porque os cálculos já eram representações quantificadas e codificadas. No início da era neolítica, com esse modelo aritmético pequeno e elementar representado pelos cálculos, nossos ancestrais inventaram um dos primeiros modelos matemáticos. Seixos pintados, encontrados em Mas-d’Azil em Ariège (França, 9000 AEC), são interpretados como auxiliares de memória e provável precursor de cálculos. (1)

Artefatos matemáticos

A ideia aqui é combinar matemática e natureza, a fim de avaliar algum aspecto deste último, usando conceitos e modelos matemáticos. Nota importante: os artefatos matemáticos representam a realidade, mas não são a realidade: essa é precisamente a diferença entre realidade e artefatos matemáticos. (1)

Elementos primitivos

Em matemática, lógica, e sistemas formais, uma noção primitiva é um conceito indefinido. Em particular, a noção primitiva não é definida em termos de conceitos previamente definidos, é apenas motivada informalmente, geralmente por um apelo à intuição e a experiência cotidiana. Em um sistema axiomático ou outro sistema formal, o papel de uma noção primitiva é análoga ao de um axioma; portanto, é muito importante! Teorias formais não podem prescindir (vir sem ou ignorar) noções primitivas, sob pena de regresso ao infinito (circularidade).

Um ponto é aquilo que não tem partes.

Euclides: Os Elementos, Livro I.

Neste livro, o conceito de “ponto” não é primitivo, pois é definido por meio do conceito de “parte” que é primitivo, não recebe definição.
Um conceito pode ser primitivo em um contexto mas não em outro. Como exemplo, em psicologia, as cores geralmente são conceitos primitivos, pois o significado das cores provém unicamente do sentido da visão (e portanto a única maneira de ensinar o que significa precisamente a palavra azul, é mostrando algo dessa cor), mas no contexto da física, elas têm definições em termos de comprimentos de ondas eletromagnéticas.

Clique na foto ao lado para baixar o Livro em PDF. Créditos Unesp: archive.org

Conceitos primitivos formam a base representativa da matemática, são eles:

Espaço e subespaço

Espaços são possibilidades existências seja no sentido: físico, matemático, conceitual ou filosófico, representativo, etc. Todo espaço contém subespaços em seu interior. Nada pode existir fora de um espaço e a nossa capacidade de conhecer depende de um espaço que começa vazio. Em física o espaço não vem sozinho, é mesclado com o tempo para formar o espaço-tempo. {RC}.

Foi nossa capacidade cognitiva que ao inventar a ciência matemática nos proporcionou essa maravilhosa concepção. (consulte BEM-FUNDADO).

{RC}.

Obs: as leis/regras/lógicas/abstrações da matemática foram inventadas por nós no decorrer de milênios da evolução de nosso raciocínio, enquanto as leis da física foram descobertas. Um exemplo é o número Zero = 0, inventado há mais ou menos 2600 anos.

Espaços também podem ser:

Representação

Na teoria dos conjuntos representamos os espaços da seguinte forma:

{ espaço aberto

} espaço fechado

{ } espaço vazio ou ∅

{ { } } um espaço com subespaço interior

{∅} espaço vazio topológico

Ponto

Em Matemática, particularmente na Geometria e na Topologia, um ponto {.} é uma noção primitiva pela qual outros conceitos são definidos. Um ponto determina uma posição no espaço. Na Geometria, pontos não possuem volume, área, comprimento ou qualquer dimensão semelhante. Assim, um ponto é um objeto de dimensão 0 (zero). Um ponto também pode ser definido como uma esfera de diâmetro zero.

Geometria euclidiana

Nos Elementos de Euclides, um ponto é definido como “o que não tem partes”. Isto significa: o que caracteriza um ponto é a sua posição no espaço. Com o aparecimento da geometria analítica, passou a ser possível referir-se a essa posição através de coordenadas.

Geometria projetiva

Na geometria projetiva, um ponto é um elemento de um espaço projetivo, ou seja, é uma reta.

Topologia

Em topologia, um espaço topológico é um conjunto de pontos, aos quais está associada uma noção de proximidade. No entanto, existe uma abordagem recente da topologia, chamada a topologia sem pontos, que estuda os espaços topológicos sem se referir aos pontos que os constituem. Esta abordagem enquadra-se na teoria das categorias.

Reta

A linha reta é aquela que se estende igualmente entre seus pontos, podemos afirmar que é uma medida (distância) entre pontos.

As retas vermelha e azul neste gráfico têm o mesmo declive; as retas vermelha e verde têm a mesma interceptação em y (cruza o eixo y no mesmo local).

Curva

Uma espiral, um exemplo simples de curva.

Tecnicamente, uma curva é o lugar geométrico ou trajetória seguida  por um ponto que se move de acordo com uma ou mais leis especificadas, neste caso, as leis comporão uma condição necessária e suficiente para a  existência do objeto definido. Frequentemente há maior interesse nas  curvas em um espaço euclidiano de duas dimensões (curvas planas) ou três dimensões (curvas espaciais). Em tópicos diferentes dentro da matemática o termo possui  significados distintos dependendo da área de estudo, então o sentido  exato depende do contexto. Um exemplo simples de uma curva é a espiral,  mostrada acima à esquerda. Um grande número de outras curvas já foi bem estudado em diversos campos da matemática.

Plano (geometria)

Um plano é um ente primitivo geométrico infinito à duas dimensões. Nos Elementos de Euclides, não possui definição enquanto conceito genérico. Mas um plano qualquer é definido, ou determinado, de várias formas equivalentes. Na foto ao lado vemos três planos paralelos.

Acima da esquerda para a direita: o quadrado, o cubo e o tesserato. O quadrado bidimensional (2d) é delimitado por linhas unidimensionais (1d); o cubo tridimensional (3d) por áreas bidimensionais; e o tesserato quadridimensional (4d) por volumes tridimensionais. Para exibição em uma superfície bidimensional, como uma tela, o cubo 3D e o tesserato 4d exigem projeção.

Dimensão

Na física e na matemática, a dimensão de um espaço matemático (ou objeto) é informalmente definida como o número mínimo de coordenadas necessárias para especificar qualquer ponto dentro dela. Assim, uma reta  tem uma dimensão de um (1) porque apenas uma coordenada é necessária  para especificar um ponto nela – por exemplo, o ponto no 5 em uma reta  numérica. Uma superfície como um plano ou a superfície de um cilindro ou esfera tem uma dimensão de dois porque duas coordenadas são necessárias para especificar um ponto nela – por exemplo, uma latitude e uma longitude são necessárias para localizar um ponto na superfície de uma esfera. O interior de um cubo, um cilindro ou uma esfera é tridimensional porque são necessárias três coordenadas para localizar um ponto dentro desses espaços.

As primeiras quatro dimensões espaciais, representadas em uma figura bidimensional.
  1. Dois pontos podem ser conectados para criar um segmento de reta.
  2. Dois segmentos de linha paralela podem ser conectados para formar um quadrado.
  3. Dois quadrados paralelos podem ser conectados para formar um cubo.
  4. Dois cubos paralelos podem ser conectados para formar um tesserato.

Na mecânica clássica, espaço e tempo  são categorias diferentes e referem-se a espaço e tempo absolutos (conceitos superados pela física da relatividade e pela mecânica quântica). Essa concepção de mundo é um espaço de quatro dimensões, mas não o que foi  considerado necessário para descrever o eletromagnetismo. As quatro dimensões do espaço-tempo consistem em eventos que não são absolutamente definidos espacial e temporalmente, mas são conhecidos em relação ao movimento de um observador. O espaço de Minkowski primeiro se aproxima do universo sem gravidade; as variedades pseudo-riemannianas da relatividade geral descrevem o espaço-tempo com a matéria e a gravidade. Dez dimensões são usadas para descrever a teoria das cordas, onze dimensões podem descrever a supergravidade e a teoria-M, e o espaço de estados da mecânica quântica é um espaço de função de dimensão infinita. O conceito de dimensão não se restringe a objetos físicos. Espaços de alta dimensão frequentemente ocorrem na matemática e nas ciências. Eles podem ser espaços de parâmetros ou espaços de configuração, como na mecânica lagrangiana ou hamiltoniana; estes são espaços abstratos, independentes do espaço físico em que vivemos.

Um sistema de coordenadas cartesianas de três dimensões.

Obs: É importante observar que a dimensão está vinculada à forma como o espaço se apresenta.

Tesserato e Hipercubo

Um tesserato (ou tesseracto), octácoro regular ou hipercubo de quatro dimensões é um polícoro (polítopo de quatro dimensões) regular, é o polícoro dual do Hexadecácoro e é análogo ao cubo (que é um poliedro, um polítopo de três dimensões) e ao quadrado (que é um polígono, um polítopo de duas dimensões). Um octácoro apresenta vértices (pontos), arestas (linhas), faces (planos) e células (sólidos).

Para representarmos geometricamente um hipercubo de quarta dimensão, devemos fazer uso da analogia: para formarmos um quadrado, unimos dois segmentos de reta paralelos e de mesmo comprimento através de seus extremos por outros dois outros segmentos de reta. Para representarmos um cubo, unimos os vértices de dois quadrados por quatro segmentos de reta. Para representarmos um hipercubo, unimos todos os vértices de dois cubos por segmentos de reta, conforme sugere a imagem ao lado.

O Tesserato é um cubo projetado em 4 dimensões.

O tesserato é um análogo ao quadrado e ao cubo, mas com quatro dimensões. Para entendermos a quarta dimensão, é necessário relembrarmos rapidamente alguns conceitos de geometria. O primeiro conceito é o ponto. Um ponto é a representação geométrica de posição no espaço, e não possui dimensões (nem altura, nem comprimento, nem profundidade); ou seja, é impossível “medir” um ponto. Um ponto que se move em uma direção gera um segmento de reta. Uma linha que se desloca produz ou uma linha mais longa, ou uma área, se ela se move em direção perpendicular à sua direção anterior, ela gera um retângulo; e, se a distância for a mesma que, a que o ponto se deslocou, um quadrado. Um quadrado, movendo-se nesta mesma distância em uma direção perpendicular, gera um cubo. Para mover o cubo, não podemos visualizar em que direção ele se moveria, assim como uma terceira dimensão seria invisível a habitantes presos à superfície de uma mesa, mas supondo-se que existisse uma direção perpendicular às três dimensões, e que o cubo se deslocasse nesta dimensão da mesma distância padrão, a figura gerada seria um tessarato.

Bijeção e função bijetiva

Uma função bijetiva, função bijetora, correspondência biunívoca ou bijeção, é uma função injetiva e sobrejetiva (injetora e sobrejetora).

Uma função bijetiva injetiva e sobrejetiva ao mesmo tempo).

Função injetiva, mas não sobrejetiva (portanto não é bijetiva).

Função sobrejetiva, mas não injetiva (portanto não é bijetiva).

Função nem injetiva nem sobrejetiva (portanto não é bijetiva).

Cardinalidade

Na matemática, a cardinalidade de um conjunto é uma medida do “número de elementos do conjunto”. Por exemplo, o conjunto A={2,4,6,8,10} contém 5 elementos e por isso possui cardinalidade 5. Existem duas abordagens para cardinalidade – uma que compara conjuntos diretamente, usando funções bijetoras e funções injetoras, e outra que usa números cardinais.


Obs: A cardinalidade de um conjunto A é usualmente denotada |A|, com uma barra vertical de cada lado; trata-se da mesma notação usada para valor absoluto, por isso o significado depende do contexto.

Comparação de conjuntos

Caso 1: |A|=|B|

Dois conjuntos A e B possuem a mesma cardinalidade se existe uma bijeção, ou seja, uma função que seja simultaneamente injetora e sobrejetora, entre eles. Por exemplo, o conjunto E={0, 2, 4, 6, …} dos números pares não-negativos tem a mesma cardinalidade do conjunto N={0, 1, 2, 3, …} dos números naturais, uma vez que a função f(n)=2n é uma bijeção de N para E.

Caso 2: |A|≥|B|

|A|tem cardinalidade maior ou igual que a cardinalidade de B se existe uma função injetora de A para B.

Caso 3: |A|>|B|

|A| tem cardinalidade estritamente maior do que a cardinalidade de B se existe uma função injetora de A para B, mas não existe nenhuma função bijetora de B para A.

Obs: Em teoria dos conjuntos, dois conjuntos são equipotentes se possuem a mesma cardinalidade; ou seja, se há uma bijeção entre os conjuntos.

Dedekind-infinito

Na matemática, especialmente na teoria de conjuntos, um conjunto A é Dedekind-infinito ou infinito de Dedekind se A é equipotente a um subconjunto próprio. Um conjunto é Dedekind-finito se ele não é Dedekind-infinito. O nome provém do matemático alemão Richard Dedekind, que definiu “infinito” dessa maneira no seu famoso artigo de 1888, o que são e o que precisam ser os números.

Infinito

Infinito (do latim infinítu, símbolo: ∞) é a qualidade daquilo que não tem fim. O símbolo de infinito ∞ é por vezes chamado de lemniscata, do latim lemniscus. John Wallis é creditado pela introdução do símbolo em 1655 no seu De sectionibus conicis. Uma conjectura sobre o porquê ter escolhido este símbolo é ele derivar de um numeral romano para 1000 que, por sua vez foi derivado do numeral etrusco para 1000, que se assemelhava a CIƆ e era por vezes usado para significar “muitos”. Outra conjectura é que ele deriva da letra grega ω – Omega – a última letra do alfabeto grego. Também, antes de máquinas de composição serem inventadas, ∞ era facilmente impresso em tipografia usando o algarismo 8 deitado sobre o seu lado.

Referências Bibliográficas

Cartilha de Finanças Pessoais: Baixe o Livro

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Esta Cartilha de Finanças Pessoais ensina os princípios básicos de leitura nessa área de conhecimento, é uma compilação elementar de Educação Financeira. Seu objetivo é servir como um guia didático no planejamento da vida financeira de seus leitores.

Blog Cidadania & Cultura

Com a edição revista e ampliada desta Cartilha de Finanças Pessoais – 2019 completei dezoito livros organizados no período desfrutado de Licenças-Prêmio e férias acumuladas. Você os encontrará para download gratuito na aba acima denominada Obras (Quase) Completas.

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CARL SAGAN – LIVROS GRATUITOS EM PDF

Ao todo Carl Sagan escreveu mais de 600 publicações científicas, também foi autor de mais de 20 livros de ciência e ficção científica, selecionamos os melhores que estão disponíveis em pdf. Sem dúvida foi um grande divulgador da ciência moderna: astrônomo, astrofísico, cosmólogo; escritor e divulgador científico norte-americano de destaque mundial. É amplamente conhecido por seus livros de ciência e pela premiada série televisiva de 1980 Cosmos: Uma Viagem Pessoal, narrada e coescrita por ele. Posteriormente o livro Cosmos foi publicado para complementar a série.


Carl Edward Sagan – 1934-1996

Além do sucesso mundial do clássico “O mundo Assombrado pelos Demônios”, outro livro de destaque é o Romance Contato, serviu de base para um filme homônimo de 1997. Em 1978, Sagan ganhou o Prêmio Pulitzer de Não Ficção geral pelo seu livro Os Dragões do Éden. Morreu aos 62 anos de pneumonia, depois de uma batalha de dois anos com uma rara e grave doença na medula óssea (mielodisplasia).

Confira abaixo os links para baixar em pdf/Epub, clicando neles para leitura direta em: PCs, Macs, Smartphones, Tabletes, iPhones.

Livros de Carl Sagan para download

  1. Contato: Download
  2. Cosmos: Download
  3. O Mundo Assombrado pelos Demônios: Download
  4. Um Pálido Ponto Azul: Download
  5. Variedades da Experiência Científica: Download

Créditos: nerdking.net.br, archive.org

The Future of Humanity (O futuro da Humanidade) – Com Yuval Noah Harari

Obs: caso a legenda em português não apareça, clique no ícone legenda na área inferior do vídeo para ativá-la, em seguida clique na engrenagem: escolha a opção Legendas e Português(Brasil).

Ao longo da história houve muitas revoluções: na tecnologia, economia, sociedade, política. Mas uma coisa sempre permaneceu constante: a própria humanidade. Ainda temos os mesmos corpos, cérebros e as mesmas mentes que nossos antepassados na China antiga ou na Idade da Pedra. Nossas ferramentas e instituições são muito diferentes das do tempo de Confúcio, mas as estruturas profundas do corpo humano e da mente permanecem as mesmas. No entanto, a próxima grande revolução da história mudará isso. No século XXI, haverá constantes inovações na tecnologia, economia, política. Mas, pela primeira vez na história, a própria humanidade também sofrerá uma revolução radical, não somente em nossa sociedade e economia, mas nossos corpos e mentes serão transformados por novas tecnologias como engenharia genética, nanotecnologia, realidade virtual, realidade expandida e interfaces cérebro-computador. Yuval Noah Harari tem um doutorado em História pela Universidade de Oxford e agora leciona no Departamento de História na Universidade Hebraica em Jerusalém, especializada em História Mundial. Autor do livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, publicada em 2014, ficou na lista de best-sellers do Sunday Times por mais de seis meses em brochura, foi um dos mais vendidos do New York Times e publicado em quase 40 idiomas no planeta.

Livros do autor disponíveis livremente na internet

Uma breve história da humanidade
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Homo Deus
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Baixar outros formatos acesse:

Link Homo Deus
Link Sapiens

Comentários sobre o autor e seus livros no Blog: Fernando Nogueira Costa.

Para leitura de livros digitais em seu Smartphone ou Tablet segue um ótimo app:

Bookari Free Android: Loja Google Play
Bookari Free IOS: Loja Apple Store

Fontes: The Royal InstitutionLê Livros

ZMOT – Conquistando o Momento Zero da Verdade

ZMOT
Clique para ler o livro diretamente – PDF. (Divulgação).

Este é um importante E-book (livro digital) que trata como o Marketing influencia nossas decisões de compra nos diversos segmentos sociais e nas várias fases de nossas vidas, principalmente no momento presente da sociedade da hipercomunicação.

ZMOT – Zero Moment of Truth (momento zero da verdade). O momento zero da verdade influencia quais marcas entram na lista de compras, onde os compradores preferem comprar e com quem podem compartilhar os resultados. Cabe a nós entrar nessa conversa neste novo momento em que as decisões são tomadas e fornecer as informações pelas quais os compradores estão ávidos de todas as maneiras.

Alguns assuntos tratados no livro

  • A jornada da decisão de compra mudou. O ZMOT é um novo acréscimo vital ao processo clássico de três etapas de estímulo, prateleira e experiência.
  • O que foi uma vez uma mensagem agora é uma conversa. Os compradores hoje encontram e compartilham suas próprias informações sobre produtos de sua própria maneira, em seu próprio tempo.
  • O boca a boca está mais forte do que nunca. Pela primeira vez na história da humanidade, o boca a boca é um meio arquivado digitalmente.
  • Nenhum MOT (moment of Truth – momento da verdade), é pequeno demais. Se os consumidores pesquisarão na Internet desde casas até assistência médica, eles também o farão com band-aids (curativos) e canetas esferográficas.
  • Os MOTs estão se encontrando. Nossos dispositivos móveis são máquinas de MOT.
    Conforme o uso de smartphones (dispositivos de comunicação inteligentes) cresce, os momentos zero, primeiro e segundo da verdade estão convergindo.

Créditos: Google

Comunicação Científica – Alicerces, Transformações e Tendências – Cristina Marques Gomes

Documentação cintífica
Clique na capa do livro para acesso direto online em PDF. (Divulgação).

Introdução

O presente livro nasce do referencial teórico da minha Tese de Doutorado intitulada “Comunicação Científica: Cartografia e Desdobramentos” defendida em 2012 no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP-Brasil) com o acolhimento do Programa Doutoral em Tecnologias e Sistemas de Informação da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (UMinho-Portugal) e o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT) (Bolsa de Investigação no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional – QREN – Programa Operacional Potencial Humano – POPH – Formação Avançada, comparticipado por fundos nacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – MCTES – e pelo Fundo Social Europeu) – e do Programa Erasmus Mundus External Cooperation Window – Projecto ISAC – Improving Skills Across Continents coordenado pela Universidade de Coimbra (Portugal).

A temática da comunicação científica (abreviada de “CC”, ao longo do livro) sempre me instigou, por sua complexidade e por perpassar, de forma holística, todas as disciplinas. É, por assim dizer, uma área transversal que envolve, no sentido prático, diversos “atores sociais”, tais como, as agências de fomento às pesquisas, bibliotecas, editoras, os próprios investigadores, etc, e, na ótica conceitual, certa “visão epistemológica” da ciência em Portugal, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. A CC é, portanto, como se fosse “de todos” e, ao mesmo tempo, de “ninguém”, ou seja, apresenta estudos dispersos provenientes de diferentes matérias e por isso carece de sistematização e organização, tanto em termos históricos como teóricos. Esse livro caminha, por consequência, nessa perspectiva. Busca apresentar ao leitor um panorama geral dos principais alicerces, transformações e tendências da comunicação científica revelando, concomitantemente, o que existe de mais importante na literatura internacional sobre o tema. É indicado ao sujeito curioso e aos pesquisadores de qualquer área servindo de texto-base1 – e de uma espécie de “guia” com apontamentos diversos nas inúmeras notas de rodapé presentes na obra – para os especialistas que, a partir daqui, poderão aprofundar diversos assuntos. Justifica-se, também, nessa linha e no sentido contemporâneo da CC, a deliberação por uma publicação de caráter aberto – formato de ebook – por uma Editora especializada em Comunicação (Livros LabCom) associada ao Laboratório de Comunicação On-line (www.labcom.ubi.pt) do Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior em Portugal.

Como ponto de partida esclarecemos que a comunicação científica (e seus fluxos/sistemas/processos) engloba:

  1. A pesquisa – quando da elaboração de uma investigação, via a comunicação entre os pares (de pesquisador para pesquisador) em todos os níveis;

  2. O sistema, ou seja, a informação que flui de e entre as editoras, bibliotecas, agências de financiamento, dentre outros;

  3. E sociedade em si – quando compartilhamos o conhecimento científico na ótica da comunicação pública da ciência/divulgação científica.

Esses três pilares (“pesquisa”, “sistema” e “sociedade”) já foram citados em outros momentos da história por distintos pesquisados como, por exemplo, o William Garvey da John Hopkins University e o Belver Griffith da American Psychological Association (EUA), para os quais a CC, já em 1979, incluía a “produção, disseminação e uso da informação científica”, ou mesmo, o finlandês Bo-Christer Björk, cujo diagnóstico da CC contemporânea, em 2007, reunia a “performance da pesquisa”, o “financiamento”, a “comunicação dos resultados” e a “aplicação do conhecimento”.

A comunicação científica, em vista disso, é um “tema multifacetado”, como diz Andrew Odlyzko no artigo “The future of scientific communication”, que incorpora um conjunto de processos e variáveis associados às inúmeras teorias, pesquisas e projetos em âmbito global. Para Julie M. Hurd, professora da University of Illinois at Chicago (EUA), por exemplo, a CC apresenta várias interações com diferentes organizações a partir do momento que envolve a produção, organização e disseminação do conhecimento; já a Microsoft Research, que se dedica a pesquisa básica e aplicada em Ciências da Computação e Engenharia de Software, considera o “ciclo de vida da CC” composto por 4 fases (“Data Collection”, “Research & Analysis”; “Authoring; Publication & Dissemination”; e “Storage, Archiving & Preservation”); e o “LiquidPub”, um projeto derivado do Sétimo Programa-Quadro (FP7) – o principal instrumento de financiamento das pesquisas científicas na União Europeia -, encara a CC pela ótica de como “o conhecimento científico é produzido, divulgado, avaliado e consumido”. Essa pluralidade de intervenientes que interagem com a comunicação científica coaduna-se com a contemporaneidade e se junta com a percepção de que o mundo atual está em transição e que é complicado “ignorarmos” tal fato. As novas tecnologias “estão aí” também, disponíveis, atropelando, embaralhando, modificando as estruturas, as dinâmicas da ciência, as formas “de pensar” e, consequentemente, a CC. Estamos imersos, pois, numa sociedade dita “pós-moderna”, rodeados por um ambiente tecnológico e cuja ciência, além da especialização, passa por um processo de “desdogmatização”, ou seja, temos diante de nós um quadro complexo, cheio de referenciais e estudos anteriores e difícil de ser mensurado e, que, nos últimos anos, foi impregnado por uma série de transformações de diversas ordens. E, em meio a isto tudo, direcionamos nosso foco para a comunicação científica que, enquanto objeto, não passa impune a todas essas mudanças – o que torna esse livro a matériaprima para inúmeros outros debates, proposições e reflexões.

Não podemos negar, pela mesma linha, também, com base na literatura publicada, que os investigadores da CC, em síntese, se sustentam em três grandes parâmetros: os que apresentam uma visão arraigada nos princípios do que é ou não “científico” que foi construída ao longo dos últimos 300 anos e, nesse sentido, veem com certa “resistência” a tecnologia como elemento de inovação; os autores que estão no “meio-termo” lançando teorias e suscitando questionamentos e, ainda, um terceiro grupo, no extremo oposto do primeiro, que é totalmente “integrado” ao sistema alinhavando a tecnologia com a comunicação científica na construção de ferramentas, aplicativos, serviços e softwares que suportam esta última, criando, por vezes, sem exclusão, produtos e/ou estruturas novas. Nesta última categoria, podemos incluir, ainda, os “técnicos” ou “tecnólogos”, principalmente, de áreas correlatas como a Computação, que não estão “pensando” ou “realizando” pesquisas específicas em torno da CC e sim desenvolvendo ferramentas com propósitos outros, mas que, de uma forma ou de outra, são incorporadas, por um ou mais ator social, influenciando e/ou modificando o fluxo/sistema da CC em sua totalidade.

Nesse sentido, o grande desafio, do livro como um todo, é de se apropriar de uma “visão holística” da CC que pudesse, a posteriori, sustentar outras pesquisas sem, ao mesmo tempo, ser “generalista” nas proposições que encerram elementos pontuais e/ou locais. A intenção não é, pois, elencar “valores de juízo” ou “hierarquias” dentre e entre quaisquer teorias, comunidades, atores, etc, e, sim, apresentar uma multiplicidade de olhares que podem nos levar a diferentes interpretações – não seguindo, conscientemente e por consequência, exclusivamente, nenhuma corrente teórica. Convém salientar, no entanto, que, quando remetemos a CC ao eixo de análise holístico, encontramos uma pluralidade de matérias e a própria expressão “pluralidade”, por sua vez, esbarra no “relativismo” e seria impensável ou impossível abarcar exatamente todos os vieses, até pelas próprias relações de “tempo” e de “espaço” e suas implicações teóricas, conceituais, etc. Estamos, portanto, também, sujeitos a encontrar pontos de análises que, porventura, serão ignorados, esquecidos e/ou perdidos.

A partir desse cenário e considerando-se, pois, que a CC encerra várias percepções, o primeiro capítulo prima por apresentar e clarificar os pilares principais do fenômeno proporcionando, ao leitor, uma visão geral da área.

Desta feita, a CC pode ser observada a partir de duas feições: uma associada ao desenvolvimento da ciência como um todo e outra que, por vezes, é estampada via as teorias e os modelos que representam a CC ao longo da história e que iremos esmiuçar. Dentre os modelos encontrados na literatura, perpassaremos desde os que são “clássicos” como o de Garvey e Griffith da década de 1970 até o visionário de Hurd para 2020. Quando se analisa a CC e seus modelos não podemos deixar de abordar os atores (investigadores, bibliotecas, editores, sociedades, etc) envolvidos no sistema, seus componentes básicos (a comunicação formal e informal), os elementos associados a “cientificidade” como, por exemplo, a avaliação por pares e os “processos em si” – de prépublicação, publicação, divulgação, dentre outros. Pelo viés histórico, inclusive, esbarramos nas questões conceituais que foram evoluindo ou mudando e que são importantes de serem observadas, pois as interpretações teóricas e as ações empíricas são decorrentes dos conceitos – das ideias e opiniões que fazemos sobre determinada coisa.

Compondo o segundo capítulo, adentraremos na descrição e análise de uma etapa cronológica-histórica de mudanças que, direta ou indiretamente, desestabilizou os alicerces da CC. Tal fase é considerada como um estágio de “transição” entre o sistema tradicional e o que seria a “CC do futuro” (e tudo indica que, em vários aspectos, já “estamos lá” e em outros não) e, nessa conjuntura, abordaremos questões ligadas ao surgimento do computador, a inserção de outras (novas) definições, as mudanças advindas dos impactos das TICs nos periódicos, na comunicação formal e informal, nos atores sociais do sistema da CC, nas disparidades de aceitação e envolvimento com a tecnologia, dentre outros aspectos. As mudanças são, ainda, decorrentes não somente do computador mas, também, da internet e das variações sobre a web (1.0, 2.0, etc) que, em certo sentido, influenciaram algumas iniciativas e movimentos como, no caso, da Open Access Initiative (OAI) e do Movimento de Acesso Aberto (OA).Já o terceiro capítulo irá elencar quais são os novos elementos constituintes, em se tratando, principalmente, da última década, e/ou as tendências que foram – ou serão – acopladas/inseridas na comunicação científica, ocupando-se, nesse sentido, de alguns dos assuntos mais em voga no momento, tais como: “web de dados”, “open data science”, “open annotation”, “slow science”, “overlay journal”, etc, além de contextualizar outros modelos como o da “ciberciência” de Nentwich (2005) e o “global” de Bjork (2007). Estaremos lidando, nesta etapa, com uma série de assuntos (como, as alternativas ao peer review, por exemplo) com o propósito de traçarmos uma paisagem do sistema e dos processos da CC na contemporaneidade e no futuro próximo.

Por fim, apresentamos o capítulo quatro (“considerações finais”) e um apêndice sobre uma possível “re-escritura da comunicação cientifíca” (com base em Gomes, 2012).

Boa Leitura!

Profa. Dra. Cristina Marques Gomes.

Docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). e-mail: cristina@usp.br.

Fonte: Livroslabcom

Darwin e Wallace online – Obras Originais Completas

Darwin Online
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O site Darwin e Wallace Online, nos traz as obras completas dos dois cientistas naturalistas do século XIX, inclusive os relatos de bordo da viagem do Beagle em português.

O Dr. John van Wyhe é um historiador da ciência, professor nos Departamentos de Ciências Biológicas e História e um colaborador da Tembusu College, Universidade Nacional de Cingapura. Ele é o fundador e diretor de Darwin e Wallace on-line. Faz palestras e transmissões em todo o mundo.

Sua pesquisa tem resolvido alguns dos mistérios mais difíceis e desmascarou alguns dos mitos mais duradouros no campo, como o atraso de Darwin na publicação de sua teoria da evolução das espécies, quando Darwin recebeu o ensaio sobre a evolução – de Wallace -, se Darwin foi o único naturalista ou companhia a bordo do Beagle, onde a lenda de tentilhões de Darwin vem e se Darwin perdeu a fé quando sua filha Annie morreu.

Seu livro Dissipando as Trevas inverte completamente a história tradicional de Darwin, Wallace e como a evolução por seleção natural foi concebida e levada ao conhecimento do mundo com base no programa de pesquisa mais profundo já realizado sobre a viagem de Wallace incluindo a edição Wallace on-line, a viagem de Wallace, cartas e cadernos nos padrões acadêmicos modernos. Como Janet Browne escreveu “A história de Wallace nunca mais será a mesma”.

Contato: Dr. John Van Wyhe Telefone: +65 660 11163

Departamento de Ciências Biológicas

Universidade Nacional de Cingapura

14 Science Drive 4

Cingapura 117543

Créditos: Darwin Online

Créditos: Wallace Online

O mundo assombrado pelos demônios – Carl Sagan

O mundo assombrado pelo demônios
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Este livro é uma defesa apaixonada e apaixonante da ciência e da racionalidade humana. Carl Sagan, que não poupou esforços para divulgar os conhecimentos científicos de forma correta e clara, ataca o vírus do analfabetismo científico que faz, por exemplo, com que a maioria dos americanos pense que os dinossauros conviveram com os seres humanos e que desapareceram no dilúvio porque não cabiam na Arca de Noé. Acreditar em explicações pseudocientíficas e fictícias, do monstro de Loch Ness e nas lágrimas lacrimejantes da Virgem Maria, do Abominável Homem das Neves ao poder das pirâmides e dos cristais, do Santo Sudário a terapias de vidas passadas, de anjos e demônios a seres extraterrestres que sequestram e estupram. Para o autor de Pálido Ponto Azul, longe de serem inócuos, essas crenças e modismos podem causar danos terríveis; nos Estados Unidos pais inocentes estão sendo condenados em decorrência de falsas lembranças de abuso sexual de seus filhos, induzidas por terapeutas incompetentes. Da mesma forma, ele mostra que a crença nos argumentos de autoridade e o declínio da compreensão dos métodos da ciência prejudicam a capacidade de escolha política e põem em risco os valores da democracia.

Como todos os livros de Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios” está cheio de informações surpreendentes, transmitidas com humor e graça. Seus ataques muitas vezes divertidos à falsa ciência, às concepções excêntricas e aos irracionalismos do momento são acompanhados por lembranças felizes da infância, quando seus pais o colocaram em contato pela primeira vez com os dois modelos de pensamento centrais para o método científico: o ceticismo e a admiração.

Para aqueles que vivem bombardeados diariamente pelos fenômenos “fantásticos” da vida, este livro funciona como um tratamento de desintoxicação. Mais que uma vela bruxuleante, trata-se de um jato de luz destinado a varrer os demônios do obscurantismo que pairam sobre nosso tempo.

Fonte: Lê Livros

A árvore do conhecimento – Maturana e Varella

A árvore do conhecimento
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O ponto de partida de A Árvore do Conhecimento é surpreendentemente simples: a vida é um processo de conhecimento; assim, se o objetivo é compreendê-la, é necessário entender como os seres vivos conhecem o mundo. Eis o que Humberto Maturana e Francisco Varela chamam de biologia da cognição. Esta é a sua tese central: vivemos no mundo e por isso fazemos parte dele; vivemos com os outros seres vivos, e portanto compartilhamos com eles o processo vital. Construímos o mundo em que vivemos ao longo de nossas vidas. Por sua vez, ele também nos constrói no decorrer dessa viagem comum. Assim, se vivemos e nos comportamos de um modo que torna insatisfatória a nossa qualidade de vida, a responsabilidade cabe a nós.

As idéias de Maturana e Varela contêm nuanças que lhes proporcionam uma leveza e uma perspicácia que constituem a essência de sua originalidade. Para eles, o mundo não é anterior à nossa experiência. Nossa trajetória de vida nos faz construir nosso conhecimento do mundo – mas este também constrói seu próprio conhecimento a nosso respeito. Mesmo que de imediato não o percebamos, somos sempre influenciados e modificados pelo que experienciamos. Para mentes condicionadas como as nossas não é nada fácil aceitar esse ponto de vista, porque ele nos obriga a sair do conforto e da passividade de receber informações vindas de um mundo já pronto e acabado – tal como um produto recém-saído de uma linha de montagem industrial e oferecido ao consumo. Pelo contrário, a idéia de que o mundo é construído por nós, num processo incessante e interativo, é um convite à participação ativa nessa construção. Mais ainda, é um convite à assunção das responsabilidades que ela implica.

Maturana e Varela mostram que a idéia de que o mundo não é pré-dado, e que o construímos ao longo de nossa interação com ele, não é apenas teórica: apóia-se em evidências concretas. Várias delas estão expostas – com a freqüente utilização de exemplos e relatos de experimentos – nas páginas deste livro. As teorias dos dois autores constituem uma concepção original e desafiadora, cujas conseqüências éticas agora começam a ser percebidas com crescente nitidez. A Árvore do Conhecimento tornou-se um clássico, ou melhor, recebeu o justo reconhecimento de seu classicismo inato. Tudo isso compõe hoje uma ampla bibliografia, espalhada por áreas tão diversas como a biologia, a administração de empresas, a filosofia, as ciências sociais, a educação, as neurociências e a imunologia.

Humberto R. Maturana

Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile. Estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e EUA. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. É professor da Universidade do Chile.

Francisco J. Varela

Ph.D. em Biologia (Harvard, 1970). Nasceu no Chile. Depois de ter trabalhado nos EUA, mudou-se para a França, onde passou a ser diretor de pesquisas do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas) no Laboratório de Neurociências Cognitivas do Hospital Universitário da Salpêtrière, em Paris, além de professor da Escola Politécnica, também em Paris.

Fonte: Golfinho

Créditos: Escola de redes

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Neuropsicanálise na Prática – Freud e a busca pela neuropsicanálise

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Há um ponto específico em seus próprios escritos, quando sua busca por mecanismos psicodinâmicos converge com a busca de mecanismos neuronais correspondentes no cérebro. Este é o seu famoso artigo de 1895 escrito como um Projeto para uma Psicologia Científica, em que ele tenta vincular mecanismos neuronais com conceitos psicodinâmicos (ver Parte II deste livro para mais detalhes). Embora neste livro ele tentasse ligar mecanismos neuronais específicos aos seus conceitos psicodinâmicos, Freud mais tarde considerou seu primeiro esforço neuropsicanalítico como um fracasso, e assim o manuscrito não foi publicado durante sua vida.

Quando finalmente publicado em 1895, o Projeto de Freud para uma Psicologia Científica gerou muita discussão quanto à possibilidade ou não da psicanálise poder, em princípio, estar ligada á neurociência (Brook, 1998; Levin, 2003; Peled, 2008). Mais recentemente, a redação do projeto tem sido considerada como evidência de que a psicanálise pode efetivamente, ser ligada à neurociência. Isto levou ao nascimento de uma nova disciplina, conhecida como neuropsicanálise (Kandel, 1998; Solms e Solms-Kaplan, 2000; Solms e Turnbull, 2002; Fonagy, 2003; Shore, 2003; Mancia, 2004; Solms, 2004; Mancia, 2006, Northoff, 2007a, c). Em termos gerais, neuropsicanálise visa interligar conceitos psicodinâmicos e mecanismos da neurociência, fazendo uma integração com a psique e o cérebro.

No entanto, como em qualquer nascimento peculiar, a gravidez bastante longa e o parto doloroso subsequente á disciplina de neuropsicanálise, após a sua concepção inicial em 1895, deram origem a muita controvérsia. Em particular, compreende-se o que constitui o tratamento mais apropriado para o infante novo, com defensores e opositores sendo muito divididos sobre o tipo de remédio que é necessário para as complicações gestacionais.

Os proponentes têm focado predominantemente em ligar conceitos psicodinâmicos, como sonhos, o inconsciente, o ego e os instintos para funções específicas psicológicas (por exemplo, funções cognitivas e afetivas), que por sua vez podem ser localizados em regiões específicas do cérebro. Um foco tem sido o inconsciente e sua relação com memórias (Kandel, 1998; Mancia, 2004; Mancia, 2006), enquanto outros têm procurado os mecanismos de unidades neuronais (Solms, 1996 subjacentes; Panksepp, 1998; Fonagy, 2003), os sonhos (Solms, 1997, 2000; Solms e Turnbull, 2002; Mancia, 2004; Hobson, 2009), o ego (Northoff, 2007; Carhart-Harris e Friston, 2010), os processos primários e secundários (Carhart-Harris mecanismos e Friston 2010), e de defesa (Fonagy, 2003; Northoff e Boeker, 2006; Northoff, 2007a, c; Feinberg, 2010). Uma vez que estas investigações neuropsicanalíticas concentrar em procurar as regiões do cérebro, cuja atividade neural correlaciona-se com o conceito psicodinâmico em questão, é possível falar dos “correlatos neurais” de conceitos psicodinâmicos.

Em contraste, os adversários de tais empreendimentos neuropsicanalíticos argumentam que tal articulação entre os mecanismos neuronais e conceitos psicodinâmicos não podem explicar o seu significado e, assim, a dimensão hermenêutica do último (Green, 2001; Schneider, 2006). Mais especificamente, a quantificação e objetivação que são necessários a fim de investigar os mecanismos neuronais eliminando os aspectos qualitativos e subjetivos dos conceitos psicodinâmicos significativos. Além disso, essas mesmas características qualitativas e subjetivas tornam impossível localizar conceitos psicodinâmicos nas atividades neuronais quantitativas e objetivas que estão associadas com certas regiões do cérebro (verde, 2001; Schneider, 2006). Os adversários sugerem que isso faz com que seja fútil qualquer tentativa neuropsicanalítica, e preveem uma vida bastante difícil, se não a morte prematura da nova neuropsicanálise infantil, em comparação com a sua irmã mais velha e mais madura, ou seja, a psicanálise.

Como é que Freud teria respondido a esse debate, se ele estivesse vivo hoje? Ele teria abraçado o recém-nascido com o nome de “neuropsicanálise”? Ou será que ele teria deixado o bebê novo sozinho, da mesma forma que ele rejeitou e abandonou seu artigo de 1.895, que deveria ter uma morte silenciosa e acabar no cemitério de escritos inéditos? Nós não sabemos as respostas a estas perguntas, e só podemos especular. No entanto, nós sabemos (pelo menos parcialmente) porque Freud abandonou suas tentativas neuropsicanalíticas iniciais. Ele considerou que, durante sua vida, o nível de conhecimento do cérebro e, portanto, da neurociência eram insuficientes para permitir a ligação dos mecanismos neuronais a conceitos psicodinâmicos.

Qual é a situação hoje? É o nosso nível atual de conhecimento e ideias sobre os mecanismos neuronais do cérebro suficientes para permitir a ilusão de Freud, ou seja, a relação entre os mecanismos neuronais e conceitos psicodinâmicos? Principais proponentes, como Mark Solms (2004) e Jaak Panksepp (1998), de fato, consideram a neuropsicanálise ser a continuação e conclusão do projeto de Freud (Freud, 1895), (ver também Pugh, 2006) e, mais genericamente, de seu esforço para estabelecer uma psicologia de base científica da mente humana. E assim a neuropsicanálise nada mais é do que uma continuação e conclusão da tentativa de Freud para desenvolver uma psicologia científica da mente, que agora é apenas estendida a partir da psique para o cérebro? Vamos agora finalmente voltar para o próprio cérebro, e ver se a neuropsicanálise pode realmente superar as deficiências de conhecimento sobre o cérebro que Freud identificou durante a sua vida.

Créditos: Georg Northoff

Fonte: Ebook3000